A apresentar mensagens correspondentes à consulta Rawls ordenadas por data. Ordenar por relevância Mostrar todas as mensagens
A apresentar mensagens correspondentes à consulta Rawls ordenadas por data. Ordenar por relevância Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 20 de abril de 2015

A teoria de Rawls e a teoria utilitarista

A principal motivação da teoria da justiça como equidade é o desejo de Rawls de formular uma alternativa poderosa ao utilitarismo. Parecia-lhe que o utilitarismo era a teoria mais sistemática e abrangente disponível para fornecer uma base de comparação entre instituições e práticas sociais alternativas. No entanto, para Rawls, o utilitarismo é insatisfatório pelo menos por duas razões.

Em primeiro lugar, e de acordo com a sua avaliação da teoria utilitarista, esta falha por não concordar com os nossos juízos ponderados sobre o facto de os direitos individuais não deverem estar sujeitos ao cálculo dos interesses sociais. A proposição central do utilitarismo, pelo menos na sua forma clássica, é o princípio da maior felicidade. De acordo com este princípio, o melhor resultado é aquele que maximiza a felicidade agregada dos membros de uma sociedade tomada como um todo. Todavia, em algumas circunstâncias plausíveis, pode acontecer que a maneira de maximizar a felicidade agregada signifique impor um sofrimento considerável a um ou a alguns membros de uma sociedade. Suponhamos que eu e tu pertencemos a uma sociedade de cem pessoas. Suponhamos que noventa e cinco de nós podem ficar mais felizes escravizando os restantes cinco, forçando-os a realizar tarefas que a nossa sociedade considera desagradáveis e aviltantes, mas que nos libertam para realizar tarefas mais agradáveis e recompensadoras.  Pode acontecer que este curso de acção venha a produzir mais felicidade agregada do que a alternativa de não escravizar ninguém, mesmo considerando a miséria dos infelizes escravizados. De acordo com o utilitarismo clássico, o melhor resultado é aquele que maximiza a felicidade agregada. Se o máximo de felicidade agregada pode ser alcançado através do curso de acção que implica a escravização de alguns para produzir a maior felicidade para a maioria, então o utilitarismo clássico defenderá que esse curso de acção é o melhor. Rawls defende que resultados deste tipo colidem com os nossos juízos ponderados sobre os direitos que os indivíduos possuem e que não devem ser sacrificados no cálculo dos interesses sociais.

Em segundo lugar, Rawls pensa que o utilitarismo […], pressupõe uma concepção monista do bem. Para Rawls, é uma premissa da teoria utilitarista que se todos os indivíduos forem totalmente informados e racionais, concordarão que existe apenas um bem. No utilitarismo clássico, o bem é o prazer mental ou então, e tomado de uma forma mais ampla, o bem-estar psicológico. Na opinião de Rawls, ainda que os utilitaristas aceitem que diferentes coisas contribuam para o bem, pressupõem que isso acontece porque contribuem para o bem-estar psicológico, que é, só por si, o único bem. Rawls pensa que este pressuposto está errado. Na sua perspectiva, há uma concepção pluralista de diferentes e até incomensuráveis concepções de bem e assim continuaria a ser mesmo que todas as pessoas fossem muitíssimo informadas e racionais. As pessoas possuem diferentes valores e formulam diferentes projectos. Alguns destes valores e projectos ultrapassam a sua própria vida e experiência individual. Isso é, alguns indivíduos — muitos indivíduos, de facto — valorizam outras coisas para além de estados mentais ou estados de bem-estar psicológico. Os utilitaristas podem tentar explicar estes valores afirmando que devem estar baseados em inferências desinformadas ou irracionais. No entanto, segundo Rawls, este esforço será infrutífero. As pessoas formulam de facto diferentes concepções de bem, em muitos casos irreconciliáveis. Uma teoria da justiça satisfatória, pensa Rawls — correctamente, na minha opinião — deve ter em conta este facto.

Assim, o ponto de partida da teoria rawlsiana da justiça é esta rejeição do utilitarismo e, em particular, destas duas características da teoria utilitarista. Estes dois aspectos têm sido as duas âncoras principais para a totalidade da teoria da justiça como equidade, tanto na sua forma original como na sua formulação mais recente em que a teoria é apresentada como representativa do género do liberalismo político. Por outras palavras, o objectivo da teoria é fornecer um conjunto de princípios, que poderíamos usar para determinar se as instituições e as acções de uma sociedade são justas, consistente com a nossa intuição ou os nossos juízos ponderados sobre o facto de os indivíduos possuírem direitos que não devem ser sacrificados no cálculo dos interesses sociais e o reconhecimento do facto de nem todos os indivíduos informados e racionais puderem aceitar uma única concepção de bem, e que as concepções de bem das pessoas são irredutivelmente plurais.

David Johnston

Traduzido e adaptado por Vítor João Oliveira
Texto retirado da obra The Idea of a Liberal Theory: A Critique and Reconstruction, de David Johnston (New Jersey: Princeton Universtity Press, 1996, pp. 101-3).
Texto copiado daqui.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Os valores Ético-Políticos - Plano de estudo

Pintura de Wolfgang Lettl

Já foi adicionada a ficha sobre a ética deontológica de Kant para os alunos que tiveram negativa no teste 4 - para abrir clique aqui.


II.3.1. A dimensão ético-política - Análise e compreensão da experiência convivencial

3.1.1. Intenção ética e norma moral


O que é a Ética?

O que é a Moral?

A distinção entre Moral e Ética

A Moral e a Ética - introdução à ética.

A ética e a moral (síntese)

A natureza das normas morais

O relativismo moral - ficha prática

O que é o relativismo moral ?

As contradições do relativismo moral

3.1.2. A dimensão pessoal e social da ética

A Pessoa como agente moral ou sujeito ético

A autonomia e a heteronomia

A Razão como critério valorativo

A Razão (consciência moral) como critério de deliberação moral /A ética como uma fundamentação racional da moral

3.1.3.  A necessidade de fundamentação da moral:  análise comparativa de duas perspectivas

A ética deontológica de Kant (apresentação) - Esta apresentação deve ser explorada conjuntamente com a seguinte: Os dilemas do agulheiro e do cirurgião

As teorias éticas de Kant e Suart Mill

A ética deontológica de Kant

A ética de Kant: uma moral do dever

A ética deontológica de Kant - Ficha formativa (Ficha valores éticos 03)

A diferença entre Imperativo Categórico e imperativo(s) hipotético(s) 

A dignidade da Pessoa segundo Kant

Segundo Kant, por que razão a moralidade é imposta a cada ser humano de forma categórica?

A ética utilitarista (teleológica / consequencialista) de Stuart Mill

Kant e Stuart Mill - Questões de exame

Stuart Mill: qual o critério de moralidade?

Kant: qual o critério de moralidade?

Críticas (objeções) à ética deontológica de Kant


Críticas (objeções) ao Utilitarismo


3.1.4. Ética, Direito e Política

Filme: O Rapaz de Pijama às Riscas

Auschwitz - 70 anos depois

A natureza das Normas Jurídicas

O Problema da Justiça

O Problema da justificação do Estado


A desobediência civil

Liberdade e Justiça Social - Origem e justificação do Estado. Aristóteles, Locke e Rawls.


A Teoria da Justiça de Rawls


A Teoria de Rawls e a Teoria Utilitarista


A teoria da justiça de Rawls e a teoria ética deontológica de Kant

Críticas (objeções) à Teoria de Rawls



__________

Objetivos:
                   
2. Definir o conceito de ética;                
20. Definir o utilitarismo;
26. Problematizar a relação entre a Ética e a Política;
27. Definir o Direito; 
28. Compreender a natureza das normas jurídicas;
29. Distinguir as normas morais das normas jurídicas;
30. Definir o conceito de justiça;
31. Explorar o problema da justiça;
32. Analisar as limitações do igualitarismo;
32. Compreender o problema da origem do Estado e da sua legitimação;
26. Analisar a teoria política de Aristóteles: as origens naturais da Pólis e a sua relação com o bem comum - o homem como animal político;
27. Explicitar a teoria contratualista de Locke: o Estado de Natureza e o Estado Civil;
28. Compreender as funções do Contrato Social;
29. Explicar a teoria da justiça como equidade (J. Rawls);




Fichas (para download):

Trabalho cooperativo:


Ficha valores éticos 01 - A Moral e a Ética

Ficha valores éticos 02 - O relativismo moral.

O que é o relativismo moral? - Texto de apoio.

As contradições do relativismo moral - Texto de apoio.


Ficha valores éticos 03 - teórica - A ética deontológica de Kant

Ficha valores éticos 03 - prática - A ética deontológica de Kant


Trabalho individual:

Ficha E01 - A Pessoa como agente moral ou sujeito ético.

Ficha E02 - A ética deontológica de Kant - Ficha para os alunos que tiveram negativa no teste 4.

Ficha E03 - O Utilitarismo.

Ficha P01 - Interpretação do filme 'O Rapaz de Pijama às Riscas'. O Direito. As normas morais e as normas jurídicas.

Ficha P02 - A Teoria da Justiça de Rawls.

Ficha P03 - Rawls e o utilitarismo.

Ficha P04 - Rawls e a teoria deontológica de Kant.

_________________

Teste 4 - Matriz

TESTE MODELO SOBRE OS VALORES ÉTICOS

TESTE 4 - 10º D

TESTE 4 - 10º D - Correção

Teste 5 - Matriz


TESTE MODELO DE PREPARAÇÃO DO TESTE 5