sábado, 1 de maio de 2010

Ordem dos Advogados dos Açores quer droga grátis em centros de saúde



Conselho Distrital do arquipélago defende ministração gratuita de drogas para evitar o tráfico e roubos

O presidente da delegação regional da Ordem dos Advogados (OA) dos Açores, Rui Vieira, defende a aquisição de droga pelo Estado para ser ministrada a toxicodependentes, de forma controlada e gratuita nas unidade de saúde. O objectivo será para desvalorizar o elevado preço que os estupefacientes atingem no mercado negro e combater quem vive do seu comércio ilegal.

"Todos sabemos que uma das formas de combater o problema da traficância é desvalorizar a droga", explica Eduardo Vieira. "O traficante só tem interesse em traficar porque tem margens de lucro assustadoras. Logo, se arranjarmos mecanismo de desvalorizar o produto, ele deixa de ter interesse em traficar, o número de traficantes será menor e o problema, em parte, resolvido", frisou o advogado dos Açores.

O advogado, também presidente da Assembleia Municipal da Ribeira Grande, preconiza a solução para dissuadir "a acção de traficantes que obtêm lucros fabulosos à custa de pessoas com necessidade de roubar para alimentar o vício". Como, por exemplo, no tráfico de heroína.

Opinião que não gera consenso. João Goulão, presidente do Instituto de Droga e Toxicodependência (IDT), defende que, "na realidade portuguesa, não é uma prioridade, até porque é uma solução muito dispendiosa", explicou ao DN. "Para Portugal pensar nisso, terá de haver um debate a nível internacional, até porque os destinatários deste tipo de programa é uma franja muito reduzida", concluiu.

Carlos Almeida, presidente do Conselho Distrital de Évora da Ordem dos Advogados, assumiu ao DN que também não concorda com a ideia. "Isso é mais uma despesa para o Estado que não faz sentido", explica o advogado. "Acho é que temos de ser diligentes e responsáveis e por isso não concordo nada com esta ideia."

António Cabrita, presidente do Conselho Distrital de Faro, admite que não tem opinião formada sobre o assunto, mas que a ideia "não choca mas é preciso fazer uma profunda reflexão", concluiu o advogado.

A posição do presidente do Conselho Distrital dos Açores surge após a informação veiculada pelo Ministério Público e forças policiais de que, entre 2008 e 2009, se registou um aumento no número de crimes contra o património (roubos e furtos) no concelho da Ribeira Grande, associados ao consumo de droga. Uma das soluções passaria pelo Estado, encarando o consumidor viciado como alguém doente que necessita de ser curado, assumir a compra legal de droga para dotar as unidades de saúde açorianas de estupefacientes. Produtos que conseguiria adquirir no estrangeiro a preços baratos - incluindo os resultantes de apreensões policiais -, que seriam depois ministrados gratuitamente a quem dependesse deles, sob a orientação e controlo do respectivo médico de família. Nesta lógica, "o médico dá a dose e o substituto necessário para que, ao longo de algum tempo, o toxicodependente se vá desligando da sua dependência. Se tiver tal apoio, não terá necessidade de comprar droga, nem de roubar ou furtar para a adquirir".

Eduardo Vieira reafirma a convicção de que, para caírem os preços proibitivos praticados no comércio ilegal, há que tornar a droga barata, "e oferecê-la a quem precisa". Tudo com controlo, através dos hospitais, centros de saúde e médicos de família. Eduardo Vieira considera que deveriam ser atribuídos apoios a municípios visando a criação de postos de trabalho para pessoas com maiores limitações, decorrentes da sua propensão para o consumo.
|Paulo Faustino, DN 1/5/2010

Proposta de Trabalho:

1. Elabore o mapa argumentativo deste texto.
2. Procure falácias nos argumentos apresentados no texto.
3. Concorda com a tese defendida pelo presidente da delegação regional da ordem dos advogados dos Açores? Considera os seus argumentos pertinentes? Porquê?
3.1. O contra-argumentos que são apresentados pelos opositores a essa tese são consistentes? Fundamente a sua resposta.
4. identifique o problema a que a tese indicada em 3 procura dar resposta.
4.1. Apresente a sua solução para o problema, fundamentando-a com 4 argumentos pertinentes.
_________________________________________________
Grau de dificuldade: Nível 3 (de 5).
Competências treinadas: Análise de Texto; Interpretação Argumentativa; Capacidade de Argumentação.
Conteúdos: Argumentação; Falácias.
Tema: A droga/ Medidas para combater a droga.
Duração média recomendada para a execução da actividade: 2 horas.
11º Ano

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Mandela saiu em liberdade há 20 anos



Mandela é o invicto: um homem que se crê ser exclusivamente bom. Esteve 27 anos preso só por ser preto, mas quando saiu libertou 50 milhões de pessoas. É a maior figura referencial de África. Qual foi a sua suprema vingança? A reconciliação e o perdão.

"Defendo o ideal de uma sociedade democrática e livre, na qual todos convivam em harmonia e oportunidades iguais. É um ideal pelo qual espero viver, que espero alcançar. Mas, se for preciso, é um ideal pelo qual estou preparado para morrer". Em 1964 Mandela enfrentava a própria promessa: acusado de conspiração e sabotagem, é emparedado na prisão perpétua. Tinha 46 anos, casado, com filhos. Nos 27 anos seguintes perde tudo, até direito a ter nome - é tratado pelo número: 46664, número entalado na quadratura da besta.

Christo foi à festa em sua casa

47 anos depois desse dia. Filhos e netos, a ex-mulher Winnie, amigos e companheiros do Congresso Nacional Africano (ANC), antigos e novos activistas políticos, agentes sociais, membros da "nação arco-íris": dezenas acorreram ontem à sua casa em Joanesburgo para a festa privada da liberdade.

Mas entre aqueles havia um, com o especial nome de Christo, que lhe deu a mão: é Christo Brand, guarda prisional de Robben Island, uma ilha mais terrível que Alcatraz, e que teve 27 anos para fazer brotar ali a amizade. "Nunca conheci ninguém como Mandela", disse ontem Christo à Reuters, "e creio que nunca vou conhecer".

Um país inteiro saiu da prisão

Há 20 anos, na manhã de 11 de Fevereiro de 1990, quando ele saiu de mão dada com Winnie, erguido o punho direito, não foi só um homem concreto que foi libertado; foi um país inteiro que festejou com socos no ar a queda do regime segregado pelo apartheid e pelos seus genocídios morais. Nos quatro anos seguintes, numa enxurrada, tudo iria mudar: o ANC e outros partidos plurais são legalizados, Mandela ascende a líder, ganha o Nobel da Paz, vence eleições e é empossado (1994) primeiro presidente negro da África do Sul.

Hoje, o ANC espera reunir "pelo menos 20 mil pessoas ao redor da prisão de Robben Island", naquele que será um fortíssimo gesto simbólico de cerco à iniquidade.

A melhor vingança é o perdão

Com tão pesado passado, com 91 anos - faz 92 a 18 de Julho, o "Dia Mandela" na África do Sul -, hoje, o Madiba, nome reverencial que vem do clã a que pertence, está naturalmente afastado da vida política - "mas ainda lê pelo menos quatro jornais por dia", diz um porta-voz da Fundação Nelson Mandela.

Quem o quiser perceber de uma penada, Clint Eastwood explica-o em "Invictus", 'biopic' de um ano na vida de Mandela (Morgan Freeman, cheio de gravidade e leveza; está nomeado para Oscar). É um estudo fascinante da liderança política de um homem que tinha um prestígio moral sobrenatural e que usou o poder coercivo dos símbolos (o rugby; em 1995 a África do Sul foi campeã mundial) para unificar um país e provar que a união é mais do que a mera soma das partes. E assim se fez a sua vingança: com reconciliação, cheia de perdão.

Fonte: José Miguel Gaspar, JN

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Textos Filosóficos




Aristóteles

Antologia:




















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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Tolerar ou aceitar?


“Sentada em frente à televisão e com o controlo remoto na mão, vou fazendo zapping por todos os canais até encontrar algo que me desperte a atenção. Foi quando vi, numa reapresentação do Programa Roda Viva, o filósofo esloveno Slavoj Zizek que veio ao Brasil, em Outubro de 2008, para o lançamento do seu livro “Visão em Paralaxe”. Ele apresenta num nervosismo típico de quem pensa muito mais rápido do que suas palavras possam alcançar. Dentre os diversos assuntos ali questionados um em especial chamou-me a atenção, quando ele fala que hoje em nossa sociedade a palavra de ordem e politicamente correcta é TOLERÂNCIA. Tolerância, para este filósofo, é um logro. Ele diz que derrubamos o muro de Berlim, mas erguemos outros muros invisíveis, citando como exemplo, os palestinianos e o impedimento da entrada dos mexicanos nos EUA. Na realidade o que querem dizer com tolerância seria “Não se aproxime de mim, fique onde está e estará tudo bem”. Trazendo o tema para outros campos onde a intolerância impera, como no campo religioso, étnico, das identidades sexuais, etc...vemos que a frase acima denota a realidade nua e crua. Disfarçamo-nos de tolerantes quando somos, na realidade, intolerantes com o diferente. Para os grupos sociais a verdade sempre está com aquele grupo. Entre o multiculturalismo e o universalismo, qual seria a solução? Para o filósofo, nenhuma das duas correntes é solução para o conflito. Mas , a grande resposta deste filósofo está na solução através da política. Ninguém precisa de “tolerar” o outro, o que nos dá uma ideia de superioridade acima daquele que eu tolero. Mas, necessariamente, saber que os direitos do outro são iguais aos meus. Se você tem o direito de ser e estar em uma religião e exercê-la, o outro também o tem. Se você tem o direito de expressar a sua opinião, de ter suas opções sexuais, o outro também tem esse direito. “O mesmo processo de falsificação do problema acontece com o racismo, que cada vez mais passa a ser tratado como uma questão de tolerância. O pensador afirmou que Martin Luther King Jr. – importante activista americano dos direitos civis dos negros – falava de problemas económicos e sociais para abordar o racismo e não de intolerância. E comparou a questão com a luta das mulheres por direitos iguais: “Imagina se elas reivindicassem tolerância dos homens?” Quando ele falou tão assustadoramente inquieto sobre este tema focando-o desta forma, realmente tirou dos meus ombros o peso de carregar este fardo. Eu sentia mas não sabia o que era. Incomodava-me essa coisa de ‘tolerarmos’ os outros. Não, nós não precisamos de tolerar os outros. Temos que aceitar, querendo ou não, observando que os direitos são iguais.”(Texto adaptado).

|Blogue Assuntos Diversos - http://mary-assuntosdiversos.blogspot.com/2009/09/tolerancia-zizek.html


Clique aqui para ver o programa a que o texto se refere.

Imagem da autoria de Attenya

Fernando Savater - Sobre a Tolerância


Fernando Savater está sob ameaça de morte por parte da ETA por defender a via do diálogo democrático para a solução dos problemas do País Basco.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010