sexta-feira, 22 de novembro de 2013

A lógica Informal: o domínio da argumentação


Introdução

A importância da lógica para a Filosofia
A lógica desempenha dois papéis na filosofia: clarifica o pensamento e ajuda a evitar erros de raciocínio. A filosofia ocupa-se de um conjunto de problemas. Os filósofos, ao longo da história, têm dado resposta a esses problemas, tentando solucioná-los. Para isso, apresentam teorias e argumentos. A lógica permite assumir uma posição crítica perante os problemas, as teorias  e os argumentos da filosofia:
1. A lógica permite avaliar criticamente os problemas da filosofia. Se alguém quiser reflectir sobre o problema de saber por que razão a cor azul dos átomos verdes é tão estridente, o melhor a fazer é mostrar que se trata de um falso problema. Para isso são necessários bons argumentos; não basta afirmar que se trata de um falso problema.
2. A lógica permite avaliar criticamente as  teorias dos filósofos. Será que uma dada teoria é plausível? Como poderemos defendê-la? Quais são os seus pontos fracos e quais são os seus pontos fortes? E porquê?
3. A lógica permite avaliar criticamente os  argumentos dos filósofos. São esses argumentos bons? Ou são erros subtis de raciocínio? Ou baseiam-se em premissas tão discutíveis quanto as suas conclusões?
A lógica representa para a filosofia o que o laboratório representa para o cientista empírico: é o palco onde as ideias se testam e avaliam criticamente. Sem esta atitude crítica não há atitude filosófica. Logo, sem lógica não pode haver uma verdadeira atitude filosófica.
Desidério Murcho “O lugar da lógica na filosofia”, Plátano Editora





A Lógica Informal
A Lógica Informal é uma tentativa de desenvolver uma lógica que possa ser usada para avaliar, analisar e aprimorar os raciocínios informais que ocorrem nas relações interpessoais, na publicidade, nos debates políticos, nos argumentos legais e nos comentários sociais encontrados nos jornais, na televisão, na Internet e noutras formas de comunicação de massa.
Em muitos casos o desenvolvimento da lógica informal motiva-se pelo desejo de desenvolver um modo de análise e avaliação do raciocínio comum que seja capaz de se tornar parte do ensino geral, e de compor e aprimorar o raciocínio público, a discussão e o debate. Neste sentido, os interesses da lógica informal têm grande proximidade com os interesses do Movimento Pelo Pensamento Crítico, cujo objetivo consiste em desenvolver um modelo de ensino que dê maior ênfase à investigação de caráter crítico.
O campo da lógica informal consiste no seguinte:

1. uma explicação das regras de comunicação de que depende o intercâmbio argumentativo;

2. uma distinção entre tipos diferentes de diálogos em que os argumentos possam ocorrer, e os modos pelos quais eles determinam os movimentos adequados e inadequados na argumentação (por exemplo, as diferenças entre a discussão científica e a negociação que caracteriza os acordos coletivos);

3. a avaliação da consequência lógica, que explica quando se pode dizer que uma frase é consequência lógica de outra, e o que isto significa;

4. critérios gerais para o bom argumento que podem estar associados à teoria da consequência lógica, e que especificam os critérios gerais dos argumentos dedutivos, e indutivos;

5. definições de esquemas argumentativos positivos que circunscrevem bons padrões de raciocínio (apelos razoáveis à autoridade, ataques razoáveis contra a pessoa, etc.);

6. algumas explicações teóricas das falácias e do papel que elas podem (e não podem) ter na compreensão e avaliação de argumentos informais;

7. uma explicação do papel que o auditório (pathos), o orador (ethos) e outras noções retóricas deveriam ter ao analisar e avaliar argumentos;

8. uma explicação das obrigações dialéticas que a argumentação comporta em certos contextos específicos.

Demonstração e argumentação
Na lógica moderna, oriunda de uma reflexão sobre o raciocínio matemático, os sistemas formais já não são correlacionados com uma evidência racional qualquer. O lógico é livre para elaborar como lhe melhor lhe parecer a linguagem artificial do sistema que constrói, para determinar os signos e combinações de signos (símbolos) que poderão ser utilizados. Cabe-lhe decidir quais são os axiomas, ou seja, as expressões sem prova consideradas válidas no seu sistema, e dizer quais são as regras de transformação por ele introduzidas e que permitem deduzir, das expressões válidas, outras expressões igualmente válidas no sistema. A única obrigação que se impõe ao construtor de sistemas axiomáticos formalizados e que torna as demonstrações coercivas é a de escolher signos e regras que evitem dúvidas e ambiguidades. Cumpre que, sem hesitar e mesmo mecanicamente, seja possível estabelecer se uma sequência de signos é admitida no sistema, se ela tem forma igual a outra sequência de signos, se é considerada válida, por ser um axioma ou uma expressão dedutível, a partir dos axiomas, de um modo conforme às regras de dedução. 
A busca da univocidade indiscutível chegou a levar os lógicos formalistas a construírem sistemas nos quais não há preocupação com o sentido das expressões: ficam contentes se os signos introduzidos e as transformações que lhes dizem respeito ficam fora de discussão. Deixam a interpretação dos elementos do sistema axiomático para os que o aplicarão e terão de se preocupar com sua adequação ao objetivo pretendido.
Quando se trata de demonstrar uma proposição, basta indicar mediante que procedimentos ela pode ser obtida como última expressão de uma sequência dedutiva, cujos primeiros elementos são fornecidos por quem construiu o sistema axiomático dentro do qual se efetua a demonstração. De onde vêm esses elementos, sejam eles verdades impessoais, pensamentos divinos, resultados de experiência ou postulados peculiares ao autor, eis questões que o lógico formalista considera alheias à sua disciplina. 
Mas, quando se trata de argumentar, de influenciar, por meio do discurso, a intensidade de adesão de um auditório a certas teses, já não é possível menosprezar completamente, considerando-as irrelevantes, as condições psíquicas e sociais sem as quais a argumentação ficaria sem objeto ou sem efeito.
Pois toda argumentação visa a adesão dos espíritos e, por isso mesmo, pressupõe a existência de um contacto intelectual.
Para que haja argumentação, é necessário que, num dado momento, se realize uma comunidade efetiva dos espíritos. É preciso que se esteja de acordo, antes de mais nada e em princípio, sobre a formação dessa comunidade intelectual e, depois, sobre o facto de se debater uma questão determinada.  
Perelman, Tratado da Argumentação. A Nova Retórica.Tradução Maria Ermantina Galvão G. Pereira,São Paulo, Martins Fontes, 1996. Primeira parte, §1






terça-feira, 12 de novembro de 2013

Teoria do Silogismo

O silogismo Categórico

Definição de Silogismo Categórico -  O silogismo categórico é uma inferência dedutiva, composta por três proposições categóricas - duas premissas e a conclusão – construídas com base em três termos e só três termos, dois dos quais - o termo maior e o termo menor – ocorrem nas premissas e na conclusão. O terceiro termo – o termo médio – ocorre em ambas as premissas, não podendo ocorrer na conclusão. O termo maior é o predicado da conclusão; O termo menor é o sujeito da conclusão. À premissa onde ocorre o termo maior, chama-se premissa maior; À premissa onde ocorre o termo menor, chama-se premissa menor. O silogismo tem a seguinte estrutura:










Regras de validade silogística

Regras para os termos

O silogismo tem três termos e só três termos.
2
Nenhum termo pode estar distribuído na conclusão sem o estar nas premissas.
3
O termo médio tem que estar distribuído pelo menos uma vez.
4
O termo médio não pode ocorrer na conclusão.
Regras para as proposições
5
De duas premissas afirmativas não se pode tirar uma conclusão negativa.
6
De duas premissas negativas nada se pode concluir.
7
A conclusão segue sempre a parte mais fraca: se uma das premissas é particular, a conclusão é particular; Se uma das premissas é negativa, a conclusão é negativa.
8
De duas premissas particulares nada se pode concluir.


As figuras do silogismo
Como existem quatro tipos de proposição (A;E;I e O), o termo médio pode ocorrer no silogismo em quatro posições diferentes, o que vai ter consequências ao nível da posição dos termos maior e menor e, também, no tipo de proposição que pode ocorrer em cada uma dessas quatro configurações do silogismo para que o mesmo seja válido, ou seja, não viole nenhuma das regras de validade silogística. A essas quatro configurações chama-se figuras do silogismo: 

As Figuras do Silogismo 
1ª Figura
SP
2ª Figura
PP
3ª Figura
SS
4ª Figura
PS
       M P
     S M
________________
       S P 

           P M
         S M
________________
        S P 
        M P
    M  S
_____________
     S P
    P M
   M S
______________
    P


Para além das quatro figuras do silogismo, temos ainda que considerar, no que respeita à configuração dos silogismos, a forma como os diversos tipos de proposição ocorrem no silogismo: a isto chama-se modo do silogismo. Torna-se assim possível analisar a estrutura formal de um silogismo e decidir da sua validade formal, atendendo apenas à sua figura e ao seu  modo.

Atendendo à combinação dos diversos elementos relativos à figura e ao modo do silogismo, chegamos à conclusão de que existem 256 silogismos possíveis. Destes só são válidos 24 e como neste número se contam 5 silogismos redundantes (um silogismo redundante é um silogismo que tem uma conclusão particular, quando poderia ter uma conclusão universal), chega-se à conclusão de que só existem 19 silogismos úteis, ou seja, com força demonstrativa.



Os Modos Válidos do Silogismo 
1ª Figura

AAA
EAE
AII
EIO
Redundantes:
AAI
EAO
2ª Figura

EAE
AEE
EIO
AOO
Redundantes:
EAO
AEO

3ª Figura

AAI
EAO
IAI
AII
OAO
EIO

4ª Figura

AAI
AEE
IAI
EAO
EIO
Redundante:
AEO

Fichas: