segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Ficha Formativa: Argumentos não dedutivos

8. Identificar, analisar e construir argumentos não dedutivos: indução; de autoridade; por analogia.


Grupo I
1. «Sempre que vi a Mariana, ela usava brincos. Logo, da próxima vez que vir a Mariana, ela usará brincos».
Trata-se de
(A) um argumento indutivo, porque a verdade da premissa torna a conclusão apenas provável.
(B) um argumento dedutivo, porque a verdade da premissa implica a verdade da conclusão.
(C) um argumento indutivo, porque a verdade da premissa impossibilita a falsidade da conclusão.
(D) um argumento dedutivo, porque a sua validade depende unicamente da sua forma lógica.

2. Para obter um argumento indutivo forte, por generalização,
 (A) é necessário partir de uma amostra representativa.
 (B) é suficiente inferir a partir de premissas gerais.
 (C) é necessário demonstrar a verdade da conclusão.
 (D) é suficiente respeitar as regras da lógica formal.

3. Um argumento por analogia é um argumento
 (A) dedutivo que parte de uma boa comparação entre realidades diferentes.
 (B) não dedutivo que parte de semelhanças entre realidades diferentes.
 (C) dedutivo que parte de certo número de semelhanças entre realidades diferentes.
 (D) não dedutivo que parte de diferenças relevantes entre realidades semelhantes.

4. Num raciocínio indutivo forte, a verdade
 (A) da conclusão é garantida pela verdade das premissas.
 (B) das premissas torna provável a validade da conclusão.
 (C) da conclusão é garantida pela validade das premissas.
 (D) das premissas torna provável a verdade da conclusão.



Grupo II
1. Considere o argumento seguinte.
Quando observamos um relógio, apercebemo-nos de que as suas várias partes estão desenhadas 
e articuladas para produzirem um certo fim. Quando temos em conta o seu mecanismo, é inevitável 
a inferência de que ele foi construído por um artífice. Ora, o universo tem grande complexidade e 
organização. Assim, supõe-se que também teve um criador inteligente.

1.1. Classifique o tipo de argumento apresentado.
Justifique a sua resposta.

1.2. Apresente a conclusão do argumento.

Resposta



1. Leia o texto seguinte.
Texto A
"Do mesmo modo que os olhos dos morcegos ficam ofuscados pela luz do dia, também a 
inteligência da nossa alma fica ofuscada pelas coisas mais naturalmente evidentes."
Aristóteles, Metafísica, Livro α, 993b

Identifique um tipo de argumento informal que pode construir, a partir do texto.

Justifique a resposta.

A resposta integra os seguintes conteúdos, ou outros considerados relevantes e adequados.
Exemplo:
– identificação do tipo de argumento que se pode construir a partir do texto como sendo um argumento 
por analogia;
– justificação: a analogia estabelece-se a partir da comparação entre «os olhos dos morcegos» e a 
«inteligência da nossa alma» e entre a «luz do dia» e as «coisas mais naturalmente evidentes», de 
modo que a luz do dia está para os olhos dos morcegos como as coisas mais evidentes estão para a inteligência da nossa alma.

Resposta

Ficha formativa: Descrição e interpretação da atividade cognitiva - I

Capítulo 5 - Estrutura do ato de conhecer.
12.Interpretar o conhecimento como relação entre um sujeito e um objeto, da qual resulta uma representação mental do objecto pelo sujeito (descrição fenomenológica);
13. Identificar diversos tipos de conhecimento: Conhecimento proposicional; saber-fazer e conhecimento por contacto;
14. Problematizar a relação entre os diversos tipos de conhecimento;
15. Definir o conceito de crença;
16. Identificar as condições necessárias do conhecimento (crença; verdade e justificação);
17. Relacionar conhecimento e verdade: o conhecimento é factivo;
18. Analisar e discutir a definição tradicional do conhecimento como crença verdadeira justificada.
19. Distinguir conhecimento a priori e conhecimento a posteriori;
20.Compreender as noções de conhecimento primitivo e derivado (ou inferencial).
_______________
Grupo I
1. De acordo com a definição tradicional de conhecimento,

(A) a crença é condição suficiente do conhecimento.
(B) uma crença falsa pode ser conhecimento.
(C) a justificação é condição necessária do conhecimento.
(D) a opinião é condição necessária e suficiente do conhecimento.

2. Considere os seguintes enunciados relativos à definição tradicional de conhecimento:

1. Uma crença verdadeira pode, sob certas condições, constituir conhecimento.
2. O conhecimento é sempre uma crença partilhada, considerando que implica um sujeito e um objeto.
3. Uma crença falsa pode, sob certas condições, justificar um conhecimento.
4. Apenas crenças verdadeiras podem ser justificadas.
______
Deve afirmar-se que:

(A) 1 e 4 são corretos; 2 e 3 são incorretos.
(B) 4 é correto; 1, 2 e 3 são incorretos.
(C) 1 é correto; 2, 3 e 4 são incorretos.
(D) 3 e 4 são corretos; 1 e 2 são incorretos.

3. Segundo a teoria tradicional, o conhecimento obedece às seguintes condições necessárias:
(A) Todo o conhecimento é uma crença verdadeira justificada.
(B) Todo o conhecimento é uma justificação.
(C) Todo o conhecimento se justifica a si mesmo.
(D) Todo o conhecimento é uma crença verdadeira.

4. O João leu um livro sobre o Xadrez escrito por um dos maiores campeões de todos os tempos.
Agora o João considera-se capaz de iniciar-se na prática do Xadrez.
O João adquiriu:

(A) Conhecimento por contacto.
(B) Um saber-fazer.
(C) Conhecimento proposicional.
(D) Conhecimento proposicional e um saber-fazer.

5. Das seguintes alternativas escolha a que melhor se adequa à ideia de que o conhecimento é factivo:

(A) O conhecimento é um facto.
(B) Não há conhecimentos falsos.
(C) Todos os conhecimentos podem ser falsos.
(D) Alguns conhecimentos podem ser falsos.

6. Analise os seguintes enunciados:
1. Sei que está um gato em casa (vi-o passar).
2. Nenhum objecto físico pode ser ao mesmo tempo verde e vermelho em toda a superfície.
3. Todos os almadenses são portugueses. O João é almadense. Logo, o João é português.
4. Todos os números ou são pares ou são ímpares. O número 3 não é par. Logo, é impar.
_________
Tendo em conta a distinção conhecimento a priori/a posteriori conhecimento primitivo/derivado, decida qual das alternativas está correta:

1. primitivo a posteriori; 2. primitivo a priori; 3. derivado a posteriori; 4. derivado a prior
(A) 1. primitivo a priori; 2. primitivo a posteriori; 3. derivado a posteriori; 4. derivado a priori.
(B) 1. primitivo a posteriori; 2. primitivo a priori; 3. derivado a priori; 4. derivado a posteriori.
(C) 1. primitivo a priori; 2. primitivo a posteriori; 3. derivado a priori; 4. derivado a posteriori.
(D) 1. primitivo a posteriori; 2. primitivo a priori; 3. derivado a posteriori; 4. derivado a priori.

7. Uma crença é:

(A) Uma ideia que surge na nossa mente e que não tem uma justificação.
(B) Uma ideia que surge na nossa mente, motivada por uma experiência religiosa.
(C) Uma ideia que surge na nossa mente, por vezes sem motivo.
(D) Uma ideia que se considera verdadeira e à qual se dá todo o crédito.

8. No conhecimento, o objecto:


(A) É a entidade que é conhecida.
(B) É a entidade que conhece.
(C) É a representação mental do que é conhecido.
(D) É uma consciência.

9. Podemos afirmar que todo o saber-fazer pressupõe um conhecimento por contacto?


(A) Não, porque são tipos de conhecimento diferentes.
(B) Sim, porque se trata do mesmo tipo de conhecimento.
(C) Não, porque o saber-fazer nasce de um conhecimento proposicional (tem que se adquirir conhecimentos teóricos para se poder praticar alguma atividade).
(D) Sim, porque o saber-fazer nasce de um conhecimento por contacto (só se pode praticar alguma atividade se se tiver contacto direto com o/s objecto/s com ela relacionado/s).
Correção - Grupo I
Grupo II
1.
TEXTO A
Ser objeto do conhecimento não significa que algo pertence ao mundo exterior, como erroneamente 
se supõe na linguagem vulgar, quando se opõe «mundo objetivo» a «mundo subjetivo». Uma ideia 
pode ser objeto de conhecimento, como esta mesa; uma dor e um sonho podem ser, por exemplo, 
objetos de conhecimento, sem, com isso, necessitarem de pertencer ao mundo exterior. «Objetivo» 
diz respeito ao objeto e não implica existência no mundo exterior.
Delfim Santos, «Da Filosofia», in Obras Completas I, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 1982

- Esclareça o sentido da frase «Ser objeto do conhecimento não significa que algo pertence ao mundo exterior».

2. Quando é que podemos dizer que conhecemos algo?

3. Se a humanidade estiver impedida de ter um conhecimento por contacto de um certo objecto (por exemplo, um planeta distante), podemos concluir que também estar impedida de ter conhecimentos proposicionais acerca desse objecto?

4. Podemos afirmar que todos os conhecimentos proposicionais têm origem (ainda que muito remota) em conhecimentos por contacto?

5. Pode concluir-se que o conhecimento por contacto é a origem de todo o conhecimento?

6. Será que todo o conhecimento proposicional é indireto? Porquê? (Manual, p. 115).

7. Será que só podemos ter conhecimento por contacto das nossas próprias sensações , mas não do mundo exterior que causa essas sensações? Justifique.(Manual, p. 115).

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Ficha formativa: silogismo e falácias informais

Esta ficha serve de preparação para o Teste 3
Esta ficha está completa.
Conteúdos:
Silogismo categórico    
As falácias informais estudadas: petição de princípiofalso dilemaapelo à ignorância
ad hominem,derrapagem (ou bola de neve), boneco de palha (ou espantalho)falsa analogia, apelo à autoridade (Manual, p. 97) e indução preguiçosa.


Grupo I
1. 
Alguns vertebrados são seres com o cérebro muito desenvolvido 
Todos os seres com cérebro muito desenvolvido são seres inteligentes 
Logo, alguns seres inteligentes são vertebrados. 

1.1. Indique a figura e o modo deste silogismo.
1.2. Que termos estão distribuídos no silogismo?
1.3. Este silogismo é válido? Justifique, indicando as regras violadas (no caso do silogismo ser inválido).
2.
Alguns animais são cães 
Alguns animais são patos 
Logo, alguns patos são cães

2.1. Indique a figura e o modo deste silogismo.
2.2. Que termos estão distribuídos no silogismo?
2.3. Este silogismo é válido? Justifique, indicando as regras violadas (no caso do silogismo ser inválido).

3.
Todos os elefantes são ruminantes 
Todos os elefantes são herbívoros 
Logo, todos os herbívoros são ruminantes

3.1. Indique a figura e o modo deste silogismo.
3.2. Que termos estão distribuídos no silogismo?
3.3. Este silogismo é válido? Justifique, indicando as regras violadas (no caso do silogismo ser inválido).


4.
Alguns animais são voadores
Nenhum réptil é voador
Logo, Nenhum réptil é animal

4.1. Indique a figura e o modo deste silogismo.
4.2. Que termos estão distribuídos no silogismo?
4.3. Este silogismo é válido? Justifique, indicando as regras violadas (no caso do silogismo ser inválido).


5.
Todos os seres rastejantes são viventes 
Nenhum homem é um ser rastejante
Logo, Nenhum homem é vivente

5.1. Indique a figura e o modo deste silogismo.
5.2. Que termos estão distribuídos no silogismo?
5.3. Este silogismo é válido? Justifique, indicando as regras violadas (no caso do silogismo ser inválido).


6.
Alguns animais não são quadrúpedes 
Alguns seres vivos não são animais 
Logo, alguns seres vivos não são quadrúpedes

6.1. Indique a figura e o modo deste silogismo.
6.2. Que termos estão distribuídos no silogismo?
6.3. Este silogismo é válido? Justifique, indicando as regras violadas (no caso do silogismo ser inválido).


7.
Alguns homens não são ricos
Todos os ricos são inteligentes
Logo, Alguns inteligentes não são homens

7.1. Indique a figura e o modo deste silogismo.
7.2. Que termos estão distribuídos no silogismo?
7.3. Este silogismo é válido? Justifique, indicando as regras violadas (no caso do silogismo ser inválido).


8.
Todo o X é Y 
Todo o X é Z 
Logo, Algum Z é Y

8.1. Indique a figura e o modo deste silogismo.
8.2. Que termos estão distribuídos no silogismo?
8.3. Este silogismo é válido? Justifique, indicando as regras violadas (no caso do silogismo ser inválido).


9.

Todos os mortais são seres vivos
Todos os gatos são mortais 
Logo, Alguns os gatos são seres vivos

9.1. Indique a figura e o modo deste silogismo.
9.2. Que termos estão distribuídos no silogismo?
9.3. Este silogismo é válido? Justifique, indicando as regras violadas (no caso do silogismo ser inválido).


10.
Alguns vertebrados não são seres com o cérebro muito desenvolvido 
Todos os seres com cérebro muito desenvolvido são seres inteligentes 
Logo, alguns seres inteligentes não são vertebrados. 


10.1. Indique a figura e o modo deste silogismo.
10.2. Que termos estão distribuídos no silogismo?
10.3. Este silogismo é válido? Justifique, indicando as regras violadas (no caso do silogismo ser inválido).

Correção


Grupo II
Identifique as falácias informais presentes nos seguintes enunciados:

1. "Ainda ninguém provou que há alternativas viáveis à austeridade, logo a austeridade é a melhor solução para os problemas do país".

2. "Einstein, o maior génio de todos os tempos, gostava de maçãs. Logo, as maçãs são o melhor alimento do mundo."
Correção

3. "A Filosofia de Nietzsche não vale o papel que se gastou a imprimi-la. Nietzsche era um imoralista que, antes de morrer, ficou completamente louco. Por ter contraído sífilis na juventude."
Correção

4. "As pessoas ou são boas ou são más. As pessoas antipáticas não são boas, logo são más."
Correção

5. "A faculdade de letras é a que melhores cursos ministra porque é a que tem melhores cursos."
Correção

6. "Se não estudas, não passas o ano. Se não passas o ano, não tiras um curso, se não o fazes, não tens condições para te sustentares e aí acabas na vagabundagem."

Correção

7. "O Hugo teve doze acidentes nos últimos 6 meses. No entanto, ele continua a dizer que se trata de coincidência e não de culpa sua. Em 2 desses acidentes ia em contramão e em 3, em excesso de velocidade."

Correção

8. 


"Quando, em 1858, Charles Darwin publicou o livro A Origem das Espécies houve um aceso debate entre os defensores e os adversários das suas ideias. Estes caricaturaram a ideia de que os seres humanos e outros primatas evoluíram a partir de um antepassado comum dizendo “Darwin afirma que descendemos do macaco” e eram frequentes ironias como “talvez os avós de Darwin fossem macacos, os meus não." Exemplo retirado daqui.

Correção

9. "O califa de Omar ao pretender justificar a destruição da biblioteca de Alexandria, a maior biblioteca da antiguidade, argumentou da seguinte forma: «Este livros ou contêm os ensinamentos do Corão (livro sagrado do Islão) ou não os contêm. Se os contêm são supérfluos, e, portanto devem ser queimados. Se não contêm os ensinamentos do Corão, então são nocivos e como tal devem também ser queimados. Por conseguinte os livros da biblioteca de Alexandria devem ser queimados.»."

Correção

10. "A Lua é um planeta como a Terra. Ora a Terra é habitada. Portanto, a Lua é habitada."

Correção

11. Considere as seguintes falácias:

1. É impossível falar sem usar palavras, uma vez que as palavras são necessárias para falar.
2. Ninguém conseguiu provar que a reincarnação existe. Portanto, a reincarnação não existe.
3. Quem não aprova todas as nossas decisões é contra nós. Como não aprovas todas as nossas decisões, és contra nós.
4. A filosofia de Sartre é irrelevante porque o autor é ateu.
____________
Deve afirmar-se que:

(A) 1. é petição de princípio; 2. é ad hominem; 3. é falso dilema; 4. é apelo à ignorância.
(B) 1. é petição de princípio; 2. é apelo à ignorância; 3. é falso dilema; 4. é ad hominem.
(C) 1. é falso dilema; 2. é apelo à ignorância; 3. é ad hominem; 4. é petição de princípio.
(D) 1. é petição de princípio; 2. é apelo à ignorância; 3. é ad hominem; 4. é falso dilema.

12. Considere o seguinte enunciado:

"Só tens uma hipótese. Ou és cristão, ou és ateu."

Nele comete-se a falácia:

(A) da derrapagem.
(B) do boneco de palha.
(C) do falso dilema.
(D) ad hominem.


13. Leia o seguinte exemplo de uma falácia apresentado por Irving M. Copi e Carl Cohen.

Texto A
"Para haver paz, temos de não encorajar o espírito competitivo. Ao passo que, para haver 
progresso, temos de encorajar o espírito competitivo. Temos ou de encorajar o espírito competitivo ou de não encorajar o espírito competitivo. Logo, ou não haverá paz ou não haverá progresso.
Irving M. Copi e Carl Cohen, Introduction to logic, Nova Iorque, Macmillan Publishing Company, 1994 (adaptado)

- Identifique a falácia informal em que incorre o argumento transcrito.
Justifique a resposta.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Teste 3 - Matriz

Nota: neste teste é obrigatório o uso de folha de teste.

Objectivos / Conteúdos:

1. Definir silogismo categórico;
2. Identificar os elementos do silogismo a partir da análise da definição de silogismo categórico (termo médio; termo menor e termo maior);
3. Analisar os silogismos quanto ao modo;
4. Reconhecer as figuras do silogismo;
5. Aplicar as regras de validade silogística;
6. Relacionar a lógica e a filosofia;
7. Identificar argumentos cogentes/definir cogência (Manual, pp. 85-87);
8. Identificar, analisar e construir argumentos não dedutivos: indução; de autoridade; por analogia.
9. Definir o conceito de falácia;
10. Identificar as falácias informais estudadas: petição de princípio, falso dilema, apelo à ignorância, ad hominem,derrapagem (ou bola de neve), boneco de palha (ou espantalho), falsa analogia, apelo à autoridade (Manual, p. 97) e indução preguiçosa.
11. Problematizar a relação entre persuasão e manipulação (ter em atenção o documentário "A Servidão Moderna");
12.Interpretar o conhecimento como relação entre um sujeito e um objeto, da qual resulta uma representação mental do objecto pelo sujeito (descrição fenomenológica);
13. Identificar diversos tipos de conhecimento: Conhecimento proposicional; saber-fazer e conhecimento por contacto;
14. Problematizar a relação entre os diversos tipos de conhecimento;
15. Definir o conceito de crença;
16. Identificar as condições necessárias do conhecimento (crença; verdade e justificação);
17. Relacionar conhecimento e verdade: o conhecimento é factivo;
18. Analisar e discutir a definição tradicional do conhecimento como crença verdadeira justificada.
19. Distinguir conhecimento a priori e conhecimento a posteriori;
20.Compreender as noções de conhecimento primitivo e derivado (ou inferencial).
21. Compreender o problema da possibilidade do conhecimento;
22. Compreender o papel dos cépticos na discussão do problema;
23. Analisar os argumentos cépticos estudados: a divergência de opiniões; a regressão infinita e a falibilidade do conhecimento sensorial.
 ______________



Algumas questões:

Quando é que podemos dizer que conhecemos algo?

É possível adquirirmos um saber-fazer sem, ao mesmo tempo, termos um conhecimento por contacto?

Se a humanidade estiver impedida de ter um conhecimento por contacto de um certo objecto (por exemplo, um planeta distante), podemos concluir que também estar impedida de ter conhecimentos proposicionais acerca desse objecto?

Podemos afirmar que todos os conhecimentos proposicionais têm origem (ainda que muito remota) em conhecimentos por contacto? Pode concluir-se que o conhecimento por contacto é a origem de todo o conhecimento?

Será que todo o conhecimento proposicional é indireto? Porquê? (Manual, p. 115).

Será que só podemos ter conhecimento por contacto das nossas próprias sensações , mas não do mundo exterior que causa essas sensações? Justifique.(Manual, p. 115).



O que é o conhecimento?

O que é o conhecimento?

Elliott Sober
Tradução de Paula Mateus

Texto retirado do site Critica na Rede

1. Tipos de Conhecimento

No quotidiano falamos de conhecimento, de crenças que estão fortemente apoiadas por dados, e dizemos que elas têm justificação ou que estão bem fundamentadas. A epistemologia é a parte da filosofia que tenta entender estes conceitos. Os epistemólogos tentam avaliar a ideia, própria do senso comum, de que possuímos realmente conhecimento. Alguns filósofos tentaram apoiar com argumentos esta ideia do senso comum. Outros fizeram o contrário. Os filósofos que defendem que não temos conhecimento, ou que as nossas crenças não têm justificação racional, estão a defender uma versão de cepticismo filosófico.
Antes de discutirmos se temos ou não conhecimento, temos de tornar claro o que é o conhecimento. Podemos falar de conhecimento em três sentidos diferentes, mas apenas um nos vai interessar. Considerem-se as seguintes afirmações acerca de um sujeito, ao qual chamarei S:
  1. S sabe andar de bicicleta.
  2. conhece o Presidente dos EUA.
  3. S sabe que a Serra da Estrela fica em Portugal.
Chamo conhecimento proposicional (ou saber-que) ao tipo de conhecimento apresentado em 3. Note-se que o objecto do verbo em 3 é uma proposição — uma coisa que é verdadeira ou falsa. Existe uma proposição — a Serra da Estrela fica em Portugal — e S sabe que essa proposição é verdadeira.
As frases 1 e 2 não têm esta estrutura. O objecto do verbo em 2 não é uma proposição, mas uma pessoa. O mesmo aconteceria se disséssemos que conhece Lisboa. Uma frase como 2 diz que S está ou esteve na presença de uma pessoa, de um lugar ou de uma coisa. Por isso dizemos que 2 corresponde a um caso de conhecimento por contacto.
Existe alguma ligação entre estes dois tipos de conhecimento? Possivelmente, para que conheça o Presidente dos Estados Unidos, terá de ter conhecimento proposicional acerca dele. Mas qual? Para que S conheça o Presidente terá de saber em que Estado ele nasceu? Isso não parece essencial. E o mesmo parece acontecer relativamente a todos os outros factos acerca dele: não parece haver qualquer proposição específica que seja necessário saber para se possa dizer que se conhece o Presidente. Conhecer uma pessoa implica, isso sim, ter um tipo qualquer de contacto directo com ela.
Chamemos ao tipo de conhecimento exemplificado em 1 conhecimento de aptidões (saber-fazer ou saber como) . Que significa dizer que se sabe fazer alguma coisa? Penso que isto tem pouco a ver com o conhecimento proposicional. Uma pessoa pode saber andar de bicicleta aos cinco anos, e para isso não precisa de saber qualquer proposição acerca desse facto. O contrário também pode acontecer: uma pessoa pode ter muito conhecimento proposicional acerca de um assunto — de pintura, por exemplo — , e não ter qualquer conhecimento de aptidões a esse respeito.
Vamos aqui abordar apenas o conhecimento proposicional. Queremos saber o que é necessário para que um indivíduo S saiba que p, sendo p uma proposição qualquer — como a de que a Serra da Estrela fica em Portugal. Daqui em diante, quando falarmos de conhecimento, estaremos sempre a referir-nos ao conhecimento proposicional.

2. Condições Necessárias e Suficientes

Consideremos a definição de solteiro:
Para qualquer SS é solteiro se e somente se:
  1. S é um adulto,
  2. S é homem,
  3. não é casado.
Não digo que esta definição capta com precisão o que “solteiro” significa em português comum. Usamos apenas esta definição como um exemplo de uma proposta de definição. Uma definição é uma generalização. Diz respeito a qualquer indivíduo que queiramos considerar. Nesta definição fazemos duas afirmações: a primeira é a de que SE um indivíduo tem as características 1, 2 e 3, então é solteiro. Por outras palavras, 1, 2 e 3 são, em conjunto,suficientes para que se seja solteiro. A segunda afirmação é a de que SE um indivíduo é solteiro, então tem as três características. Por outras palavras, 1, 2 e 3 são, cada uma delas, condições necessárias para se ser solteiro.
Uma boa definição especifica as condições suficientes e necessárias para o conceito que queremos definir. Isto significa que existem dois tipos de erros que podem ocorrer numa definição: as definições podem ser demasiado abrangentes ou demasiado restritivas.

3. Dois Requisitos para o Conhecimento: Crença e Verdade

Devemos fazer notar duas ideias que fazem parte do conceito de conhecimento. Primeiro, seS sabe que p (que uma proposição é verdadeira), então tem de acreditar que p. Segundo, se Ssabe que p, então p tem de ser verdadeira. O conhecimento requer tanto a crença quanto a verdade. Comecemos pela segunda ideia. As pessoas às vezes dizem que sabem coisas que mais tarde se revelam falsas. Mas isto não é saber coisas que são falsas, é pensar que se sabem coisas que, de facto, são falsas.
O conhecimento tem um lado subjectivo e um lado objectivo. Um facto é objectivo se a sua verdade não depende de como é a mente das pessoas. É um facto objectivo que a Serra da Estrela está 2 000 metros acima do nível do mar. Um facto é subjectivo se não é objectivo. O exemplo mais óbvio de um facto subjectivo é uma descrição do que acontece na mente de alguém.
Se uma pessoa acredita ou não que a Serra da Estrela está a 2 000 metros acima do nível do mar é uma questão subjectiva, mas se a montanha tem realmente essa propriedade é uma questão objectiva. O conhecimento requer tanto um elemento subjectivo como um elemento objectivo. Para que S conheça pp tem de ser verdadeira e o sujeito, S, tem de acreditar que pé verdadeira.

4. Terceiro Requisito: Justificação

Apontei duas condições necessárias para o conhecimento: o conhecimento requer crença e requer verdade. Mas será que isto é suficiente? Será que estas duas condições não são apenas separadamente necessárias, mas também conjuntamente suficientes? É a crença verdadeira suficiente para o conhecimento?
Pensemos num indivíduo, Clyde, que acredita na história do Dia do Porco do Campo. Clyde pensa que se o Porco do Campo vir a sua própria sombra, a Primavera virá mais tarde. Suponha-se que Clyde põe este princípio idiota em prática este ano. Ele tem informações que o fazem pensar que a Primavera virá mais tarde. Suponha-se que Clyde acaba por ter razão acerca deste facto. Se não existir nenhuma conexão lógica entre o facto de o porco do campo ter visto a sua própria sombra e o facto de a Primavera vir mais tarde, então Clayde terá uma crença verdadeira (a Primavera virá tarde), mas não terá conhecimento.
Que será então necessário, para além da crença verdadeira, para que alguém possua conhecimento? A sugestão mais natural é a de que o conhecimento requer dados de apoio, ou uma justificação racional. Note-se que ter uma justificação não é apenas pensar que se tem uma razão para acreditar em algo.
Que significa dizer que um indivíduo tem uma crença “justificada” na proposição p? Uma justificação pode ter a forma de um argumento dedutivo, de um argumento indutivo ou de um argumento abdutivo. Talvez existam outras opções além destas três. Mas, o que quer que seja que entendemos por “justificação”, parece plausível dizer que as crenças que são defendidas irracionalmente não são casos de conhecimento (mesmo que elas sejam verdadeiras).

5. A Teoria CVJ

Suponhamos que o conhecimento requer estas três condições. Será que isto é suficiente? Será que estas condições não são apenas separadamente necessárias, mas também conjuntamente suficientes? Chamarei CVJ à teoria que afirma que assim é. Esta teoria diz que ter conhecimento é a mesma coisa que ter crenças verdadeiras justificadas:
(CVJ) Para que qualquer indivíduo S e para qualquer proposição pS conhece p se e somente se
  1. S acredita em p
  2. p é verdadeira
  3. a crença de em está justificada
A Teoria CVJ afirma uma generalização. Diz o que é o conhecimento para qualquer pessoa e para qualquer proposição p. Por exemplo, suponhamos que S és tu e que p = “A Lua é feita de queijo verde”. A teoria CVJ diz o seguinte: se sabes que a Lua é feita de queijo verde, então os enunciados 1, 2 e 3 devem ser verdadeiros. E se não sabes que a Lua é feita de queijo verde, então pelo menos um dos enunciados de 1 a 3 deve ser falso. Tal como na definição de solteiro discutida antes, a expressão “se, e somente se” diz-nos que são dadas condições necessárias e suficientes para o conceito definido.

6. Três Contra-Exemplos à Teoria CVJ

Em 1963, o filósofo Edmund Gettier publicou dois contra-exemplos para a teoria CVJ. O que é um contra-exemplo? É um exemplo que contradiz o que diz uma teoria geral. Um contra-exemplo contra uma generalização mostra que a generalização é falsa. A teoria CVJ diz que todos os casos de crença verdadeira justificada são casos de conhecimento. Gettier pensa que estes dois exemplos mostram que um indivíduo pode ter uma crença verdadeira justificada mas não ter conhecimento. Se Gettier tiver razão, então as três condições indicadas pela teoria CVJ não são suficientes.
Eis um dos exemplos de Gettier. Smith trabalha num escritório. Ele sabe que alguém será promovido em breve. O patrão, que é uma pessoa em quem se pode confiar, diz a Smith que Jones será promovido. Smith acabou de contar as moedas no bolso de Jones, encontrando aí 10 moedas. Smith tem então boas informações para acreditar na seguinte proposição:
a) Jones será promovido e Jones tem 10 moedas no bolso.
Smith deduz, então, deste enunciado o seguinte:
b) O homem que será promovido tem 10 moedas no bolso.
Suponha-se agora que Jones não receberá a promoção, embora Smith não o saiba. Em vez disso, será o próprio Smith a ser promovido. E suponha-se que Smith também tem dez moedas dentro do bolso. Smith acredita em b, e b é verdadeira. Gettier afirma também que Smith acredita justificadamente em b, dado que a deduziu de a. Apesar de a ser falsa, Smith tem excelentes razões para pensar que é verdadeira. Gettier conclui que Smith tem uma crença verdadeira justificada em b, mas que Smith não sabe que b é verdadeira.
O outro exemplo de Gettier exibe o mesmo padrão. Um sujeito deduz validamente uma proposição verdadeira a partir de uma proposição que está muito bem apoiada por informações, embora esta seja falsa, apesar de o sujeito não o saber. Quero agora descrever um tipo de contra-exemplo à teoria CVJ na qual o sujeito raciocina não dedutivamente.
O filósofo e matemático britânico Bertrand Russell (1872-1970) refere um relógio muito fiável que está numa praça. Esta manhã olhas para ele para saber que horas são. Como resultado ficas a saber que são 9.55. Tens justificações para acreditar nisso, baseado na suposição correcta de que o relógio tem sido muito fiável no passado. Mas supõe que o relógio parou há exactamente 24 horas, apesar de tu não o saberes. Tens a crença verdadeira justificada de que são 9.55, mas não sabes que esta é a hora correcta.

7. Que Têm os Contra-Exemplos em Comum?

Em todos estes casos, o sujeito tem dados para acreditar na proposição em causa que são altamente credíveis, mas não infalíveis. O patrão está geralmente certo sobre quem vai ser promovido, o relógio está geralmente certo quanto às horas. Mas é claro que geralmente não é sempre. As fontes da informação que os sujeitos exploraram nestes exemplos são altamente credíveis, mas não são perfeitamente credíveis. Todas as fontes de informação eram susceptíveis de erro, pelo menos até certo ponto.
Será que estes exemplos refutam realmente a teoria CVJ? Depende de como entendemos a ideia de justificação. Se dados altamente credíveis são suficientes para justificar uma crença, então estes contra-exemplos refutam realmente a teoria CVJ. Mas se a justificação requer dados perfeitamente infalíveis, então estes exemplos não refutam a teoria.
A minha opinião é de que os dados que justificam uma crença não precisam de ser infalíveis. Penso que podemos ter crenças racionais bem apoiadas mesmo quando não nos empenhamos em estar absolutamente certos de que o que acreditamos é verdadeiro. Assim, concluo que a crença verdadeira justificada não é suficiente para o conhecimento.
Elliott Sober
Retirado do livro Core Questions in Philosophy, de Elliott Sober (Prentice Hall, 2008)

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Teste 2 - Matriz

O próximo teste sumativo será eminentemente prático, uma vez que nele será testado o domínio da teoria do silogismo.
O teste terá a seguinte composição:
Grupo I - Itens de escolha múltipla;
Grupo II - Itens de análise de silogismos; Itens de construção de silogismos; Itens de resolução de problemas com base em silogismos;
Grupo III - 2 questões de resposta orientada.
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Objectivos / Conteúdos: 
1. Definir conceito;
2. Distinguir a extensão da compreensão dos conceitos;
3. Classificar os conceitos quanto à extensão (à quantidade);
4. Definir juízo;
5. Identificar a forma lógica dos juízos categóricos (das proposições predicativas categóricas);
6. Reduzir enunciados à forma normal predicativa;
7. Identificar os diversos tipos de proposição (A;E;I;O) atendendo à sua forma lógica;
8. Identificar as situações em que os termos estão distribuídos (ocorrem na sua máxima extensão), tendo em conta a regra da distribuição dos termos;
9. Definir silogismo categórico;
10. Identificar os elementos do silogismo a partir da análise da definição de silogismo categórico (termo médio; termo menor e termo maior);
11. Analisar os silogismos quanto ao modo;
12. Reconhecer as figuras do silogismo;
13. Aplicar as regras de validade silogística;
14. Construir silogismos;
15. Reparar silogismos;
16. Distinguir validade e verdade;
17. Distinguir validade dedutiva e validade indutiva;
18. Definir e caracterizar a lógica informal;
19. Distinguir lógica formal de lógica informal;
20. Relacionar a lógica com a filosofia;
21. Definir a argumentação;
22. Distinguir demonstração de argumentação;
23. Distinguir a argumentação convincente da argumentação persuasiva;
24. Distinguir auditório universal de auditório particular;
25. Articular os conceitos de Ethos; Pathos e Lógos;
26. Compreender as principais qualidades de um bom orador;
27. Identificar argumentos sólidos;
28. Identificar argumentos cogentes;
29. Compreender os critérios da cogência;
30. Relacionar a argumentação com a filosofia;
31. Definir a retórica;
32. Relacionar a retórica com a filosofia;
33. Caracterizar os sofistas;
34. Explicar  o conflito entre os filósofos e os sofistas na Grécia antiga;
35. Relacionar o nascimento da retórica com a emergência da democracia ateniense;
36. Caracterizar a democracia ateniense com base nos seus princípios fundamentais (Isonomia; Isocracia; Isegoria);
37. Analisar criticamente a democracia ateniense;
38. Compreender a importância dos sofistas nas sociedades gregas da antiguidade;
39. Comparar Sócrates com os sofistas;
40. Distinguir doxa e episteme;
42. Explicar a filosofia, na perspectiva socrática e platónica, como uma busca da verdade;
43. Explicar a crítica de Platão ao regime democrático.
44. Definir o conceito de falácia;
45. Distinguir paralogismo e sofisma.
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No teste não será necessário o uso de folha de teste.
O teste terá a duração de 90 minutos.