quinta-feira, 25 de setembro de 2014

O Método Socrático


A DIALÉTICA
Em geral, o método dialógico de Sócrates é constituído por dois momentos fundamentais:

 - a ironia que denuncia as verdades feitas e o falso saber daqueles que pretendiam reduzir o verdadeiro ao verosímil; 
- a maiêutica, técnica através da qual se consegue observar como é que uma ciência desconhecida se transforma progressivamente numa ciência conhecida. /.../ Segundo Platão, Sócrates fora buscar a sua arte da maiêutica à sua mãe que era parteira. Na Grécia clássica só as mulheres que já não podiam dar à luz estavam autorizadas a ajudar ao parto das outras. Sócrates considerava a sua arte como a arte de parturejar; só que agora são homens que dão à luz e é do parto das suas almas que se trata.  Sócrates revelava aos outros aquilo que eles próprios sabiam sem de tal terem consciência. Ele pretendia que o seu questionamento sistemático levasse os outros a um ponto crucial de consciência crítica, procurando a verdade no seu interior, dando assim lugar ao "parto intelectual". A maiêutica é, assim, a fase positiva, construtiva, do método socrático que permite o acordo através das certezas universais obtidas pela definição após a discussão. /.../
Através de perguntas/respostas pretendia dar e devolver argumentos entre interlocutores através de um discurso curto e preciso cujo objectivo era a procura da verdade. A este método cuja arte subtil está na capacidade de argumentar chama-se "dialéctica".
Numa primeira fase Sócrates procura de forma polémica destruir a suposta coerência do raciocínio dos seus interlocutores. Sócrates faz com que os outros falem sobre aquilo que afirmam para os obrigar a reflectir sobre aquilo que fazem. Ele opõe-se à verdade estereotipada, ao dogmatismo e pretende destruir os preconceitos irreflectidos. Quer que os seus interlocutores se consciencializem da suposta "verdade" das suas afirmações levando-os a um exame de consciência que lhes dará conta da sua ignorância. É como se os conhecimentos das pessoas fossem postos em causa através da interrogação e não de uma forma expositiva. Assim os adversários de Sócrates são levados à dúvida relativamente aos seus próprios conhecimentos ficando embaraçados com as perguntas insidiosas e precisas, cujas respostas demonstram quão fracos são os seus argumentos e opiniões.
Mas Sócrates usava então uma das suas outras técnicas: dar a mão ao interlocutor apesar de achar que este estava vencido no argumento usado. O que Sócrates pretendia era que não houvessem vencedores nem vencidos mas caminhar conjuntamente para estabelecer a verdade.
/.../ Sócrates não responde  às próprias questões que lança. Não dá respostas positivas. Sócrates não pretende informar mas formar. Aquilo que viesse do mestre em sentido único teria apenas um efeito exterior sobre a consciência do aluno; a formação só pode efectuar-se segundo o ritmo e as exigências próprias do desenvolvimento interior individual. Sócrates repete que nada sabe, nada tem para ensinar, nem ninguém a quem formar. E não tendo nada para oferecer a não ser a sua companhia basta que cada um pense por si próprio para se aperceber de que sabe mais do que ele. /.../
O  modo como Sócrates se dirige ao seu interlocutor e desenvolve o seu método apresenta quatro características:
É um método dual, na medida em que se dirige sempre a um interlocutor determinado. Sócrates nunca se dirige a um grupo de homens, nem aos homens em geral. Há sempre um personagem concreto a quem  dirige as suas perguntas, com quem dialoga segundo as particularidades desse indivíduo. /.../
É dialéctico. Sócrates jamais admitia como verdadeiro o que seu interlocutor não admitisse como verdadeiro. Assim o diálogo só se desenrola e toma caminho mediante aquilo a que o interlocutor dá acordo. Nunca Sócrates impõe as suas ideias a ninguém. /.../
É refutatório. Nos seus diálogos, Sócrates ocupa o lugar de interrogador. Aliás, nem podia ser de outro modo uma vez que ele parte para a discussão com uma atitude de dúvida constante, afirmando nada saber - "só sei que nada sei". Cabe ao seu interlocutor responder. Esta característica do modo pelo qual Sócrates se dirige ao seu interlocutor, está fortemente ligada ao primeiro momento em que há a destruição das ideias feitas, da tese que o interlocutor sustenta inicialmente como verdadeira. É através desta característica que Sócrates faz com que o seu interlocutor entre em contradição. /.../
A última característica é a parresia. Esta característica consiste em o interlocutor dizer o que pensa verdadeiramente sem se preocupar nem com a opinião ou a reação dos outros /.../, aderindo totalmente ao que é verdadeiro (trata-se da coragem de aderir à verdade sejam quais forem as consequências). O interlocutor compromete-se de um modo total com a verdade, sendo o caminho para a prática do bem e da virtude. 
(Texto Adaptado)
Olga Pombo

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

O que sou eu?


Eu sou um enigma. Eu sou uma equação mal resolvida.
Sou um livro com páginas soltas, outras riscadas e outras até mesmo em branco. Existem erros ortográficos em todo o livro, erros que não podem ser remediados. Em algumas páginas existem fotografias a preto e branco, memórias do passado e perguntas em relação ao futuro. No meio das páginas, encontramos restos de borracha gasta, fruto do esforço para tentar ser melhor. A história deste livro é verídica e fictícia em simultâneo, pois uma parte é constítuida pelas lições e empurrões da vida e a outra pelos sonhos e objetivos que ainda não passam de ideias.
Não sei o título, nem mesmo como o livro acaba.
Mas, no fim, sei que quero colocá-lo na prateleira da minha biblioteca, sabendo que continuarei a ver a sua lombada na secção das incógnitas.

Joana Carvalho, 10ºE (2014-2015)

'Conhece-te a ti mesmo'




Conhece-te a ti mesmo: Sócrates e a nossa relação com o mundo
A figura de Sócrates é como um divisor de águas na Filosofia Antiga, tanto que os filósofos anteriores a ele são tradicionalmente designados como pré-socráticos.
De facto, com Sócrates há uma mudança significativa no rumo das discussões filosóficas sobre a verdade e o conhecimento. Os primeiros filósofos estavam preocupados em encontrar o fundamento (arqué) de todas as coisas. Sócrates, por sua vez, está mais interessado na nossa relação com os outros e com o mundo.
Curiosamente, Sócrates nada escreveu - e tudo o que sabemos dele é graças aos seus discípulos, particularmente Platão. Sócrates teria tomado a inscrição da entrada do templo de Delfos como inspiração para construir a sua filosofia: ‘Conhece-te a ti mesmo’.
Para compreendermos o sentido dessa frase, segundo o filósofo francês Michel Foucault (1926-1984), devemos inscrevê-la numa estratégia mais geral do cuidado de si.
Ou seja, o que Sócrates defendia era que nós devemos ocupar-nos menos com as coisas (riqueza, fama, poder) e passarmos a ocupar-nos connosco mesmos. Poderia perguntar-se: porque é que deveria ocupar-me comigo mesmo? Porque é o caminho que me permite ter acesso à verdade.
Mas que tipo de verdade? Obviamente não é uma verdade qualquer, tal como a fórmula química da água, mas a verdade que é capaz de transformá-lo, a si leitor, num ser autónomo.
É desse ato de conhecimento, capaz de promover a nossa auto-transcendência, de que fala Sócrates. Conhecer-me a mim mesmo para saber como modificar a minha relação para comigo, com os outros e com o mundo, ultrapassando as minhas limitações.

Como ter acesso à verdade?
Tal modificação para ter acesso à verdade, contudo, não é um ato puramente intelectual. Ela exige, por vezes, determinadas renúncias e purificações, das quais Sócrates é um exemplo.
Sócrates dizia que tinha como missão divina exortar os atenienses, fossem eles velhos ou jovens, a deixarem de cuidar das coisas, passando a cuidar de si mesmos. Tal atitude fê-lo dedicar-se inteiramente à filosofia e à prática dialógica (uma forma especial de diálogo, denominada maiêutica) por meio da qual ele fazia com que os seus interlocutores percebessem as inconsistências do seu discurso e se autocorrigissem.
A atitude de Sócrates questionava os valores da sociedade ateniense, razão pela qual os seus inimigos o levaram a tribunal, onde foi julgado e condenado à morte. A sua morte, porém, não impediu que a questão do cuidado de si se tornasse um tema central na filosofia durante mais de dois mil anos - e influenciasse muitos filósofos modernos e contemporâneos.
A questão central do cuidado de si é que jamais se tem acesso à verdade sem uma experiência de purificação, de meditação, de exame de consciência - enfim, através de determinadas atividades espirituais capazes de transfigurar o nosso próprio ser.
Dito de outro modo, o estado de iluminação, de descoberta da verdade, não é só produto do estudo, mas de uma prática acompanhada de reflexão constante sobre as nossas ações, as nossas atitudes, os nossos pensamentos, os nossos desejos - e de como podemos modificá-los para nos tornarmos pessoas melhores. É como se a vida fosse uma obra de arte em que nós nos fôssemos moldando, nos fôssemos aperfeiçoando no decorrer da nossa existência.

A difícil busca da verdade
Atualmente, estamos distantes dessa perspectiva socrática do cuidado de si. A ciência moderna está preocupada com a produção e acumulação de conhecimentos.
Mas quando nos perguntamos: para que é que acumulamos e produzimos conhecimento? A resposta é simplesmente: para aumentar infinitamente o nosso conhecimento. Entramos, assim, numa corrida sem fim, em que nunca nos questionamos se isso realmente nos está a trazer os benefícios prometidos.
Claro que a tecnologia traz inegáveis benefícios, mas não parece que as pessoas, atualmente, estejam mais felizes. Pode-se alegar, no entanto, que não é papel do conhecimento e da ciência promover a felicidade humana - e que, talvez, conhecimento e ciência tenham como principal função a de contribuir para a concentração de poder e dinheiro nas mãos de alguns poucos.
Sócrates, porém, via a busca da verdade como um caminho de ascese, pois, quando cuidamos de nós mesmos, modificamos a nossa relação com os outros e com o mundo.
Mergulhados em preocupações com a aparência e o consumo, pensamos estar a cuidar de nós mesmos, quando na verdade nos estamos a perder no meio das coisas. É preciso conhecermo-nos a nós mesmos para não nos perdermos. Claro que você não vai encontrar toda a verdade em si mesmo, mas, pelo menos, a única verdade capaz de salvá-lo, ou seja, de dar sentido à sua vida.
Josué Cândido da Silva
http://educacao.uol.com.br/disciplinas/filosofia/conhece-te-a-ti-mesmo-socrates-e-a-nossa-relacao-com-o-mundo.htm

A verdadeira simplicidade
“Encara as coisas com leveza, mas interiormente  com plenitude e atenção. Não deixes passar um momento sem teres plena consciência do que está a acontecer dentro de ti e à tua volta. Normalmente isso é o que significa ser-se sensível, não a uma ou duas coisas, mas ser-se sensível a tudo. Ser-se sensível à beleza e resistir ao feio é gerar conflito. Enquanto se observa, apercebemo-nos de que a mente está sempre a julgar – isto é bom e aquilo é mau, isto é branco e aquilo é preto - , a julgar pessoas, a comparar, a medir, a calcular. A mente nunca está quieta. Poderá a mente olhar, observar sem julgar, sem calcular? Tenta compreender sem dar nome ao que vês .e vê apenas se a mente pode fazer isso.
Brinca com isso. Não forces, deixa a mente olhar para si própria. Muitas pessoas, tentando ser simples, começam pelo exterior, descartando, renunciando; mas, interiormente, permanece a complexidade dos seus seres. Quando existe simplicidade interior, o exterior corresponde ao interior. Sermos simples por dentro é estarmos libertos do impulso pelo “mais”, o que não quer dizer que estejamos satisfeitos com o que é . Estarmos libertos do impulso pelo “mais” é não pensarmos em termos de tempo, de progressão, de chegar lá. Sermos simples é a mente libertar-se a si própria de todos os resultados, é esvaziar-se de todo o conflito. Esta é a verdadeira simplicidade.
Como poderá a mente debater-se entre o feio e o belo, agarrando-se a um e empurrando para longe o outro? Este conflito torna a mente insensível e exclusivista. Qualquer tentativa por parte da mente para encontrar uma linha que separe o feio do belo faz ainda parte de um ou de outro. O pensamento não pode, faça ele o que fizer, libertar-se dos opostos; o próprio pensamento criou o feio e o belo, o bom e o mau. Portanto, ele não pode libertar-se das suas próprias atividades. Tudo o que pode fazer é ficar quieto, não escolher. A escolha é conflito, e a mente volta de novo à sua própria confusão. A quietude da mente liberta-nos da dualidade. J. Krishnamurti, Cartas a uma jovem amiga, tradução de Joaquim Palma, Editorial Presença, Lisboa, 2008, pp. 36-37.

A revolta inteligente
“Sê mentalmente flexível. A força não está em ser-se firme e forte mas em ser-se flexível. A árvore, que é flexível, aguenta-se no meio da ventania. Reúne em ti a força que existe na brisa ligeira.
A vida é estranha, tem tantas coisas a acontecerem inesperadamente, que a mesma resistência não resolverá qualquer problema. Precisamos de infinita flexibilidade e de um coração simples.
A vida é como o fio de uma lâmina, e cada um tem de percorrer esse caminho com extremo cuidado e flexível sabedoria.
A vida é tão rica, tem tantos tesouros, mas chegamos a ela com os corações vazios; não sabemos encher os nossos corações com a abundância da vida. Interiormente somos pobres e, quando as riquezas da vida nos são oferecidas, nós recusamo-las. /.../
Mantém a mente aberta. Vive no passado, se tiver de ser, mas não lutes contra esse passado; quando o passado chegar, olha para dentro dele, não o empurres para longe nem te agarres demasiado a ele. A experiência de todos estes anos, a dor e a alegria, os momentos de sofrimento e a memória da separação, a sensação de distância, tudo isso trará enriquecimento e beleza. O importante é o que tens no coração; e desde que isso esteja a transbordar, tu tens tudo, tu és tudo.
Está atenta a todos os teus pensamentos e sentimentos, não permitas que um único sentimento ou pensamento surja sem que te apercebas dele, e absorve todo o seu conteúdo. Absorver não é a palavra adequada; trata-se, sim, de ver todo o conteúdo do pensamento-sentimento. É como entrar numa sala e ver, de uma só vez, tudo o que está nela, a sua atmosfera e os seus espaços. Vermos e estarmos atentos aos  pensamentos torna-nos intensamente sensíveis, flexíveis e vigilantes. Não condenes nem julgues, mas está bem atenta. Da separação e das escórias retira-se o ouro puro.
Ver o que é, é muito difícil. Como se pode observar com clareza? Um rio quando encontra um obstáculo não fica parado; ele quebra a barreira usando a sua força, ou passa por cima dela, ou por baixo, ou vai à volta; ele não fica quieto; ele só pode agir. O rio revolta-se, por assim, dizer, inteligentemente. Para percebermos aquilo que é, tem de haver o espírito da revolta inteligente. Para não sermos confundidos com um pedaço de tronco, é preciso termos uma certa inteligência; mas geralmente estamos tão ávidos de possuir aquilo que desejamos, que vamos contra o obstáculo; ou despedaçamo-nos de encontro a ele ou ficamos exaustos lutando contra ele. Ver a corda como corda não requer coragem, mas tomar a corda por uma serpente, ficando a olhar, requer coragem. Devemos duvidar, procurar sempre, ver o falso como falso. Ganhamos força para vermos através da intensidade da atenção; tu vais ver, isso virá. Para agir, cada um deve estar num estado de negação; a negação traz a sua própria ação positiva. Penso que a questão reside em ver com clareza, porque a percepção gera a sua própria ação. Quando há elasticidade, não se põe a questão do certo e do errado.
Cada um de nós tem que estar muito lúcido dentro de si mesmo. Nessa altura, asseguro-te, tudo dará certo. Tenta estar lúcida, e verás que as coisas se tornarão certas sem que tu faças o que quer que seja a respeito disso. O que está certo não é aquilo que desejamos.
Tem de haver uma revolução total, não apenas nas grandes coisas, mas também nas pequenas coisas do dia-a-dia. Tu passaste por essa revolução, não voltes atrás, mantém-te nela. Mantém-te a ferver, interiormente.
J. Krishnamurti, Idem, pp. 7-8.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Definição etimológica do termo 'Filosofia'





O que significa 'Filosofia' - Definição Etimológica
Wilson Horvath


A palavra filosofia (Φιλοσοφία) é de origem grega e é formada pela junção de dois outros vocábulos: philos (φίλος) e sophia (σοφία). Sophia significa “sabedoria” e philos, que deriva de philia (φιλíα), que dizer “amor fraternal”, “amor entre pessoas que se querem bem” e “se respeitam mutuamente”, “é o amor entre amigos ou a amizade”.
Logo, Filosofia significa “amor pelo saber”, “respeito pela sabedoria”. E o filósofo é aquele que ama, respeita e tem apreço pela sabedoria.

Foi Pitágoras de Samos (571 –496 a.C.) – filósofo e matemático grego, o criador de um Teorema[1] que leva o seu nome e muito estudado no Ensino Secundário – quem cunhou esse termo. Para esse pensador, o verdadeiro conhecimento pertencia aos deuses; porém o ser humano pode desejar e buscar o conhecimento. E quem assim o faz é um filósofo ou uma filósofa.
Pitágoras definiu o ser do filósofo observando as pessoas que frequentavam e participavam dos jogos olímpicos.

Dizia Pitágoras que três tipos de pessoas compareciam aos jogos olímpicos (a festa mais importante da Grécia): as que iam para comerciar durante os jogos, ali estando apenas para servir os seus próprios interesses e sem preocupação com as disputas e os torneios; as que iam para competir, isto é, os atletas e artistas (pois, durante os jogos também havia competições artísticas: dança, poesia, música, teatro); e as que iam para contemplar os jogos e torneios, para avaliar o desempenho e julgar o valor dos que ali se apresentavam. Esse terceiro tipo de pessoa, dizia Pitágoras, é como o filósofo (CHAUI, 2000, p. 19).

O filósofo, portanto, busca o conhecimento pelo desejo de conhecer, ele não faz isso por interesses económicos ou para ganhar alguma disputa intelectual. Ele busca contemplar a verdade. E filosofia é o caminho de busca pela verdade, percorrido com paixão e amor pelo saber.
_________________

[1] Teorema de Pitágoras: Num triângulo retângulo a soma dos quadrados dos catetos é igual ao quadrado da hipotenusa. Em outros termos, se a e b são os catetos do triângulo retângulo e se c é sua hipotenusa, então a2 + b2 = c2.

Referencia Bibliográfica

 CHAUI, Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo: Ed. Ática, 2000.

http://reflexoesdeumprofessor.blogspot.pt/2012/06/o-que-e-filosofia-definicao-etimologica.html

quinta-feira, 12 de junho de 2014

O que sou eu?



Sou um ser humano. 
Sou o resultado das minhas escolhas, dos meus pensamentos e da influência de todas as pessoas com as quais já convivi. 
Sou forte e sou fraca. 
As minhas palavras podem cortar a alma mas também podem cicatrizar as feridas de quem merece. Sou um anjo e um demónio e ao mesmo tempo o equilíbrio entre os dois. 
Sou o desprezo mais cruel e o silêncio mais barulhento. 
Sou a fronteira entre o real e o imaginário, um ponto num céu estrelado... 
Não passo de matéria descartada com um inicio e um fim pré-definido, ou talvez seja mais do que isso, algo para além do complexo, algo inexplicável. 
Sou apenas uma alma que vagueia por aí sem um caminho escrito, sem um sentido certo...
     Mas afinal de contas, o que é que é suposto eu ser?

Jéssica Rodrigues - 10E (2014-2015)

Liberdade e Justiça Social: Teoria da Justiça de John Rawls



terça-feira, 10 de junho de 2014

A experiência e os juízos estéticos


O que define a experiência estética?
O que faz da experiência estética uma experiência diferente?

A EXPERIÊNCIA ESTÉTICA - SEUS ELEMENTOS, CARACTERÍSTICAS E TIPOS

Como em qualquer experiência humana, na experiência estética existe sempre um objecto a experienciar, um sujeito que experiencia e um contexto de experienciação. Vejamos:

  • o sujeito ou pessoa que experiencia: pode ser o leitor/espectador, o artista/autor, o crítico;
  • o objecto ou aquilo que provoca a experiência: a obra de arte (que pode ser pintura, música, dança, escultura, etc.);
  • a relação entre sujeito e objecto: o efeito que a obra de arte provoca no sujeito (emoções, sensações, ideias, imagens);
  • o contexto (social, político, económico, cultural, etc.) em que se dá essa relação;
  • o conjunto de significações existentes no espaço e tempo em que decorre e que fazem parte de uma história e tradições.

http://estetica10b.blogs.sapo.pt/2079.html

A EXPERIÊNCIA ESTÉTICA É UMA EXPERIÊNCIA DESINTERESSADA

Isto é, não temos qualquer interesse prático, ela não é um meio para satisfazer uma necessidade mas vale por si.
Ver um desafio de futebol também é uma experiência desinteressada e não é uma experiência estética: A experiência estética produz-se com objectos estéticos.
Objectos estéticos são os objectos encarados na sua forma, harmonia,cor que afectam a nossa sensibilidade estética.
Exemplo: Um concerto, Uma dança, uma peça, um filme, um pôr do sol. Objectos sobre os quais podemos emitir juízos estéticos como:“É Belo!”, “Emocionou-me!”, “ A 9ª sinfonia é uma obra-prima!”
A experiência estética pode decorrer da contemplação ou da produção/criação de um objecto.
1. O artista cria a obra e transfigura a realidade, tem portanto a experiência dessa transfiguração.
2. O receptor, aquele que é surpreendido no seu quotidiano pela forma de determinado objecto que lhe provoca admiração e emoção.
3. O crítico de arte que vai ao encontro do objecto artístico para o avaliar, segundo o seu gosto mas também segundo determinado conhecimento.

O problema da justificação dos juízos estéticos

O que é um juízo estético? 
É um acto mediante o qual formulamos uma proposição que atribui determinada qualidade estética (beleza, sublimidade, fealdade) a um objecto: “Este palácio é belo” ou «O Requiem de Mozart é uma obra-prima» e «O Padrinho de Francis Ford Coppolla é um filme magnífico».
O problema com o juízo estético é o seguinte: muitas pessoas julgam determinadas coisas belas enquanto outras discordam. Então o que fazemos quando dizemos que algo é belo ou feio, magnífico ou vulgar? Estamos somente a declarar o que sentimos (prazer ou desprazer) quando contemplamos um objecto ou estamos a referir algo que são propriedades do próprio objecto que são independentes do que sentimos?

Duas teorias sobre o juízo estético:
O objectivismo estético e o subjectivismo estético

Estas teorias pretendem responder à questão: Quando emitimos um juízo estético “É Belo” falamos de uma qualidade que está no objecto? ou Falamos de uma emoção ou sentimento que surge em nós pela presença do objecto?

O Objectivismo atribui ao objecto uma determinada qualidade estética.O Subjectivismo atribui ao sujeito a capacidade de se deixar tocar de um determinado modo.

Objectivismo estético:
TESE: Um objecto é belo em virtude das suas qualidades e não em virtude do que sentimos quando o observamos.
Argumento: As propriedades da beleza existem mesmo no objecto e são independentes dos sujeitos que os observam. Quer o sujeito veja a beleza do objecto ou não esta não depende do seu juízo. A beleza está nas coisas e não nos olhos de quem vê. Se nem todos gostam do “David” de Miguel Ângelo, não é por não ser belo mas porque não conseguem descobrir na sua forma a beleza. O problema está então no sujeito que não reconhece a beleza que existe no objecto. Se há desacordo estético, isso não quer dizer que o gosto estético seja subjectivo mas apenas que os diferentes sujeitos não se apercebem, por dificuldades culturais, intelectuais ou sensíveis, das qualidades reais do objecto e por isso ajuízam erradamente.O juízo estético será semelhante a um juízo científico. Há juízos verdadeiros e falsos. Caso descrevam ou não as qualidades intrínsecas do objecto.

Para um objectivista:O Belo distingue-se por uma série de qualidades estéticas tais como:
a. A proporção das partes que compõem o todo
b. O equilíbrio da forma
c. A unidade do todo e das partes
d. A Harmonia da figura
e. Perfeição
f. Diversidade (Exotismo?)
g. Há características específicas (dependendo das formas de arte) e características gerais: Unidade, Complexidade e Intensidade.

Intuicionismo (outra forma de objectivismo): propriedades do Belo não são empíricas por isso não podem ser apercebidas pelos sentidos (Platão). O Belo é não se pode definir, tão pouco se pode descrever. Sabemos que é Belo por uma intuição.O dom natural para ter a percepção do Belo, só alguns o têm.

Subjectivismo estético:
Tese: Dizemos que um objecto é belo em virtude do que sentimos quando o observamos.
Argumento: A beleza não existe, é o nome que se dá às coisas que nos produzem agrado. Assim, o belo depende do nosso gosto, depende do modo como a nossa sensibilidade se deixa afectar pelos objectos. Assim o mesmo objecto afecta duas pessoas de diferentes modos porque elas têm diferentes sensibilidades. É Belo, porque gosto, porque me causa prazer ouvir ou contemplar um determinado objecto, daí que esse objecto, porque me agrada, seja considerado um objecto estético. Apesar de diferentes gostos é possível haver um padrão de gosto, esses padrões resumem-se a certos valores culturais assumidos por todos. Isso permite ultrapassar o cepticismo de que gostos não se discutem. O gosto também pode ser treinado e educado, pela experiência e pela discussão. Comparar e conhecer várias obras diferentes permite educar a sensibilidade. Preconceitos e modas também influenciam os juízos de gosto. Podemos justificar racionalmente os nossos juízos estéticos.

Kant e a objectividade dos juízos estéticos

Não sendo um objectivista, Kant tentou mostrar em que consistiria a objectividade ou universalidade do juízo estético. Kant não admite que juízos como “Este quadro é belo” ou “Esta tempestade sobre o mar é sublime” sejam meras opiniões pessoais. No seu entender, quando atribuímos beleza a um dado objecto, estamos convictos de que assim deve ser também para os outros sujeitos. O que torna legítima esta pretensão? O que me dá direito a julgar assim não só em meu nome como também em nome dos outros?
Embora não possamos demonstrar por que razão algo é belo (como diz Kant, o belo é o que satisfaz universalmente sem conceito), não podemos resignar-nos a aceitar que as nossas avaliações sobre a beleza sejam meros gostos pessoais como, por exemplo, gostar de futebol ou de arroz de tamboril. Há uma exigência de universalidade do nosso juízo. Esta exigência fundamenta-se na existência ideal de um padrão de gosto comum a todos os seres humanos, que permitiria avaliar os objectos estéticos da mesma forma.



domingo, 8 de junho de 2014

Preparação para o Exame - 1ª Sessão

Data: 09/06/2014

Ponto de encontro: CRE
Hora: 14:20
A sessão decorrerá até às 16:50.

Temas a abordar:

Percurso A
1.2. Formas de inferência válida
– Caracterização da linguagem da lógica silogística com as suas quatro formas;
– Definição e estrutura do silogismo categórico — termos maior, menor e médio e premissas 
maior e menor;
– Classificação dos silogismos categóricos em figuras e modos;
– Distribuição dos termos nas proposições categóricas;
– Regras de validade do silogismo categórico.
1.3. Principais falácias
– Falácias formais: falácia do termo não distribuído, ilícita maior e ilícita menor.

Atividades:
Nesta sessão iremos resolver exercícios de lógica silogística.
Os participantes deverão resolver os seguintes exercícios (que saíram em exames nacionais):

Silogismo - questões de exame

Materiais para consulta:

O juízo (A Proposição)  - Contém informação sobre a estrutura formal dos juízos/proposições (forma normal predicativa), sobre os diversos tipos de proposição (as"quatro formas") e sobre a distribuição dos termos nas proposições categóricas.

Teoria do Silogismo - Conteúdos: Definição de silogismo; Classificação dos silogismos em figuras e modos; Modos válidos do silogismo; Regras de validade do silogismo categórico.

As Falácias Formais