quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Guião de apoio ao trabalho

O que se pretende com este trabalho

Este trabalho consiste num projecto iniciação à pesquisa e análise filosófica, no âmbito da área temática proposta.
Assim, para além da aprendizagem dos conteúdos tratados, o trabalho tem por objectivos:

Desenvolver e melhorar competências:

discursivas
de conceptualização
de problematização
de argumentação
de compreensão
de dissertação

Desenvolver e melhorar capacidades de:

Recolher e organizar informação e utilizá-la de modo crítico
Dominar com rigor os conceitos filosóficos fundamentais
Analisar textos de carácter argumentativo
Compor textos de carácter argumentativo
Intervir oralmente/Participar em debates


É muito importante compreender que este trabalho obriga os alunos a serem responsáveis e intelectualmente honestos. Investigar é procurar resposta para o problema que nos propusemos tratar. Só é possível pela compreensão pessoal e crítica e pela capacidade da sua comunicação. Traduzindo: copiar é vigarice e incapacidade de explicar o que se escreveu apenas significa que não se investigou nada.

O objectivo do trabalho consiste em aprender a investigar em Filosofia, desenvolvendo processos autónomos de reflexão. Trata-se obviamente de um processo que se desenvolve ao longo das suas fases de execução. Um acompanhamento mais próximo permite corrigir eventuais insuficiências.


Orientação para a fase de projecto.

Antes de começar, é necessário ter uma visão global do trabalho a desenvolver. É o projecto de investigação que define tudo o que se fará em seguida.
Exige portanto escolhas fundamentadas e todas as dúvidas deverão ser esclarecidas antes da sua conclusão.
O projecto deverá clarificar:
1. Qual é o tema ou problema (filosófico) da investigação e justificar a escolha.
2. As fontes de apoio para o trabalho (bibliográficas e outras).
3. A estrutura do trabalho (esboço de índice, sequência de temas…).
3. Os procedimentos (método a utilizar, actividades a desenvolver).
4. Um calendário de tarefas.

A escolha do tema

Definir o problema e a pergunta de partida com rigor e clareza.

Definição do que se pretende fazer no trabalho.

Estrutura (índice, partes em que se divide e sua sequência)

Gosto do tema?
É um problema filosófico?
É interessante e importante?
Está definido com clareza e rigor?
Não é demasiado vasto?
Sei onde começa e acaba?
Sou capaz de estabelecer um plano de resposta ao problema (sequência de sub-temas, “partes” interligadas, método de trabalho)?
Tenho consciência de onde me estou a meter? Sei como vou fazer?
Tenho tempo para fazer o que me propus?

As fontes e os recursos

Fontes bibliográficas.
Fontes em suporte informático.
Especialistas.
Outros.


Como encontrar, recolher e seleccionar informação adequada e pertinente?

Compreendo os textos?
Como torno “meu” aquilo que outros escreveram? Como me aproprio dos textos?

Como cito e respeito as fontes e as integro no meu texto pessoal?

O calendário

Ter os prazos em atenção e programar as fases do trabalho no tempo.
Programar “vendo o filme ao contrário”:

1. Qual é a data de entrega do trabalho?
2. Para atingir esse objectivo, quando devo terminar a redacção do trabalho (dar tempo para organizar bibliografia, índice, tratar da encadernação, etc.)?
3. Para atingir o objectivo anterior, até que data devo ter os materiais lidos e os apontamentos pessoais elaborados?
4. Para atingir o objectivo anterior, quando devo ter reunidos e seleccionados os materiais necessários à investigação?
5. Para atingir o objectivo anterior, até quando devo ter bem definido o tema e o plano da pesquisa?

PROCEDA À AVALIAÇÃO DO SEU PROJECTO/PLANO CONSIDERANDO OS SEGUINTES ITENS:              

1
Identificação do tema/problema
-       é um tema/problema filosófico
-       está correctamente formulado
-       questões da investigação correctamente formuladas

2
Justificação da escolha (interesse e relevância do problema, justificação da opção pessoal)

3
Desenvolvimento
-       revela consciência das tarefas a realizar
-       revela coerência entre o tema/problema e os propósitos da investigação e organização do trabalho
4
Estrutura e expressão escrita
-       organização, encadeamento e estrutura do discurso
-       qualidade da expressão escrita
5
Apresentação formal
-       Apresentação, arrumação, limpeza, legibilidade
-       Clareza estrutural (índice, títulos, numeração, organização)
6
Identificação das fontes. Referências bibliográficas
-       referências adequadas aos conteúdos do projecto
-       referência formalmente correcta

Ana Ávila da Silva / Florbela Veríssimo Pires, Maleta de Filosofia


Como tratar a informação escrita

Níveis de leitura
Objectivos
Estratégias

Global
Adquirir uma ideia global do conteúdo do texto.
Orientar(-se)
Questionar
Compreensiva
Compreender o conteúdo (em filosofia: o problema, a tese, as teorias, os argumentos).
Questionar
Analisar
 (análise compreensiva)             
Crítica
Comparar o que o texto transmite com as nossas próprias informações e ideias.
Questionar
Analisar (análise crítica)             
Reflexiva
Elevado nível de compreensão, capacidade crítica e reflexão.
Questionar
Analisar (anal. reflexiva)             
ESTRATÉGIAS ORGANIZADORAS DA LEITURA
Orientar(-se) A primeira abordagem que o aluno faz ao texto é para se orientar. O aluno deve situar-se, quer seja para se motivar para a leitura, quer seja para se inteirar sobre o assunto de que trata o documento escrito a estudar (ficha, livro, texto, etc.). A primeira coisa que devemos fazer quando nos propomos ler um texto é ter uma ideia global do que ele contém (orientarmo-nos na leitura).
·       O que é que vou ler? Qual o tema ou assunto? Parece difícil? O que é que eu já sei disto?
·       Como é que fico a saber antecipadamente o que é que vou ler? Leitura global, rápida, “por alto”, “em diagonal”, a “varrer” o texto. Não é para perceber tudo, é para ter uma ideia geral. Dar atenção a títulos e subtítulos, índices, letras destacadas. Dar também uma olhadela (sem se perder) às imagens, esquemas, gráficos, mapas, notas. Se os houver, claro.
Questionar Outra estratégia organizadora fundamental consiste no questionar. Ao questionar-se sobre os aspectos mais relevantes do texto, o aluno vai formulando e testando hipóteses, o que, para além de ajudar a estabelecer objectivos e a organizar a informação, lhe permite a auto-avaliação do seu processo de assimilação e compreensão do texto. Devemos questionar o texto antes de iniciar a leitura, durante a mesma e no final.
·       Como questionar? Questionar o quê? Para a leitura ser feita com concentração e interesse, para os conhecimentos serem integrados e a memorização facilitada, o aluno deve pensar enquanto lê.
·       Pensar enquanto lê significa perguntar-se:
ü  Vou ler o texto para quê?
ü  Que utilidade tem a leitura do texto?
ü  O que procuro no texto?
ü  Qual é o objectivo da tarefa de que faz parte a leitura do texto?
ü  O que já conheço do assunto?
ü  Como se relaciona o que já sei com o que procuro no texto?
Analisar Depois dos alunos se terem orientado e começado a questionar sobre o que encontram no texto, só o compreendem fazendo uma análise do material. Conforme o tipo ou nível de análise que se pretende fazer, existem diferentes tipos de leitura.
·    Análise compreensiva para conhecer e compreender todo o texto. Identifica-se o assunto do texto. Distinguem-se as ideias principais das ideias secundárias, na linha de desenvolvimento do texto. Num texto filosófico: identifica-se o tema, o problema, a(s) tese(s) e teoria(s), e os respectivos argumentos.
·       Análise crítica para comparar a informação que o texto nos dá (ou as posições nele defendidas) com os conhecimentos e ideias que já possuímos sobre o assunto. “O que é que eu penso do que li?” Claro que esta crítica só é possível após a análise compreensiva bem sucedida (quando criticamos um texto que não percebemos… estamos a criticar outra coisa qualquer, não o que está no texto!). Num texto filosófico: comparar teses e teorias, comparar os respectivos argumentos, contra-argumentar, refutar.
·       Análise reflexiva é uma leitura crítica mais profunda. Só pode ser feita por quem tenha experiência de vida e/ou conhecimentos prévios sobre o tema que está a ler e capacidade de comparar informações antigas e novas, provas, fundamentos e consequências das teses apresentadas. “Face ao que eu já sabia, o que me traz de novo o que li?” É neste plano que se situa a actividade filosófica propriamente dita. É treinando este tipo de análise que começamos a filosofar.


Técnicas de leitura
Para quê? Como?

Sublinhar é colocar traços e outros sinais debaixo de certas palavras que se deseja destacar do texto.

·       Para quê? Concentrar a atenção no que é essencial.
·       Distinguir as ideias principais e secundárias.
·       Descobrir a estrutura lógica do texto (problema(s), tese(s), argumento(s), contra-argumento(s))

Como sublinhar?

·       Não sublinhar numa primeira leitura (leitura global). Seria um obstáculo à leitura posterior.
·       Não sublinhar em excesso. Invalidaria o acto de sublinhar.
·       Evitar as tintas, preferir o lápis. Permite corrigir trajectórias de leitura.
·       Ter o dicionário à mão. Não compreender um termo pode inquinar a compreensão do texto.
·       Sublinhar as ideias do texto, consoante a sua importância dentro do que é exposto. Valor da ideia no desenvolvimento do texto (ideia principal ou ideia secundária), valor lógico da ideia (é o problema? é a tese? é um argumento?).
·       Podem utilizar diferentes tipos de enunciados para os diferentes valores das ideias.

Parafrasear é escrever ou dizer por palavras suas o que outra pessoa disse ou escreveu, mantendo uma total fidelidade ao que foi dito, nada acrescentando ou tirando.


Parafrasear é uma das formas de interpretar o pensamento de um autor. Quando não conseguimos parafrasear, quanto maior for a dificuldade de dizer por palavras nossas o que lemos, mais longe estaremos de compreender bem o texto.


Para quê?

·       Para sabermos (e saberem) que compreendemos o que lemos. O texto torna-se “nosso”.
·       Para ajudar na elaboração de um resumo ou de um comentário ao texto.

Como parafrasear?

·       Pensando “no que o autor quer dizer” naquele trecho, nunca o desligando do contexto.
·       Encontrando palavras e frases equivalentes às do texto, sem repetir ou copiar as que lá estão.



A diferença entre parafrasear e citar: ao citar, repetimos as palavras do texto tal e qual como foram ditas. Nesse caso colocam-se as palavras, do autor, entre aspas). 



Resumir é dizer ou escrever em poucas palavras o conteúdo do texto. Significa que se respeita o texto mas apenas no essencial. Resumir é sinónimo de abreviar e sintetizar. 



Para quê?
·       Para distinguirmos o que é mais importante no texto.
·       Para compreendermos melhor o conteúdo do texto.
·       Para sentirmos e demonstrarmos que dominamos o assunto.
·       Para disciplinar o pensamento e facilitar a organização do estudo.


Como resumir?

·       “Regra de ouro”: ler e compreender bem o texto antes de resumir.
·       Nunca tentar fazê-lo logo na primeira leitura, nem à medida que se vai lendo.
·       Incluir apenas as ideias principais.
·       Apresentar as ideias pela ordem que surgem no texto e correctamente ligadas entre si. Expressar-se por palavras suas (usar sinónimos).
·       Utilizar termos gerais para designar conjuntos de objectos, factos ou acções.

Ana Ávila da Silva / Florbela Veríssimo Pires, Maleta de Filosofia

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

O que significa que os valores são construções humanas?




A historicidade dos valores


Criados na vida social para orientar as ações humanas e regularem a relação entre as pessoas, os valores (...) não têm validade universal. Pelo contrário, eles são válidos apenas num contexto específico, no quadro de uma cultura determinada, e têm existência histórica.
Os valores são válidos apenas em contextos específicos, ou seja, num determinado aqui/agora, porque um comportamento bom e correto em certo momento pode ser mau e profundamente reprovável noutro. Mentir é reprovável na maioria das ocasiões, mas quem recriminaria as pessoas que, fugindo da perseguição do exército nazi, mentiram sobre o paradeiro dos seus colegas e não os entregaram?
São válidos no quadro de uma cultura, porque os valores não fazem sentido isolados de todas as outras dimensões da vida humana. Assim, é preciso levar em conta o quadro de relações que leva um grupo a definir alguns comportamentos como aprováveis ou reprováveis. Por essa razão, um mesmo ato pode ter sentidos diferentes se tiver acontecido nas classes médias urbanas de Lisboa ou do Porto ou numa pequena aldeia do interior; se uma ação ocorre no seio de uma sociedade ocidental ou num país do oriente.
Esses valores são válidos historicamente porque são criações humanas e, como tais, atendem a necessidades de um determinado grupo e às circunstâncias temporais. Por isso, são passíveis de mudanças. A história das mulheres nas sociedades ocidentais ao longo do século XX pode exemplificar essas mudanças: muitos comportamentos mal vistos e indesejados há 50 anos hoje são aceites e até mesmo valorizados.
Como se vê, os valores (...) não estão organizados numa tábua de prescrições de condutas que levam automaticamente a uma vida boa. Pelo contrário, eles são criações humanas ligadas às condições de vida historicamente criadas. Não podemos ter tudo a todo instante e aprender a decidir é, também, aprender a hierarquizar o que é mais importante do que é menos importante na situação em que a escolha nos é colocada.
http://www.webartigos.com/artigos/a-historicidade-dos-valores-morais/94190/#ixzz3Qy2CtVWp

Para saber mais:
A sociedade e a origem dos valores

A ação do homem sobre a Natureza

Os valores e a cultura

O homem como produto e produtor da cultura

O que são os valores?





Os valores são regras e padrões que orientam a conduta humana, servindo de padrão à deliberações dos indivíduos e dando coerência à sua vida social. Os valores são, em grande medida, colectivos, havendo, no entanto, ocasiões em que indivíduos ou grupos restritos de indivíduos propõem novos valores, que passam a ter a adesão de sociedades inteiras.

Há valores que são partilhados por um grande número de sociedades, não havendo, contudo, provas da existência de valores universais, ou seja, valores aceites por todas as sociedades humanas.  




Qual é a relação entre os valores e a ação humana?




Síntese:


Os valores são qualidades potenciais que tornam as coisas desejáveis ou dignas de estima e orientam as opções dos indivíduos inseridos numa cultura. Os valores são princípios orientadores da acção, e são reconhecidos como ideais, e por isso, preferíveis. Os valores justificam as nossas opções com base em preferências em relação às coisas, aos acontecimentos e às situações É porque estamos inseridos numa cultura, que aprendemos a dar valor às coisas, identificamo-las como desejáveis e dignas de estima. Texto retirado daqui.

Ver também a resposta à questão:

De que modo podem os valores orientar o agir?

Para saber mais:


segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Como construir mapas conceptuais





O que são mapas conceptuais?

O mapa conceptual é uma forma muito particular de organizar os conhecimentos: visa representar relações significativas entre ideias. Podemos dizer que é um esquema que resume um conjunto de informações de forma significativa.
Os mapas conceptuais são “árvores” onde as ideias estão organizadas de forma hierárquica, isto é, os conceitos mais gerais, mais amplos, situam-se na parte superior do mapa. A partir do topo são colocadas sucessivamente, por ordem de importância, as outras ideias.

Os mapas conceptuais:
- Facilitam a aprendizagem, porque a sua construção implica uma organização dos conhecimentos, o que exige compreensão e criatividade por parte de quem os desenha.
- Depois de construídos, permitem a visualização fácil das relações entre conceitos, o que favorece a compreensão e a revisão das matérias.
- Eliminados os aspectos secundários, a informação repetida, ficam destacadas as ideias essenciais e as relações entre si.

Como se constroem mapas conceptuais:

Os mapas conceptuais exprimem graficamente a relação entre conceitos. Mais importante do que memorizar os mapas é construí-los. É o trabalho de os elaborar que te vai permitir integrar os novos conhecimentos com as informações que possuis relacionadas com o assunto.

Vamos descrever o processo em etapas:
1.° Escreve o conceito - chave.
2.° Identifica os conceitos principais.
3.° Ordena estes conceitos tendo em conta a sua importância.
4.° Traça uma linha entre os conceitos que estão relacionados.
5.° Escolhe as palavras de ligação. A seleção destas palavras é central neste trabalho.
6.° Põe um círculo à volta dos conceitos.
7.° Regista, se for caso disso, exemplos que não devem ser circundados.


Depois de cumpridas estas etapas, deverás refazer o mapa que construíste. O objectivo principal não é melhorar a apresentação gráfica, é levar-te a repensar no que fizeste, o que te poderá conduzir a introduzir modificações, tornando-o mais explícito. Podes ter necessidade de fazer mais do que duas versões, pois as revisões que se fazem levam a um maior aperfeiçoamento, o que é muito positivo.
O mapa final deverá ser apresentado com clareza, estar limpo e bem legível.

Em esquema, um mapa conceptual terá esta estrutura: 







MONTEIRO, M.M., Como Tirar Apontamentos e Fazer Esquemas, Porto Editora, 2002,p.63,68,97-104
http://biblioteca.esjbv.pt/ficheiros/dossier_aluno/mapas_conceptuais.pdf


Mais exemplos de mapas conceptuais (faz clique nas imagens para aumentar):







____________
Para saber mais:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Mapa_conceitual

https://www.lucidchart.com/pages/pt/como-fazer-um-mapa-conceitual
Software:

CmapTools

Lucidchart (Altamente recomendado - tem uma versão gratuita que pode ser integrada na Google Drive e permite construir mapas conceptuais com até 60 elementos).