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sábado, 14 de fevereiro de 2015

Teste Modelo - Os valores

Grupo I
Escolha apenas uma alternativa em cada questão.
(10 x 05 pontos = 50 pontos)


1. A axiologia é a disciplina filosófica que estuda:

(A) Os objectos valiosos;
(B) os valores;
(C) o homem e as suas experiências de vida;
(D) os juízos de facto usados na valoração.

2. O facto de ao valor 'belo' corresponder o seu contravalor 'feio' está relacionado com:

(A) A sua polaridade.
(B) a sua hierarquia;
(C) a sua diversidade;
(D) a sua matéria.

3. A perspectiva filosófica (axiológica) que afirma os valores como propriedades reais existentes nos objectos designa-se por:

(A) Subjectivismo;
(B) relativismo;
(C) objectivismo;
(D) estruturalismo.

4. Os juízos de valor são enunciados subjectivos. Esta afirmação é:

(A) Verdadeira, porque são afirmações sobre diferentes sujeitos.
(B) falsa, porque são enunciados objectivos;
(C) verdadeira, porque derivam da valoração que cada sujeito faz sobre a realidade;
(D) falsa, porque os juízos de valor são universais.

5. A cultura pode ser definida como:

(A) Um fenómeno que ocorre entre os diversos seres vivos;
(B) um fenómeno que ocorre dentro das sociedades actuais;
(C) um fenómeno exclusivo dos animais gregários;
(D) um conjunto de formas de estar, pensar e agir características de uma sociedade.

6. "Os valores são hierarquizáveis, isto é, num dado contexto social e cultural, todos os indivíduos estabelecem as mesmas prioridades, seguindo a mesma escala de valores." Este enunciado é:

(A) Verdadeiro, porque há valores superiores e inferiores;
(B) falso, porque todos os valores têm a mesma importância;
(C) falso, porque embora existam valores superiores e inferiores, as pessoas podem ter prioridades diferentes e seguir diferentes escalas de valores;
(D) verdadeiro, porque embora existam valores superiores e inferiores, as pessoas podem ter prioridades diferentes e seguir diferentes escalas de valores.

7. Dizer que os valores estão condicionados pelo contexto sociocultural e pelo tempo histórico em que o homem se encontra é:

(A) Afirmar a sua absolutividade e perenidade;
(B) afirmar a sua historicidade e relatividade;
(C) afirmar a sua absolutividade e historicidade;
(D) afirmar a sua historicidade e perenidade.

8. De acordo com o etnocentrismo,

(A) Os critérios valorativos não variam de cultura para cultura;
(B) existe um padrão universal para avaliar os costumes;
(C) todas as práticas culturais devem ser toleradas;
(D) há uma cultura mais desenvolvida cujos padrões são melhores do que os das outras culturas.

9. O relativismo cultural:

(A) Rejeita o diálogo intercultural;
(B) rejeita a diversidade cultural;
(C) rejeita a relatividade dos padrões culturais;
(D) rejeita a historicidade dos valores.

10. O interculturalismo:

(A) Aceita a absolutividade dos padrões culturais;
(B) aceita o diálogo intercultural;
(C) aceita a perenidade dos valores;
(D) aceita o etnocentrismo.


Grupo II
Texto 1


1. Comente o texto 1, tendo em conta a relação entre os valores e a ação humana. 
(20 pontos)

2. Poderíamos viver uma vida humana sem os valores? Porquê? (25 pontos)

3. Existem valores universais ou os valores são todos relativos? Responda a esta questão posicionando-se criticamente em relação às teorias axiológicas estudadas (subjetivismo; objetivismo e estruturalismo).(30 pontos)


Texto 2
"É uma norma socialmente reconhecida entre nós que devemos cuidar dos nossos pais e de familiares quando atingem uma idade avançada; os Esquimós deixam-nos morrer de fome e de frio nessas mesmas condições. Algumas culturas permitem práticas homossexuais enquanto outras as condenam (pena de morte na Arábia Saudita). Em vários países muçulmanos a poligamia é uma prática normal, ao passo que nas sociedades cristãs ela é vista como imoral e ilegal. Certas tribos da Nova Guiné consideram que roubar é moralmente correcto; a maior parte das sociedades condenam esse acto. O infanticídio é moralmente repelente para a maior parte das culturas, mas algumas ainda o praticam. Em certos países a pena de morte vigora, ao passo que noutras foi abolida; algumas tribos do deserto consideravam um dever sagrado matar após terríveis torturas um membro qualquer da tribo a que pertenciam os assassinos de um dos seus.
Centenas de páginas seriam insuficientes para documentarmos a relatividade dos padrões culturais, a grande diversidade de normas e práticas culturais que existem actualmente e também as que existiram.
Até há bem pouco tempo muitas culturas e sociedades viviam praticamente fechadas sobre si mesmas, desconhecendo-se mutuamente e desenvolvendo bizarras crenças acerca das outras." Luís Rodrigues

4. Comente o texto 2, tendo em conta a importância do interculturalismo na implementação dos direitos humanos em todas as sociedades. (30 pontos)


Grupo III

Texto 3
O dilema de Henrique


Numa cidade da Europa, uma mulher estava quase a morrer com um tipo muito raro de cancro. Havia um remédio, feito à base de Rádio, que os médicos imaginavam que poderia salvá-la, e que um farmacêutico da mesma cidade havia descoberto recentemente. A produção do remédio era cara, mas o farmacêutico cobrava por ele dez vezes mais do que lhe custava produzi-lo: O farmacêutico pagou €400 pelo Rádio e cobrava €4000 por uma pequena dose do remédio. Henrique, o marido da doente, procurou todos os seus conhecidos para lhes pedir dinheiro emprestado, e tentou todos os meios legais para consegui-lo, mas só pôde obter uns €2000, que é justamente a metade do que custava o medicamento. Henrique disse ao farmacêutico que a sua mulher estava a morrer e pediu-lhe que vendesse o remédio mais barato, ou que o deixasse pagar a prestações. Mas o farmacêutico respondeu: ‘Não, eu descobri o remédio e vou ganhar dinheiro com ele’. Assim, tendo tentado obter o medicamento por todos os meios legais, Henrique, desesperado, considera a hipótese de assaltar a farmácia para roubar o medicamento para sua esposa. O Henrique deve roubar o medicamento?”
Kohlberg

1. O texto 3 apresenta um conflito de valores. Resolva esse conflito usando a Razão como critério valorativo. (Pode usar como referência a bússola dos valores e assumindo um ponto de vista racional). (45 pontos)

Correção

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Teste 3 - Matriz / Plano de estudo

Nota: neste teste é obrigatório o uso de folha de teste.
Seja original e crítico nas suas respostas.

Esclarecimento de dúvidas por email
(até 48 horas antes do teste - deve indicar o nome, nº. e turma)

Objectivos / Conteúdos:

1. Caracterizar a filosofia a partir das suas principais características: radicalidade; autonomia; historicidade e universalidade;
2. Identificar os diversos elementos constitutivos da ação (os conceitos da ‘rede conceptual da ação’);
3. Definir e relacionar os conceitos de agente, motivo, intenção e consequências (da ação);
4. Distinguir atos voluntários e involuntáriosApresentação
5. Explicar a influência das condicionantes biológicas no comportamento humano;
6. Explicar a importância das condicionantes sócio-culturais no comportamento humano;
7. Interpretar o filme 'Os gatos não têm vertigens' atendendo à temática dos valores;
8. Reconhecer que o ser humano não nasce humano;
9. Definir o conceito de valor.
10. Definir a Axiologia: a Teoria (ou Filosofia) dos valores;
11. Reconhecer os principais problemas da Axiologia;
12. Compreender a relação entre a ação humana e os valores;
13. Caracterizar os valores tendo em conta as suas principais características: matéria, polaridade e hierarquia;
14. Explicar a valoração e os critérios valorativos, tendo em conta a bússola dos valores;
15. Identificar diversos campos axiológicos (diversos tipos de valor, por exemplo: valores religiosos, valores éticos, valores estéticos, valores políticos, etc.);
16. Compreender a historicidade dos valores;
17. Caracterizar e distinguir juízos de facto e juízos de valor;
18. Problematizar a natureza dos valores: os valores são subjetivos ou objetivos?
19. Explicar a teoria objetivista tendo em conta as suas teses e argumentos;
20. Explicar a teoria subjetivista tendo em conta as suas teses e argumentos;
21. Explicar a teoria estruturalista tendo em conta as suas teses e argumentos;
22. Analisar conflitos de valores/ Definir o conceito de conflito de valores;
23. Definir o conceito de critério valorativo;
24. Reconhecer a importância da Razão como critério valorativo;
25. Definir o conceito de  cultura;
26. Explicar porque é que o homem é produto e produtor da cultura;
27. Definir o conceito de padrão cultural;
28. Analisar o conceito de identidade cultural;
29. Reconhecer a importância da diversidade cultural;
30. Definir o conceito de aculturação;
31. Definir e interpretar o etnocentrismo;
32. Definir e interpretar o relativismo cultural;
33. Definir e interpretar o interculturalismo;
34. Colocar problemas de forma pertinente;
35. Identificar problemas, teses e argumentos;
36. Construir argumentações sólidas.
____________

Questões de verificação da aprendizagem (pp.86 e 97 do manual)

1. Qual é a relação entre os valores e a acção humana?

2. O que são os valores?

3. O que significa dizer que os valores são construções humanas?

4. De que modo podem os valores orientar e guiar o agir?

5. Que tipos de valor estão presentes na nossa vida?

6. Que características podemos atribuir aos valores? Como explicar cada uma dessas características?

7. O que distingue juízo de facto de juízo de valor?

8. O que defende o objetivismo axiológico? E a teoria subjetivista?

9. O que são conflitos de valores? E critérios valorativos?

10. Sou capaz de dar exemplos de situações de conflito de valores?

11. A superação de conflitos de valores depende de que fatores?

12. Qual é a relação entre os valores e a cultura?

13. Qual a importância da identidade cultural e da diversidade cultural?

14. Como se caracteriza o etnocentrismo?

15. Como se caracteriza o relativismo cultural?

16. O que é o diálogo intercultural (interculturalismo) e como se articula com a diversidade cultural?



____________
Recursos:


Teste modelo sobre os valores. - Este teste modelo tem o mesmo nível de dificuldade de um  teste sumativo e foi elaborado a partir dos objetivos 10 - 35.

Ficha Formativa sobre os valores e a cultura

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Teste 2 - 10ºD - Versão 2

Grupo I
Escolha apenas uma alternativa em cada questão.
(10 x 6 pontos)
1. O motivo é:

     A. O objectivo que o agente quer alcançar;
     B. a principal consequência da ação;
     C. a causa principal da ação;
     D. a razão de ser da ação.

2. Os atos voluntários:

     A. Estão dependentes do mecanismo do estímulo-resposta;
     B. não dependem da liberdade do agente;
     C. são atos intencionais;
     D. não são motivados.

3. "A Filosofia distingue-se das ciências porque estuda a totalidade do real". Esta afirmação é:

     A. Verdadeira, porque a filosofia é um saber universal e radical;
     B. verdadeira porque a Filosofia é uma ciência como as outras;
     C. falsa, porque a Filosofia não é um saber racional;
     D. falsa, porque a Filosofia é uma ciência como qualquer outra.

4. Segundo o determinismo radical:

     A. O ser humano é livre de escolher o seu destino;
     B. todos os comportamentos, mesmo os dos seres humanos, dependem da causalidade natural;
     C. a liberdade é uma característica fundamental da natureza humana;
     D. os seres humanos não estão totalmente dependentes da causalidade natural.

5. “A liberdade é uma ilusão livremente criada por nós”. Este enunciado:

     A. Viola o princípio do terceiro excluído;
     B. não viola nenhum princípio lógico;
     C. viola o princípio da identidade;
     D. viola o princípio da não-contradição.


6. Aristóteles afirma que a Filosofia começa com o espanto. Isto significa que:

     A. A filosofia é um saber antidogmático;
     B. a filosofia não se distingue do senso comum;
     C. a filosofia é um saber acrítico;
     D. em Filosofia não há qualquer conhecimento.

7. O menino selvagem, quando foi capturado:

     A. Tinha um comportamento humano;
     B. tinha a consciência de que não era um ser humano;
     C. não conseguia executar atos involuntários;
     D. não tinha liberdade.

8. "Ousa saber! Tem a coragem de usares o teu próprio entendimento!". Esta afirmação de Kant refere-se a uma característica da Filosofia. A qual?

     A. À historicidade;
     B. à autonomia;
     C. à universalidade;
     D  à radicalidade.

9. A Filosofia existiria se o determinismo radical tivesse razão?

     A. Sim, por que a Filosofia é um saber radical;
     B. não, porque sem liberdade não há autonomia;
     C. não, porque a Filosofia é um saber dogmático;
     D. sim, porque só existe Filosofia porque o homem é um animal racional.

10. "Todos os conteúdos do senso comum são inúteis". Esta afirmação é:

     A. Falsa, porque tudo no senso comum é falso;
     B. verdadeira porque o senso comum é um saber comprovado;
     C. falsa, porque o senso comum é imprescindível à nossa vida quotidiana;
     D. verdadeira, porque o senso comum é um saber ilusório.




Grupo II

Texto 1
   “Com os homens nunca podemos ter bem a certeza, ao passo que com os animais, ou outros seres naturais, sim. Os castores fazem represas nos ribeiros e as abelhas favos com alvéolos hexagonais: não há castores que se sintam tentados a fazer alvéolos de favos, nem abelhas que se dediquem à engenharia hidráulica. No seu meio natural cada animal parece saber perfeitamente o que é bom e o que é mau para ele, sem discussões nem dúvidas.
     Por grande que seja a nossa programação biológica ou cultural, nós, seres humanos, podemos acabar por optar por algo que não está no programa (pelo menos que lá não está totalmente). Podemos dizer «sim» ou «não», «quero» ou «não quero». Por muito apertados que nos vejamos pelas circunstâncias, nunca temos um só caminho, mas sempre vários.”                                      
Fernando Savater, Ética para um jovem.

    1. Identifique e formule o problema central do texto 1. (10 pontos)

O problema central do texto pode ser formulado da seguinte forma (bastava referir uma questão):

O ser humano é livre?
Existe liberdade?
O nosso comportamento é totalmente determinado?
O comportamento humano é previsível?

    2. Qual é a tese central do texto 1? (15 pontos)

O texto defende a tese de que o comportamento humano não é prevísivel/ O ser humano é livre -   "Por grande que seja a nossa programação biológica ou cultural, nós, seres humanos, podemos acabar por optar por algo que não está no programa (pelo menos que lá não está totalmente)."

    3. Exponha o(s) argumentos(s) com que o autor justifica a tese central do texto. (20 pontos)

Os argumentos/ justificações:

1. O comportamento humano é imprevisível, ao contrário do que se passa com os animais: "Com os homens nunca podemos ter bem a certeza, ao passo que com os animais, ou outros seres naturais, sim";
2. O comportamento animal está biologicamente padronizado e é invariante: "Os castores fazem represas nos ribeiros e as abelhas favos com alvéolos hexagonais: não há castores que se sintam tentados a fazer alvéolos de favos, nem abelhas que se dediquem à engenharia hidráulica."
3. Os animais não precisam de ponderar o que fazer (o seu comportamento é instintivo): "No seu meio natural cada animal parece saber perfeitamente o que é bom e o que é mau para ele, sem discussões nem dúvidas";
4. O ser humano tem sempre mais do que uma opção: "Podemos dizer «sim» ou «não», «quero» ou «não quero». Por muito apertados que nos vejamos pelas circunstâncias, nunca temos um só caminho, mas sempre vários".

Texto 2

“A verdade é que existe uma diferença entre o que simplesmente me acontece (viro um copo com um safanão na mesa ao ir buscar o sal), o que faço sem me dar conta e sem querer ...), o que faço sem me dar conta mas segundo uma rotina adquirida voluntariamente (como meter os pés nos chinelos quando me levanto da cama meio adormecido) e o que faço apercebendo-me e querendo (...). Parece que a palavra "ação" é uma palavra que apenas convém à última destas possibilidades. É evidente que ainda existem outros gestos difíceis de classificar mas que à partida parecem qualquer coisa menos "ações": por exemplo, fechar os olhos e levantar o braço quando alguém me atira alguma coisa à cara ou procurar algo a que me agarrar quando estou quase a cair. Não decididamente uma "ação" é apenas o que eu não teria feito se não tivesse querido fazê-lo: chamo ação a um ato voluntário. (...)
Mas como podemos saber se um ato é voluntário ou não?
Fernando Savater, As perguntas da vida

5. Responda à questão colocada no final do texto 2. (25 pontos)

Os atos voluntários são atos que dependem da nossa vontade, são intencionais. Os atos involuntários são, em contrapartida, atos que executamos sem querer (podendo, até, em casos extremos, ser executados contra a nossa vontade), como diz o texto: "uma "ação" é apenas o que eu não teria feito se não tivesse querido fazê-lo".
Se bem que os atos involuntários possam ser conscientes (os atos involuntários podem ser conscientes ou inconscientes), nesse caso, apesar de termos consciência da execução do ato, pois damos conta da sua execução, sabemos que não somos nós que estamos a comandá-los - o exemplo do texto do copo que viramos sem querer mostra-o bem. 
Os atos voluntários são sempre conscientes, porque são comandados/ controlados pela consciência, realizamo-los porque queremos. 
No caso dos atos que executamos, é fácil sabermos se são voluntários ou não, porque sabemos se os estamos a realizar de forma intencional ou não. Já no que se refere aos atos das outras pessoas, pode, em muitas circunstâncias, ser mais difícil, pois não podemos entrar na cabeça dos outros para ver o que se passa realmente 'lá dentro': um vizinho sonâmbulo pode passar por mim na rua atuando sob um ataque de sonambulismo que, se não houver um indício desse facto (estar de pijama ou andar como um zombie), eu poderei julgar que ele estaria a passear, executando, por isso, uma ação, um ato voluntário.
Mas em muitos casos nós sabemos se a pessoa tinha alternativa, se podia ter feito algo de diferente: ser vir uma pessoa a voltar para trás repetidas vezes para ver se trancou o carro, posso concluir que se trata de alguém com um comportamento compulsivo (a ser assim, os seus atos repetitivos seriam involuntários, porque a pessoa simplesmente não podia deixar de os executar). Por outro lado, se for com um amigo a um café e ele pedir um água, sei que se trata de um ato voluntário, porque ele teria um leque variado de opções: não beber nada, beber um café, uma cola, etc..

6. Dê um exemplo de uma ação e identifique nesse exemplo os elementos constitutivos da ação. (20 pontos)

O João, como tinha teste de História daí a três dias, foi estudar para a biblioteca municipal. Hoje pensa que as horas que passou a estudar foram determinantes para o resultado: uma classificação de 18 valores.

Agente: O João;
Motivo: O teste de História - que está na origem da necessidade de estudar;
Intenção: Estudar para aprender a matéria do teste;
Consequências: a classificação de 18 valores.


Grupo III
Este grupo é composto por uma questão de desenvolvimento.

Texto 3
“O tema deste livro é uma pergunta que me persegue, creio que desde que faço uso da razão. Mais, ou ainda pior: é a pergunta que deu sentido ao uso da minha razão e também a que que revelou o sentido de tal racionalidade. Para começar, ingenuamente, posso colocá-la assim: em que consiste a liberdade?  Mas, mal é formulado enreda-se-me com outras – como costuma ocorrer com as verdadeiras questões filosóficas – que obstruem e retardam a sua resposta direta: existe realmente liberdade? É algo que tenho antes de o saber que o tenho ou algo que só adquiro ao saber que o tenho ou algo que para ter devo renunciar a saber com precisão o que é? Sou capaz de liberdade ou sou liberdade e por isso capaz de ser humano?”
Fernando Savater, A Coragem de Escolher, p. 13.
   
 1. Responda às questões colocadas no texto 3 posicionando-se perante o problema do livre-arbítrio. Deve defender argumentativamente a sua tese referindo-se expressamente às teorias sobre o livre-arbítrio estudadas. (50 pontos)

Perante o problema do livre-arbítrio defendo o compatibilismo.
O compatibilismo sustenta que se bem que exista um determinismo natural, pois, tal como é pressuposto pelo Princípio da Razão Suficiente "nada acontece sem razão", ou "tudo o que acontece tem uma causa", nós também podemos causar as nossas ações porque somos dotados de uma vontade livre.
Assim, em relação à questão: "Existe realmente liberdade", a minha resposta é sim. Sou livre de escolher o que fazer, mas isso não significa que possa fazer tudo o que quiser - ao contrário do que é defendido pelo libertismo, a minha liberdade é condicionada pela causalidade natural e, também, pela causalidade racional - ao escolher eu sigo o que me parece melhor, em virtude das minhas aprendizagens anteriores. 
A liberdade consiste no poder de fazer escolhas a partir daquilo que acontece: se o deflagrar um incêndio na sala onde estou a trabalhar, posso escolher enfrentar o fogo, tentando apagá-lo com o que tiver à mão, ou fugir, procurando socorro. A escolha é minha, mas as opções são ditadas pelas circunstâncias (pela causalidade exterior/material ou, também, pela causalidade interior/mental - posso optar por fugir se não souber que perto dali existe um extintor, ou se, sabendo-o, eu não souber utilizar o extintor).
Quanto à questão: "(A liberdade) é algo que tenho antes de o saber que o tenho ou algo que só adquiro ao saber que o tenho ou algo que para ter devo renunciar a saber com precisão o que é?", a resposta só pode ser complexa, como a própria questão:
1º - Nós somos livres mesmo que não saibamos o que é a liberdade, aliás, seria impossível vivermos uma vida humana sem fazermos escolhas livres. Mas ao descobrirmos que somos livres podemos aperfeiçoar a nossa capacidade de escolha, porque podemos aprender a fazer escolhas mais ponderadas, o que aumenta o nosso campo de ação e as nossas possibilidades de acerto;
2º - há muitas coisas na nossa natureza que não são ainda conhecidas com precisão - quer porque ainda não conseguimos ter um conhecimento profundo sobre isso, quer porque é provável que possam ser sempre uma incógnita (por mais que descubramos a sei respeito saberemos sempre pouco). A ciência ainda está muito longe de descobrir o que é a liberdade, não é por acaso que o problema do livre-arbítrio é um dos mais importantes, e mais constantes, da história da filosofia. E isso é bom: ao levantarmos questões sobre a liberdade, estamos a usar a liberdade e, ao mesmo tempo, a alargar os seus limites. Assim, acho que não devemos renunciar ao questionamento, mas não devemos ter a pretensão de alcançar uma resposta definitiva, porque o ser humano é um ser em aberto;
3º - isto permite-nos responder à última questão ("Sou capaz de liberdade ou sou liberdade e por isso capaz de ser humano?"): uma coisa não é separável da outra, sem liberdade não seríamos humanos, por isso, podemos dizer que sermos humanos é sermos capazes de liberdade e sermos capazes de liberdade é sermos humanos, a nossa humanidade exerce-se através da liberdade, sermos humanos é sermos livres.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Teste 2 - Matriz

Nota: neste teste é obrigatório o uso de folha de teste.
Seja original e crítico nas suas respostas.


Por motivos óbvios de economia de tempo, nesta matriz não repetimos hiperligações. Sendo assim, a partir do objectivo 15, os objectivos que estão sem hiperligações são referidos nas hiperligações anteriores.
Os links dos objectivos 1 a 14 estão incorporados na matriz do teste 1.

Objectivos / Conteúdos:

1. Definir etimologicamente o termo 'Filosofia';
2. Reconhecer a importância filosófica do 'conhece-te a ti mesmo' socrático;
3. Reconhecer a importância filosófica do espanto/da admiração (o reconhecimento da ignorância);
4. Caracterizar a filosofia como uma busca da verdade;
5. Problematizar o conceito de verdade;
6. Conhecer e aplicar os Princípios Lógicos da Razão;
7. Identificar os componentes do argumento: premissa(s) e conclusão;
8. Caracterizar o senso comum;
10. Caracterizar a filosofia a partir das suas principais características: radicalidade; autonomia; historicidade e universalidade;
11. Confrontar a filosofia com a ciência tendo em conta o objecto de cada um destes saberes;
12. Explicar a alegoria da caverna.
13. Definir o conceito de problema;
14. Explicar a atitude filosófica;
15. Identificar os diversos elementos constitutivos da ação (os conceitos da ‘rede conceptual da ação’);
16. Definir e relacionar os conceitos de agente, motivo, intenção e consequências (da ação);
17. Distinguir atos voluntários e involuntáriosApresentação
18. Reconhecer que os atos involuntários podem ser conscientes ou inconscientes;
19. Definir a ação como ato voluntário;
20. Reconhecer que os atos voluntários são sempre conscientes;
21. Explicar a deliberação enquanto processo decisório;
22. Explicar porque é que o comportamento humano não é (totalmente) previsível;
23. Explicar a influência das condicionantes biológicas no comportamento humano;
24. Explicar a importância das condicionantes sócio-culturais no comportamento humano;
25. Reconhecer a existência da liberdade como fator decisivo na produção da ação humana; Apresentações
26. Interpretar o filme 'O menino selvagem' atendendo às condicionantes da ação humana e às características fundamentais da natureza humana - o homem como animal social;
27. Reconhecer que nem todos os atos do homem são atos humanos;
28. Reconhecer que o ser humano não nasce humano;
29. Analisar o problema do livre-arbítrio;
30. Explicar as teses e os argumentos do determinismo radical;
31. Explicar as teses e argumentos do libertismo;
32. Reconhecer as limitações do determinismo radical e do libertismo (através da análise das objeções a cada uma das teorias);
33. Explicar as teses e argumentos do compatibilismo (determinismo moderado);
34. Colocar problemas de forma pertinente;
35. Identificar teses e argumentos;
36. Construir argumentações sólidas.

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Recursos:

Fichas Formativas sobre a ação humana

Lista de artigos do blogue sobre a matéria relacionada com a ação humana




quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Teste Sumativo I - 10ºD - Correção

Pode visualizar o teste clicando aqui

Filosofia 10                                 Teste Sumativo 1  - Correção
Professor Paulo Gomes

Grupo I

Versão 1            Versão 2
 1.B                           1.C
 2.B                           2.D
 3.C                           3.B
 4.B                           4.C
 5.A                           5.D
 6.C                           6.A
 7.B                           7.C
 8.D                           8.B
 9.C                            9.C
 10.                           10.

Grupo II

1. Aceitava-se uma das seguintes frases interrogativas:
   -  O que é a filosofia?
    - O que caracteriza a filosofia?
    - O que caracteriza a interrogação filosófica?
    - O que é que caracteriza a atitude filosófica?

2. A filosofia é uma atividade crítica/ um saber crítico (“A face positiva e a face negativa da atitude filosófica constituem o que chamamos atitude crítica e pensamento crítico”).

3.  Argumento 1 – “A primeira característica da atitude filosófica é negativa – é um dizer não ao senso comum”;
     Argumento 2 – A atitude filosófica é interrogativa (“A segunda característica da atitude filosófica é positiva, isto é, uma interrogação sobre o que são as coisas, as ideias, os factos, as situações, os comportamentos, os valores, nós mesmos (...)”;
    Argumento 3 – A filosofia começa com o reconhecimento da ignorância (“A filosofia (...) começa por dizer que não sabemos o que imaginávamos saber).

As repostas dadas a seguir servem apenas para ilustrar o que se pedia no enunciado, não são respostas modelo, ou seja, são possíveis respostas diferentes que obedeçam às instruções do enunciado das questões.

4. O texto defende que a Filosofia é um saber crítico: por um lado, pressupõe uma ruptura com o senso comum "(a atitude filosófica) é um dizer não ao senso comum". Por outro lado, assenta no reconhecimento da ignorância e no questionamento sobre o que somos e sobre a realidade.
Há muitas questões que podemos colocar, no sentido de clarificar esta tese:
Em primeiro lugar, em relação à ruptura com o senso comum: em que é que consiste esta ruptura? O senso comum é um saber totalmente desprovido de sentido? Poderá haver verdade no senso comum?
O problema não está no senso comum, mas na forma como o encaramos: para vivermos a nossa vida quotidiana precisamos do senso comum, na medida em que ele nos dá informações básicas sobre o mundo em que vivemos, sobre como funcionam as coisas e os processos necessários à nossa vida (como utilizar a energia elétrica, abrir as portas, como nos orientarmos no espaço, etc.), sem essas informações não conseguiríamos levar uma vida 'normal'.
Contudo, se não saírmos desse nível de conhecimento, muito superficial, acabamos por viver numa ignorância que nos aprisiona, isto porque a realidade é muito mais complexa do que podemos imaginar à primeira vista e, também, porque o sentido da nossa vida depende do que acreditamos acerca de nós próprios e da realidade. Se vivermos mergulhados em preconceitos nunca poderemos ter uma compreensão profunda e abrangente sobre tudo (o universo, a vida, nós próprios...). É aqui que temos que romper com o senso comum: libertando-nos de preconceitos e assumindo que só através da razão (do questionamento e da argumentação) poderemos compreender o sentido disto tudo...
Nem tudo no senso comum é falso, mas se não tivermos uma atitude crítica em relação a ele, nunca poderemos, por assim dizer, separar 'o trigo do joio', a verdade da falsidade. E isso só acontece se desenvolvermos a nossa Razão, se nos tornarmos capazes de colocar questões cada vez mais profundas que nos permitam alcançar respostas cada vez mais bem fundamentadas. É aqui que intervém o reconhecimento da nossa ignorância, sem ele acabamos por achar que o nosso conhecimento é suficiente e, nesse caso, o mundo, para nós, resume-se à 'caverna' das nossas ilusões.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Teste Sumativo I 10ºE - Correção

Pode visualizar o teste clicando aqui


Filosofia 10                                 Teste Sumativo 1  - correção
Professor Paulo Gomes

Grupo I

Versão 1            Versão 2
 1.C                           1.B
 2.D                           2.A
 3.C                           3.A
 4.D                           4.B
 5.B                           5.D
 6.A                           6.C
 7.A                           7.C
 8.D                           8.C
 9.C                            9.D
 10.C                         10.A

Grupo II

1. Aceitava-se uma das seguintes frases interrogativas:
   -  O que é a filosofia?
    - O que caracteriza a filosofia?
    - O que caracteriza a interrogação filosófica?
    - O que é que caracteriza a atitude filosófica?

2. A filosofia é uma atividade crítica/ um saber crítico (“A face negativa e a face negativa da atitude filosófica constituem o que chamamos atitude crítica e pensamento crítico”).

3.  Argumento 1 – “A primeira característica da atitude filosófica é negativa – é um dizer não ao senso comum”;
     Argumento 2 – A atitude filosófica é interrogativa (“A segunda característica da atitude filosófica é positiva, isto é, uma interrogação sobre o que são as coisas, as ideias, os factos, as situações, os comportamentos, os valores, nós mesmos (...)”;
    Argumento 3 – A filosofia começa com o reconhecimento da ignorância (“A filosofia (...) começa por dizer que não sabemos o que imaginávamos saber).

As repostas dadas a seguir servem apenas para ilustrar o que se pedia no enunciado, não são respostas modelo, ou seja, são possíveis respostas diferentes que obedeçam às instruções do enunciado das questões.

4. A filosofia é um saber crítico, porque o seu ponto de partida é o reconhecimento da ignorância (o espanto) que nasce da ruptura com o senso comum.
O filósofo põe em causa o dogmatismo do senso comum, pondo em dúvida tudo o que parece óbvio, todas as evidências que nascem da nossa experiência quotidiana do mundo e da vida.
A alegoria da caverna mostra isso muito bem: nós somos os homens que estão presos na caverna. É certo que não estamos amarrados, mas é como se o estivéssemos: enquanto não nos interrogamos sobre o que é o mundo, o que somos, até que ponto o que conhecemos é  verdadeiro, estamos numa situação semelhante à dos prisioneiros da caverna.
Se nos interrogarmos, se duvidarmos de tudo o que nos parece evidente sem que, de facto, tenhamos uma justificação racional para tal, então, somos como o homem que se liberta da caverna, porque rompemos com as ilusões do senso comum, com o ‘ilusionismo’ de tudo nos parecer banal e sem qualquer mistério na sua base...
Tal como o homem que se liberta da caverna se espanta ao aperceber-se da ignorância em que vivia antes de sair da caverna, também nós iremos descobrir que afinal a realidade é muito mais vasta do que julgávamos.

5. O poema pode ilustrar a atitude filosófica porque assume uma orientação interrogativa marcada pela radicalidade. Ao perguntar ‘Que sou eu?’ o poeta coloca-se na posição socrática da busca do conhecimento de si próprio. Para Sócrates a filosofia baseava-se na máxima ‘conhece-te a ti mesmo’, porque quem não procura conhecer-se a si próprio nunca poderá reconhecer a sua ignorância, ficando preso às ilusões do senso comum.
O reconhecimento da ignorância é predominante no poema (“Ignoramos; dar-lhe o nome de Deus não nos conforta”). E este é acompanhado pela formulação de hipóteses explicativas, mesmo que não seja dada uma resposta conclusiva às interrogações, somos ‘espicaçados’, obrigados a questionarmo-nos sobre nós e a nossa situação no mundo: “Talvez o destino humano, (...), Seja instrumento de Outro”.

6. A filosofia é um saber radical porque não se contenta com respostas parcelares para os problemas. A interrogação filosófica não tem limites, ela é levada às últimas consequências, daí dizer-se que a filosofia vai à raiz dos problemas.
Por isso a interrogação filosófica tem por objecto a totalidade do real, é uma busca pelo sentido de tudo, do universo e da nossa existência.
As questões filosóficas permitem-nos encontrar respostas que suscitam novas questões. Ao responder a uma questão o filósofo não está a fechar o questionamento, mas, pelo contrário, está a tentar ir ainda mais longe, porque a única certeza que tem é a de que a possibilidade de questionar e de responder é ela própria um enigma: questionando pomos em causa o que sabemos e o que somos, porque o que julgamos saber define-nos a nós e ao mundo, se reconhecermos a nossa ignorância, mudamos de mundo e mudamo-nos – deixamos de estar fechamos num mundo sem graça, completamente definido e desinteressante, para descobrirmos que a vida é uma aventura sem fim, em vez de nos vermos como tristes repetidores do que é habitual, vemo-nos como decifradores de enigmas, espetadores e atores no maior espetáculo que imaginar: o universo é fabuloso!

Grupo III

1. Na resposta a esta questão exigia-se a formulação de uma tese geral sobre as tortura que deveria ser justificada. Depois essa tese deveria ser aplicada ao caso concreto.
Neste caso, o único limite que temos na nossa argumentação são os princípios lógicos da razão – não podemos entrar em contradição.
Se defendermos a tese de que a tortura é aceitável temos que definir com clareza em que circunstâncias. É que este caso parece claro, mas, se admitirmos que há situações em que a tortura é aceitável, como saberemos que esta não será aplicada a inocentes?
E aquele que tortura não se torna mau? Quem pode ser bom se for capaz de torturar outro ser humano?
Para justificarmos filosoficamente (o enunciado diz ‘argumentativamente’) uma tese temos, necessariamente que colocar questões pertinentes cuja resposta possa dar consistência à nossa argumentação.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Teste 1 - Matriz

Filosofia - 10º ano

Nota: neste teste é obrigatório o uso de folha de teste.
Seja original e crítico nas suas respostas.
O teste terá a duração de 90 minutos.

Critérios gerais de correção de testes sumativos

Esclarecimento de dúvidas por email - clicar aqui.
(até 24 horas antes do teste - deve indicar o nome, nº. e turma)


Conteúdos:

1. Abordagem introdutória à filosofia e ao filosofar.
1.1.1. O que é a filosofia?
1.1.2. A definição etimológica do termo 'Filosofia'.
1.1.3. A alegoria da caverna.
1.1.4. O espanto como a origem da filosofia: a importância filosófica do reconhecimento da ignorância.
1.1.5. O exemplo de Sócrates.
1.1.5.1. O método socrático.
1.1.6. A especificidade da filosofia.
1.1.6.1. A filosofia como uma atividade crítica.
1.1.6.2. A filosofia como um saber problematizante.

1.2. Quais são as questões da filosofia?
1.2.1. Os diversos tipos de questão.
1.2.1.1. As características das questões filosóficas: a) respostas abertas ao questionamento (as questões filosóficas nunca têm uma resposta unívoca; b) universalidade; c) abstração.
1.2.1. Senso comum, ciência e filosofia.
1.2.1.1. As principais características do senso comum.
1.2.1.2. A filosofia e a ciência enquanto saberes racionais.
1.2.1.2.1. A filosofia e a ciência como saberes que buscam a verdade.
1.2.1.2.1. A filosofia como uma visão integradora do saber (totalizante), distinta da visão parcelar (especializada) da ciência.
1.2.1.3. As principais características da filosofia: radicalidade, autonomia, historicidade e universalidade.

Conceitos:

Autonomia    Atitude Filosófica      Alegoria    Conceito   Crítica     Dúvida
Especificidade   (especificidade da Filosofia)
Filosofia  
Historicidade      Heteronomia
Método
Pensar   (pensar por si próprio)
Problema      Questão    (os diversos tipos de questão)    (as questões filosóficas)
Pressuposto(s)
Radicalidade        Reflexão      Senso Comum
Universalidade   Utilidade da Filosofia
Tese
Verdade

Objectivos:

1. Definir etimologicamente o termo 'Filosofia';
2. Analisar situações que permitam comparar a atitude dos homens comuns com a atitude do filósofo;
3. Reconhecer a importância filosófica do 'conhece-te a ti mesmo' socrático;
4. Refletir sobre o método socrático;
5. Reconhecer a importância filosófica do espanto/da admiração (o reconhecimento da ignorância); (Apresentação sobre a especificidade da Filosofia).
6. Caracterizar a filosofia como uma busca da verdade;
7. Caracterizar o senso comum;
8. Distinguir a filosofia do senso comum; (Apresentação sobre a alegoria da caverna e o senso comum + Apresentação sobre a especificidade da Filosofia).
 9. Caracterizar a filosofia a partir das suas principais características (radicalidade; autonomia; historicidade e universalidade);
10. Distinguir a Filosofia e a Ciência;
11. Confrontar a filosofia com a ciência tendo em conta o objecto de cada um destes saberes ("A filosofia visa a totalidade do real");
12. Explicar a alegoria da caverna; (O texto da alegoria da caverna + vídeo). (Apresentação sobre a alegoria da caverna e o senso comum).
13. Definir o conceito de problema;
14. Identificar os diversos tipos de questão utilizados na Filosofia;
15. Distinguir as questões filosóficas dos outros tipos de questão;
16. Explicar a atitude filosófica;
17. Reconhecer que a filosofia é um saber pessoal e a ciência, um saber objetivo (impessoal);
18. Problematizar a utilidade da Filosofia;
19. Identificar os pressupostos de teses (opiniões);
20. Posicionar-se criticamente perante teses (opiniões);
21. Interpretar textos filosóficos;
22. Construir argumentações sólidas.

Recursos:

Manual - da p.8 à p. 24; da p. 26.

Documentos:










Recursos digitais



Estrutura do teste:

Grupo I - 10 questões de escolha múltipla.
             - 5 a 10 questões de verdadeito/falso.

Grupo II - 2 a 3 questões de resposta orientada.

Grupo III - 1 questão de desenvolvimento.


TESTE MODELO

Teste 1 - Teste - Modelo

Filosofia - 10º Ano
Teste Sumativo 1 (modelo)                                          Outubro de 2016  
Professor Paulo Gomes                                        Duração: 90 minutos
______________________________________________________________
Leia todo o enunciado, antes de começar a responder.
Responda apenas ao que é pedido no enunciado das questões.
Seja original e crítico nas suas respostas.


Grupo I

Subgrupo I.1
Escolha apenas uma alternativa em cada questão

1. A palavra ‘Filosofia’ significa etimologicamente:

     A. ‘Amor à sabedoria’;
     B. ‘sabedoria do amor’;
     C. ‘amor da sabedoria’;
     D. nenhuma das alternativas anteriores está correta.

2. Das seguintes alternativas escolha a que se refere à radicalidade da filosofia:

    A. A filosofia é um saber independente de qualquer outro saber ou de qualquer interesse ou poder exteriores a ela;
    B. O filósofo não recua perante nada nem ninguém na busca da verdade;
    C. A filosofia é fruto da História: tem uma tradição e radica a sua problematização nas solicitações de cada época histórica.
    D. Os problemas da filosofia interessam a todos os seres humanos, do passado, do presente e do futuro.

3. "O senso comum é um saber universal". Esta afirmação é:

     A. Falsa, porque o senso comum é um saber que só alguns homens possuem;
     B. Verdadeira porque todos os homens possuem senso comum;
     C. Falsa, porque, embora todos os homens possuam senso comum, este é um saber relativo;
     D. Verdadeira, porque o senso comum é um saber sobre o universo.

4. “Só sei que nada sei”. Com esta afirmação Sócrates:

     A. reconhece que a filosofia não é um saber;
     B. reconhece que é mais sábio do que aqueles que vivem mergulhados no senso comum;
     C. reconhece que o objetivo da filosofia é a ignorância;
     D. reconhece que os filósofos são ignorantes.

5. "A Filosofia distingue-se das ciências porque estuda a totalidade do real". Esta afirmação é:
     A. Falsa, porque a Filosofia não é um saber racional;
     B. verdadeira porque a Filosofia é uma ciência como as outras;
     C. Falsa, porque a Filosofia é uma ciência como qualquer outra;
     D. verdadeira, porque cada ciência tem um objecto de estudo específico.

6. Aristóteles afirma que a Filosofia começa com o espanto. Isto significa que:

     A. Só pode ser filósofo quem reconhecer a sua ignorância;
     B. a filosofia não se distingue do senso comum;
     C. só os ignorantes podem filosofar;
     D. em Filosofia não há qualquer conhecimento.

7. Na alegoria da caverna, a caverna representa:

     A. a Filosofia;
     B. a Filosofia e as ciências;
     C. as sociedades primitivas;
     D. o senso comum.

8. As questões filosóficas são:

     A. Fechadas, infinitas e universais;
     B. universais, abertas e abstratas;
     C. finitas, abertas e abstratas;
     D. inconclusivas, abrangentes e pessoais.

9. "O senso comum é um saber completamente inútil". Esta afirmação é:

     A. Falsa, porque a Filosofia é a melhor parte do senso comum;
     B. verdadeira porque o senso comum só serve para nos atrapalhar;
     C. Falsa, porque o senso comum serve para nos orientarmos nas tarefas quotidianas;
     D. verdadeira, porque o senso comum só coloca questões, não dando respostas.

10. "Ousa saber! Tem a coragem de usares o teu próprio entendimento!". Esta afirmação de Kant refere-se a uma característica da Filosofia. A qual?

     A. À historicidade;
     B. à radicalidade;
     C. à universalidade;
     D. à autonomia.



Subgrupo I.2

Decida da verdade ou falsidade dos seguintes enunciados:

1. A filosofia é um saber ametódico.
2. O senso comum é um saber superficial.
3. Quem é filósofo é ignorante.
4. Uma característica das questões filosóficas é que estas não admitem uma resposta conclusiva.
5. Autonomia significa: viver na dependência de outrem.
6. A principal diferença da filosofia em relação ao senso comum é que não é possível responder às questões filosóficas.
7. Uma das características da filosofia é a universalidade, uma vez que se trata de um saber que interessa a todos os seres humanos.
8. As questões filosóficas têm origem na nossa curiosidade, no desejo que todos temos de saber mais acerca da realidade.
9. O filósofo, ao colocar questões, interroga-se a si mesmo.
10. A filosofia está mais próxima da ciência do que do senso comum.



Grupo II

Texto 1
A utilidade da filosofia

"Quem não tem umas tintas de filosofia é homem que caminha pela vida fora sempre agrilhoado a preconceitos que derivam do senso-comum, das crenças habituais do seu tempo e do seu país, das convicções que cresceram no seu espírito sem a cooperação ou o consentimento de uma razão deliberada. 
O mundo tende, para tal homem, a tornar-se finito, definido, óbvio; para ele os objectos habituais não levantam problemas, e as possibilidades não familiares são desdenhosamente rejeitadas. 
Quando começamos a filosofar, pelo contrário, imediatamente nos damos conta de que até os objectos mais comuns conduzem o espírito a certas perguntas a que incompletissimamente se dá resposta. A filosofia, se bem que incapaz de dizer ao certo qual venha a ser a verdadeira resposta às variadas dúvidas que ela própria evoca, sugere numerosas possibilidades que nos conferem amplidão aos pensamentos, descativando-nos da tirania do hábito. Varre o dogmatismo, um tudo nada arrogante, dos que nunca chegaram a empreender viagens nas regiões da dúvida libertadora; e vivifica o sentimento de admiração."
Bertrand Russell

1. Partindo de uma análise do texto, distinga a filosofia do senso comum.
2. Podemos afirmar que o texto 1 pode servir de base para a interpretação da alegoria da caverna? Justifique a sua resposta, explicando o que o autor entende por "dúvida libertadora".

Texto 2

A Ciência e a Filosofia

"Se a ciência tende cada vez mais para a especialização, a filosofia, no sentido inverso, quer superar a fragmentação do real, para que o homem seja resgatado na sua integridade e não sucumba à alienação do saber parcelado. Por isso a filosofia tem uma função de interdisciplinaridade, estabelecendo o elo entre as diversas formas do saber e do agir."
3. Comente o texto 2 explicando a relação entre a filosofia e a ciência.

Grupo III
Este grupo é composto por uma questão de desenvolvimento.

                                                Texto 3
Uma mulher norte-americana de 29 anos com um cancro cerebral terminal decidiu pôr fim à sua própria vida no próximo dia 1 de novembro. Mas, antes, associou-se a um movimento civil para pedir aos responsáveis políticos dos Estados Unidos o alargamento da legislação sobre a eutanásia a mais locais do país.

“Não há nenhuma célula suicida no meu corpo”, disse Brittany Maynard numa entrevista à People. Em janeiro deste ano, Brittany viu ser-lhe diagnosticado um glioblastoma multiforme de nível 4, uma forma severa de tumor cerebral com uma taxa muito baixa de sobrevivência. Na altura, os médicos deram-lhe seis meses de esperança de vida e Brittany optou por não fazer os tratamentos de radioterapia adequados à doença, que afetariam significativamente a sua qualidade de vida.

“O meu glioblastoma vai matar-me e isso está fora do meu controlo. Falei com muitos especialistas sobre como ia morrer disso e é uma forma terrível, terrível de morrer. Escolher morrer com dignidade é menos assustador”, afirma Brittany.

A doente lançou na segunda-feira um vídeo onde explica as razões da sua decisão. A iniciativa tem o apoio de um movimento civil, o Compassion & Choices, que criou, juntamente com Brittany, o The Brittany Maynard Fund, um site que tem como objetivo recolher donativos para aquele movimento, que luta pela expansão da eutanásia de pacientes terminais a todos os estados dos Estados Unidos da América.

Atualmente são cinco os que permitem a morte medicamente assistida. Depois de tomar a decisão sobre a sua própria morte, Brittany e o seu marido mudaram-se de São Francisco, no estado da Califórnia, para Portland, no Oregon, um dos estados que tem legislação que permite a eutanásia por motivos médicos. Para a morte ser autorizada, o estado de saúde do doente tem de ser atestado por dois médicos que, depois, fornecem medicação própria para o efeito.

Há pouco mais de duas semanas, Brittany foi hospitalizada brevemente, mas logo após a alta retomou a sua atividade física normal, que em tempos a levou a escalar o Kilimanjaro. “Quero mesmo festejar o aniversário do meu marido, que é a 26 de outubro”, afirma, para explicar porque escolheu 1 de novembro para a data da sua morte. “Estou a ficar cada vez mais doente, tenho cada vez mais dores”, refere.


No dia 1 de novembro, quando morrer, aos 29 anos, Brittany Maynard estará acompanhada pela sua mãe, pelo seu marido e por um amigo próximo. Morrerá no seu quarto, ouvindo música de que gosta.
observador.pt

      1. Concorda com a decisão de Britney? Responda a esta questão justificando argumentativamente a sua posição sobre a eutanásia e aplicando-a a este caso concreto.



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CORREÇÃO