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domingo, 1 de fevereiro de 2015

Teste 2 - 10ºD - Versão 2

Grupo I
Escolha apenas uma alternativa em cada questão.
(10 x 6 pontos)
1. O motivo é:

     A. O objectivo que o agente quer alcançar;
     B. a principal consequência da ação;
     C. a causa principal da ação;
     D. a razão de ser da ação.

2. Os atos voluntários:

     A. Estão dependentes do mecanismo do estímulo-resposta;
     B. não dependem da liberdade do agente;
     C. são atos intencionais;
     D. não são motivados.

3. "A Filosofia distingue-se das ciências porque estuda a totalidade do real". Esta afirmação é:

     A. Verdadeira, porque a filosofia é um saber universal e radical;
     B. verdadeira porque a Filosofia é uma ciência como as outras;
     C. falsa, porque a Filosofia não é um saber racional;
     D. falsa, porque a Filosofia é uma ciência como qualquer outra.

4. Segundo o determinismo radical:

     A. O ser humano é livre de escolher o seu destino;
     B. todos os comportamentos, mesmo os dos seres humanos, dependem da causalidade natural;
     C. a liberdade é uma característica fundamental da natureza humana;
     D. os seres humanos não estão totalmente dependentes da causalidade natural.

5. “A liberdade é uma ilusão livremente criada por nós”. Este enunciado:

     A. Viola o princípio do terceiro excluído;
     B. não viola nenhum princípio lógico;
     C. viola o princípio da identidade;
     D. viola o princípio da não-contradição.


6. Aristóteles afirma que a Filosofia começa com o espanto. Isto significa que:

     A. A filosofia é um saber antidogmático;
     B. a filosofia não se distingue do senso comum;
     C. a filosofia é um saber acrítico;
     D. em Filosofia não há qualquer conhecimento.

7. O menino selvagem, quando foi capturado:

     A. Tinha um comportamento humano;
     B. tinha a consciência de que não era um ser humano;
     C. não conseguia executar atos involuntários;
     D. não tinha liberdade.

8. "Ousa saber! Tem a coragem de usares o teu próprio entendimento!". Esta afirmação de Kant refere-se a uma característica da Filosofia. A qual?

     A. À historicidade;
     B. à autonomia;
     C. à universalidade;
     D  à radicalidade.

9. A Filosofia existiria se o determinismo radical tivesse razão?

     A. Sim, por que a Filosofia é um saber radical;
     B. não, porque sem liberdade não há autonomia;
     C. não, porque a Filosofia é um saber dogmático;
     D. sim, porque só existe Filosofia porque o homem é um animal racional.

10. "Todos os conteúdos do senso comum são inúteis". Esta afirmação é:

     A. Falsa, porque tudo no senso comum é falso;
     B. verdadeira porque o senso comum é um saber comprovado;
     C. falsa, porque o senso comum é imprescindível à nossa vida quotidiana;
     D. verdadeira, porque o senso comum é um saber ilusório.




Grupo II

Texto 1
   “Com os homens nunca podemos ter bem a certeza, ao passo que com os animais, ou outros seres naturais, sim. Os castores fazem represas nos ribeiros e as abelhas favos com alvéolos hexagonais: não há castores que se sintam tentados a fazer alvéolos de favos, nem abelhas que se dediquem à engenharia hidráulica. No seu meio natural cada animal parece saber perfeitamente o que é bom e o que é mau para ele, sem discussões nem dúvidas.
     Por grande que seja a nossa programação biológica ou cultural, nós, seres humanos, podemos acabar por optar por algo que não está no programa (pelo menos que lá não está totalmente). Podemos dizer «sim» ou «não», «quero» ou «não quero». Por muito apertados que nos vejamos pelas circunstâncias, nunca temos um só caminho, mas sempre vários.”                                      
Fernando Savater, Ética para um jovem.

    1. Identifique e formule o problema central do texto 1. (10 pontos)

O problema central do texto pode ser formulado da seguinte forma (bastava referir uma questão):

O ser humano é livre?
Existe liberdade?
O nosso comportamento é totalmente determinado?
O comportamento humano é previsível?

    2. Qual é a tese central do texto 1? (15 pontos)

O texto defende a tese de que o comportamento humano não é prevísivel/ O ser humano é livre -   "Por grande que seja a nossa programação biológica ou cultural, nós, seres humanos, podemos acabar por optar por algo que não está no programa (pelo menos que lá não está totalmente)."

    3. Exponha o(s) argumentos(s) com que o autor justifica a tese central do texto. (20 pontos)

Os argumentos/ justificações:

1. O comportamento humano é imprevisível, ao contrário do que se passa com os animais: "Com os homens nunca podemos ter bem a certeza, ao passo que com os animais, ou outros seres naturais, sim";
2. O comportamento animal está biologicamente padronizado e é invariante: "Os castores fazem represas nos ribeiros e as abelhas favos com alvéolos hexagonais: não há castores que se sintam tentados a fazer alvéolos de favos, nem abelhas que se dediquem à engenharia hidráulica."
3. Os animais não precisam de ponderar o que fazer (o seu comportamento é instintivo): "No seu meio natural cada animal parece saber perfeitamente o que é bom e o que é mau para ele, sem discussões nem dúvidas";
4. O ser humano tem sempre mais do que uma opção: "Podemos dizer «sim» ou «não», «quero» ou «não quero». Por muito apertados que nos vejamos pelas circunstâncias, nunca temos um só caminho, mas sempre vários".

Texto 2

“A verdade é que existe uma diferença entre o que simplesmente me acontece (viro um copo com um safanão na mesa ao ir buscar o sal), o que faço sem me dar conta e sem querer ...), o que faço sem me dar conta mas segundo uma rotina adquirida voluntariamente (como meter os pés nos chinelos quando me levanto da cama meio adormecido) e o que faço apercebendo-me e querendo (...). Parece que a palavra "ação" é uma palavra que apenas convém à última destas possibilidades. É evidente que ainda existem outros gestos difíceis de classificar mas que à partida parecem qualquer coisa menos "ações": por exemplo, fechar os olhos e levantar o braço quando alguém me atira alguma coisa à cara ou procurar algo a que me agarrar quando estou quase a cair. Não decididamente uma "ação" é apenas o que eu não teria feito se não tivesse querido fazê-lo: chamo ação a um ato voluntário. (...)
Mas como podemos saber se um ato é voluntário ou não?
Fernando Savater, As perguntas da vida

5. Responda à questão colocada no final do texto 2. (25 pontos)

Os atos voluntários são atos que dependem da nossa vontade, são intencionais. Os atos involuntários são, em contrapartida, atos que executamos sem querer (podendo, até, em casos extremos, ser executados contra a nossa vontade), como diz o texto: "uma "ação" é apenas o que eu não teria feito se não tivesse querido fazê-lo".
Se bem que os atos involuntários possam ser conscientes (os atos involuntários podem ser conscientes ou inconscientes), nesse caso, apesar de termos consciência da execução do ato, pois damos conta da sua execução, sabemos que não somos nós que estamos a comandá-los - o exemplo do texto do copo que viramos sem querer mostra-o bem. 
Os atos voluntários são sempre conscientes, porque são comandados/ controlados pela consciência, realizamo-los porque queremos. 
No caso dos atos que executamos, é fácil sabermos se são voluntários ou não, porque sabemos se os estamos a realizar de forma intencional ou não. Já no que se refere aos atos das outras pessoas, pode, em muitas circunstâncias, ser mais difícil, pois não podemos entrar na cabeça dos outros para ver o que se passa realmente 'lá dentro': um vizinho sonâmbulo pode passar por mim na rua atuando sob um ataque de sonambulismo que, se não houver um indício desse facto (estar de pijama ou andar como um zombie), eu poderei julgar que ele estaria a passear, executando, por isso, uma ação, um ato voluntário.
Mas em muitos casos nós sabemos se a pessoa tinha alternativa, se podia ter feito algo de diferente: ser vir uma pessoa a voltar para trás repetidas vezes para ver se trancou o carro, posso concluir que se trata de alguém com um comportamento compulsivo (a ser assim, os seus atos repetitivos seriam involuntários, porque a pessoa simplesmente não podia deixar de os executar). Por outro lado, se for com um amigo a um café e ele pedir um água, sei que se trata de um ato voluntário, porque ele teria um leque variado de opções: não beber nada, beber um café, uma cola, etc..

6. Dê um exemplo de uma ação e identifique nesse exemplo os elementos constitutivos da ação. (20 pontos)

O João, como tinha teste de História daí a três dias, foi estudar para a biblioteca municipal. Hoje pensa que as horas que passou a estudar foram determinantes para o resultado: uma classificação de 18 valores.

Agente: O João;
Motivo: O teste de História - que está na origem da necessidade de estudar;
Intenção: Estudar para aprender a matéria do teste;
Consequências: a classificação de 18 valores.


Grupo III
Este grupo é composto por uma questão de desenvolvimento.

Texto 3
“O tema deste livro é uma pergunta que me persegue, creio que desde que faço uso da razão. Mais, ou ainda pior: é a pergunta que deu sentido ao uso da minha razão e também a que que revelou o sentido de tal racionalidade. Para começar, ingenuamente, posso colocá-la assim: em que consiste a liberdade?  Mas, mal é formulado enreda-se-me com outras – como costuma ocorrer com as verdadeiras questões filosóficas – que obstruem e retardam a sua resposta direta: existe realmente liberdade? É algo que tenho antes de o saber que o tenho ou algo que só adquiro ao saber que o tenho ou algo que para ter devo renunciar a saber com precisão o que é? Sou capaz de liberdade ou sou liberdade e por isso capaz de ser humano?”
Fernando Savater, A Coragem de Escolher, p. 13.
   
 1. Responda às questões colocadas no texto 3 posicionando-se perante o problema do livre-arbítrio. Deve defender argumentativamente a sua tese referindo-se expressamente às teorias sobre o livre-arbítrio estudadas. (50 pontos)

Perante o problema do livre-arbítrio defendo o compatibilismo.
O compatibilismo sustenta que se bem que exista um determinismo natural, pois, tal como é pressuposto pelo Princípio da Razão Suficiente "nada acontece sem razão", ou "tudo o que acontece tem uma causa", nós também podemos causar as nossas ações porque somos dotados de uma vontade livre.
Assim, em relação à questão: "Existe realmente liberdade", a minha resposta é sim. Sou livre de escolher o que fazer, mas isso não significa que possa fazer tudo o que quiser - ao contrário do que é defendido pelo libertismo, a minha liberdade é condicionada pela causalidade natural e, também, pela causalidade racional - ao escolher eu sigo o que me parece melhor, em virtude das minhas aprendizagens anteriores. 
A liberdade consiste no poder de fazer escolhas a partir daquilo que acontece: se o deflagrar um incêndio na sala onde estou a trabalhar, posso escolher enfrentar o fogo, tentando apagá-lo com o que tiver à mão, ou fugir, procurando socorro. A escolha é minha, mas as opções são ditadas pelas circunstâncias (pela causalidade exterior/material ou, também, pela causalidade interior/mental - posso optar por fugir se não souber que perto dali existe um extintor, ou se, sabendo-o, eu não souber utilizar o extintor).
Quanto à questão: "(A liberdade) é algo que tenho antes de o saber que o tenho ou algo que só adquiro ao saber que o tenho ou algo que para ter devo renunciar a saber com precisão o que é?", a resposta só pode ser complexa, como a própria questão:
1º - Nós somos livres mesmo que não saibamos o que é a liberdade, aliás, seria impossível vivermos uma vida humana sem fazermos escolhas livres. Mas ao descobrirmos que somos livres podemos aperfeiçoar a nossa capacidade de escolha, porque podemos aprender a fazer escolhas mais ponderadas, o que aumenta o nosso campo de ação e as nossas possibilidades de acerto;
2º - há muitas coisas na nossa natureza que não são ainda conhecidas com precisão - quer porque ainda não conseguimos ter um conhecimento profundo sobre isso, quer porque é provável que possam ser sempre uma incógnita (por mais que descubramos a sei respeito saberemos sempre pouco). A ciência ainda está muito longe de descobrir o que é a liberdade, não é por acaso que o problema do livre-arbítrio é um dos mais importantes, e mais constantes, da história da filosofia. E isso é bom: ao levantarmos questões sobre a liberdade, estamos a usar a liberdade e, ao mesmo tempo, a alargar os seus limites. Assim, acho que não devemos renunciar ao questionamento, mas não devemos ter a pretensão de alcançar uma resposta definitiva, porque o ser humano é um ser em aberto;
3º - isto permite-nos responder à última questão ("Sou capaz de liberdade ou sou liberdade e por isso capaz de ser humano?"): uma coisa não é separável da outra, sem liberdade não seríamos humanos, por isso, podemos dizer que sermos humanos é sermos capazes de liberdade e sermos capazes de liberdade é sermos humanos, a nossa humanidade exerce-se através da liberdade, sermos humanos é sermos livres.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Teste Sumativo I - 10ºD - Correção

Pode visualizar o teste clicando aqui

Filosofia 10                                 Teste Sumativo 1  - Correção
Professor Paulo Gomes

Grupo I

Versão 1            Versão 2
 1.B                           1.C
 2.B                           2.D
 3.C                           3.B
 4.B                           4.C
 5.A                           5.D
 6.C                           6.A
 7.B                           7.C
 8.D                           8.B
 9.C                            9.C
 10.                           10.

Grupo II

1. Aceitava-se uma das seguintes frases interrogativas:
   -  O que é a filosofia?
    - O que caracteriza a filosofia?
    - O que caracteriza a interrogação filosófica?
    - O que é que caracteriza a atitude filosófica?

2. A filosofia é uma atividade crítica/ um saber crítico (“A face positiva e a face negativa da atitude filosófica constituem o que chamamos atitude crítica e pensamento crítico”).

3.  Argumento 1 – “A primeira característica da atitude filosófica é negativa – é um dizer não ao senso comum”;
     Argumento 2 – A atitude filosófica é interrogativa (“A segunda característica da atitude filosófica é positiva, isto é, uma interrogação sobre o que são as coisas, as ideias, os factos, as situações, os comportamentos, os valores, nós mesmos (...)”;
    Argumento 3 – A filosofia começa com o reconhecimento da ignorância (“A filosofia (...) começa por dizer que não sabemos o que imaginávamos saber).

As repostas dadas a seguir servem apenas para ilustrar o que se pedia no enunciado, não são respostas modelo, ou seja, são possíveis respostas diferentes que obedeçam às instruções do enunciado das questões.

4. O texto defende que a Filosofia é um saber crítico: por um lado, pressupõe uma ruptura com o senso comum "(a atitude filosófica) é um dizer não ao senso comum". Por outro lado, assenta no reconhecimento da ignorância e no questionamento sobre o que somos e sobre a realidade.
Há muitas questões que podemos colocar, no sentido de clarificar esta tese:
Em primeiro lugar, em relação à ruptura com o senso comum: em que é que consiste esta ruptura? O senso comum é um saber totalmente desprovido de sentido? Poderá haver verdade no senso comum?
O problema não está no senso comum, mas na forma como o encaramos: para vivermos a nossa vida quotidiana precisamos do senso comum, na medida em que ele nos dá informações básicas sobre o mundo em que vivemos, sobre como funcionam as coisas e os processos necessários à nossa vida (como utilizar a energia elétrica, abrir as portas, como nos orientarmos no espaço, etc.), sem essas informações não conseguiríamos levar uma vida 'normal'.
Contudo, se não saírmos desse nível de conhecimento, muito superficial, acabamos por viver numa ignorância que nos aprisiona, isto porque a realidade é muito mais complexa do que podemos imaginar à primeira vista e, também, porque o sentido da nossa vida depende do que acreditamos acerca de nós próprios e da realidade. Se vivermos mergulhados em preconceitos nunca poderemos ter uma compreensão profunda e abrangente sobre tudo (o universo, a vida, nós próprios...). É aqui que temos que romper com o senso comum: libertando-nos de preconceitos e assumindo que só através da razão (do questionamento e da argumentação) poderemos compreender o sentido disto tudo...
Nem tudo no senso comum é falso, mas se não tivermos uma atitude crítica em relação a ele, nunca poderemos, por assim dizer, separar 'o trigo do joio', a verdade da falsidade. E isso só acontece se desenvolvermos a nossa Razão, se nos tornarmos capazes de colocar questões cada vez mais profundas que nos permitam alcançar respostas cada vez mais bem fundamentadas. É aqui que intervém o reconhecimento da nossa ignorância, sem ele acabamos por achar que o nosso conhecimento é suficiente e, nesse caso, o mundo, para nós, resume-se à 'caverna' das nossas ilusões.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Teste Sumativo I 10ºE - Correção

Pode visualizar o teste clicando aqui


Filosofia 10                                 Teste Sumativo 1  - correção
Professor Paulo Gomes

Grupo I

Versão 1            Versão 2
 1.C                           1.B
 2.D                           2.A
 3.C                           3.A
 4.D                           4.B
 5.B                           5.D
 6.A                           6.C
 7.A                           7.C
 8.D                           8.C
 9.C                            9.D
 10.C                         10.A

Grupo II

1. Aceitava-se uma das seguintes frases interrogativas:
   -  O que é a filosofia?
    - O que caracteriza a filosofia?
    - O que caracteriza a interrogação filosófica?
    - O que é que caracteriza a atitude filosófica?

2. A filosofia é uma atividade crítica/ um saber crítico (“A face negativa e a face negativa da atitude filosófica constituem o que chamamos atitude crítica e pensamento crítico”).

3.  Argumento 1 – “A primeira característica da atitude filosófica é negativa – é um dizer não ao senso comum”;
     Argumento 2 – A atitude filosófica é interrogativa (“A segunda característica da atitude filosófica é positiva, isto é, uma interrogação sobre o que são as coisas, as ideias, os factos, as situações, os comportamentos, os valores, nós mesmos (...)”;
    Argumento 3 – A filosofia começa com o reconhecimento da ignorância (“A filosofia (...) começa por dizer que não sabemos o que imaginávamos saber).

As repostas dadas a seguir servem apenas para ilustrar o que se pedia no enunciado, não são respostas modelo, ou seja, são possíveis respostas diferentes que obedeçam às instruções do enunciado das questões.

4. A filosofia é um saber crítico, porque o seu ponto de partida é o reconhecimento da ignorância (o espanto) que nasce da ruptura com o senso comum.
O filósofo põe em causa o dogmatismo do senso comum, pondo em dúvida tudo o que parece óbvio, todas as evidências que nascem da nossa experiência quotidiana do mundo e da vida.
A alegoria da caverna mostra isso muito bem: nós somos os homens que estão presos na caverna. É certo que não estamos amarrados, mas é como se o estivéssemos: enquanto não nos interrogamos sobre o que é o mundo, o que somos, até que ponto o que conhecemos é  verdadeiro, estamos numa situação semelhante à dos prisioneiros da caverna.
Se nos interrogarmos, se duvidarmos de tudo o que nos parece evidente sem que, de facto, tenhamos uma justificação racional para tal, então, somos como o homem que se liberta da caverna, porque rompemos com as ilusões do senso comum, com o ‘ilusionismo’ de tudo nos parecer banal e sem qualquer mistério na sua base...
Tal como o homem que se liberta da caverna se espanta ao aperceber-se da ignorância em que vivia antes de sair da caverna, também nós iremos descobrir que afinal a realidade é muito mais vasta do que julgávamos.

5. O poema pode ilustrar a atitude filosófica porque assume uma orientação interrogativa marcada pela radicalidade. Ao perguntar ‘Que sou eu?’ o poeta coloca-se na posição socrática da busca do conhecimento de si próprio. Para Sócrates a filosofia baseava-se na máxima ‘conhece-te a ti mesmo’, porque quem não procura conhecer-se a si próprio nunca poderá reconhecer a sua ignorância, ficando preso às ilusões do senso comum.
O reconhecimento da ignorância é predominante no poema (“Ignoramos; dar-lhe o nome de Deus não nos conforta”). E este é acompanhado pela formulação de hipóteses explicativas, mesmo que não seja dada uma resposta conclusiva às interrogações, somos ‘espicaçados’, obrigados a questionarmo-nos sobre nós e a nossa situação no mundo: “Talvez o destino humano, (...), Seja instrumento de Outro”.

6. A filosofia é um saber radical porque não se contenta com respostas parcelares para os problemas. A interrogação filosófica não tem limites, ela é levada às últimas consequências, daí dizer-se que a filosofia vai à raiz dos problemas.
Por isso a interrogação filosófica tem por objecto a totalidade do real, é uma busca pelo sentido de tudo, do universo e da nossa existência.
As questões filosóficas permitem-nos encontrar respostas que suscitam novas questões. Ao responder a uma questão o filósofo não está a fechar o questionamento, mas, pelo contrário, está a tentar ir ainda mais longe, porque a única certeza que tem é a de que a possibilidade de questionar e de responder é ela própria um enigma: questionando pomos em causa o que sabemos e o que somos, porque o que julgamos saber define-nos a nós e ao mundo, se reconhecermos a nossa ignorância, mudamos de mundo e mudamo-nos – deixamos de estar fechamos num mundo sem graça, completamente definido e desinteressante, para descobrirmos que a vida é uma aventura sem fim, em vez de nos vermos como tristes repetidores do que é habitual, vemo-nos como decifradores de enigmas, espetadores e atores no maior espetáculo que imaginar: o universo é fabuloso!

Grupo III

1. Na resposta a esta questão exigia-se a formulação de uma tese geral sobre as tortura que deveria ser justificada. Depois essa tese deveria ser aplicada ao caso concreto.
Neste caso, o único limite que temos na nossa argumentação são os princípios lógicos da razão – não podemos entrar em contradição.
Se defendermos a tese de que a tortura é aceitável temos que definir com clareza em que circunstâncias. É que este caso parece claro, mas, se admitirmos que há situações em que a tortura é aceitável, como saberemos que esta não será aplicada a inocentes?
E aquele que tortura não se torna mau? Quem pode ser bom se for capaz de torturar outro ser humano?
Para justificarmos filosoficamente (o enunciado diz ‘argumentativamente’) uma tese temos, necessariamente que colocar questões pertinentes cuja resposta possa dar consistência à nossa argumentação.