quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Trabalho Anual

ESTRUTURA E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO:
O trabalho  será faseado e partirá da seleção de um dos seguintes problemas:referenciadas no Programa de Filosofia (2001):

A. A inteligência artificial: computadores, pensamento e consciência de si.
B. A ética e a verdade aplicada à argumentação: a relação retórica/filosofia.
C. Política, Filosofia e Verdade.
D. A existência do mundo exterior.
E. Razão, Ciência e Verdade.
F. Os limites do conhecimento humano.

Esses problemas serão aprofundados com base na exploração das seguintes obras filosóficas:
Platão, Apologia de Sócrates; (Problemas B, C e F).
Descartes, Os Princípios da Filosofia;(Problemas B, D, E e F).
Bertrand Russell, Os Problemas da Filosofia;(Problemas D, E e F).
Searle, Mente, Cérebro e Ciência. (Problema A).
É possível a escolha de outras obras filosóficas, desde que previamente negociadas com o professor.

1ª fase: Trabalho escrito (versão inicial - 1º período)
2ª fase: Trabalho escrito / Ensaio (versão final - 2º período)
3ª fase: Apresentação oral do trabalho escrito (3º período)

O Conceito


A definição de Conceito – Os conceitos como os elementos constitutivos do pensamento

O pensamento desenvolve-se de acordo com três actos fundamentais do nosso espírito: a conceptualização (ou generalização representativa), o juízo e o raciocínio. A Lógica formal não se preocupa em saber quais as faculdades da mente que estão na base destes
três tipos de operações mentais, isso é uma tarefa para a Psicologia e para a Gnosiologia. O que lhe interessa é conhecer as suas características formais e estabelecer normas que permitam a sua correta articulação formal.
Conceptualizar significa criar uma representação mental de uma classe de objetos ou elementos da realidade externa ou interna. De uma forma mais rigorosa, podemos afirmar que na conceptualização estão envolvidos dois atos da mente: em primeiro lugar, a apreensão das características distintivas presentes num número significativo de elementos de uma classe de objetos pertencentes à realidade, seguida da generalização dessas características, incluindo-as numa representação abstrata das características comuns a todos os elementos dessa classe de objetos. 
Assim, podemos definir o conceito como: a representação abstrata da essência (natureza) de uma classe de objetos. Por exemplo, o enunciado ‘o homem é um animal racional’é a definição do conceito de ‘homem’, porque apresenta as características essenciais da classe dos homens: estas características estão presentes em todos os indivíduos humanos. Mas atenção: o que interessa à Lógica não são as realidades a que os conceitos se referem, mas as propriedades formais dos conceitos, e estas são duas: a 
extensão e a compreensão.

TEXTO

 “Os homens inventaram os conceitos para descrever o mundo que os rodeia. Muito cedo o homem descobriu que certos objetos, acontecimentos, processos e regiões possuíam características semelhantes. Então, agrupou os vários fenómenos em termos das semelhanças descobertas à base de tamanho, peso, localização no tempo e espaço, proveniência, função, etc. Os conceitos vão desde ideias sobre coisas muito simples até às abstrações de alto nível, bastante distanciadas do nível dos objetos concretos. 
O pensamento, o progresso e o desenvolvimento em todos os domínios da atividade humana dependem da exatidão dos nossos conceitos.
Os homens inventaram também símbolos para exprimir o significado dos conceitos. Os símbolos primitivos relacionavam-se de perto com os objetos originais, tais como os desenhos das cavernas, a primitiva escrita pictórica, os hieróglifos. Os modernos sistemas de linguagem vão desde o relativamente simples ao bastante complexo. O uso extensivo de símbolos é uma característica predominante das modernas culturas.
Os conceitos e os símbolos servem para a comunicação, mas são também vitais para o raciocínio e para a descoberta de novas relações. Não podemos pensar bem em qualquer campo de conhecimento sem conhecermos os conceitos sistemáticos em que esse campo assenta. Os níveis avançados em qualquer disciplina baseiam-se em conceitos complexos, especializados e muitas vezes difíceis de compreender.”
Burton, Kimbal e Wing, Anatomia do pensamento, p. 238-239.


A Extensão e a Compreensão do Conceito

Designa-se extensão de um conceito, o conjunto de indivíduos (entidades/objectos) a que o conceito se refere. A maior ou menor extensão de um conceito corresponde ao seu maior ou menor grau de generalidade ou à sua maior ou menor proximidade à singularidade. Assim, atendendo à sua extensão, os conceitos podem ser singulares, particulares, ou universais.

Os conceitos singulares, são aqueles que se referem apenas a um indivíduo. Por exemplo: 
‘Este homem’
‘Maria’.
‘O meu cão’.
‘Aquele autocarro’.

Os conceitos particulares, são aqueles que se referem a parte de uma classe de objectos:
‘Alguns homens’.
‘Alguns animais’.
‘A maioria dos automobilistas’.
‘Certas canetas’.

Os conceitos universais, são aqueles que se referem a todos os membros de uma classe de objectos:
‘Todos os homens’.
‘Os animais’.
‘Todos os cães’.
‘Todos os veículos’.


   
Designa-se compreensão de um conceito, o conjunto de características (dos objectos por ele denotadas) que nele estão representadas. Assim a compreensão do conceito de ‘Homem’, corresponde às características específicas ou essenciais da classe dos homens, ou seja, simplificando, às características comuns a todos os homens. 
Podemos então enunciar a regra da relação entre a compreensão e da extensão dos conceitos (RC1):



Regra RC1 – À medida que a extensão de um conceito cresce, a sua compreensão decresce, e inversamente.

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Os atos do pensamento e a sua expressão lógica

Devemos esclarecer a distinção lógica entre os actos do pensamento e a sua expressão em termos de linguagem formal: no caso do conceito, este é expresso na linguagem natural através da palavra. Como a Lógica se deve afastar o mais possível da ambiguidade polissémica da linguagem natural, o conceito é expresso através do termo. 
Assim, o termo corresponde à designação lógica do símbolo, ou conjunto de símbolos, que se convencionou utilizar para expressar um conceito. De igual modo, a expressão lógica de um juízo designa-se proposição, enquanto que a expressão lógica de um raciocínio tem a designação lógica de argumento. Por razões práticas, daqui para a frente poderemos referir-nos quer aos conceitos, juízos e raciocínios, quer aos termos, proposições e argumentos, ficando estabelecido que, do ponto de vista prático, é indiferente utilizarmos um ou outro tipo de designação. 
Para que se compreenda esta correspondência, consulte-se o seguinte quadro:



_________________
Actividades:
                         1. O que são e para que servem os conceitos? Justifique.
                      2. Poderia existir o pensamento sem conceitos? Porquê?
                      3. Distinga a extensão e a compreensão dos conceitos.
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sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Teste 1 - Matriz

Objetivos:                                                                                                                                                                     
- Definir o conceito de Razão;
- Analisar a origem etimológica do termo ‘razão’: lógos e ratio;
- Identificar diversas acepções do termo ‘razão’; 
- Distinguir razão objetiva e razão subjetiva;
- Definir a verdade de acordo com a teoria da adequação;
- Explicar o princípio da razão suficiente;
- Analisar enunciados com base no princípio da razão suficiente;
- Problematizar o conceito de ordem (racional);
- Relacionar os seguintes conceitos: facto, lei científica e teoria científica;
- Identificar os princípios lógicos da razão.
- Analisar enunciados com base nos princípios lógicos da razão.
- Definir validade formal.
- Distinguir verdade e validade formal;
- Definir forma lógica;
- Definir a lógica;
- Distinguir a lógica enquanto ciência e enquanto arte;
- Compreender os principais objetivos da lógica;
- Definir argumento;
- Identificar os elementos dum argumento;
- Definir indução (argumento indutivo);
- Interpretar o conceito de validade indutiva;
- Definir dedução (argumento indutivo);
- Interpretar o conceito de validade dedutiva;
- Construir argumentos sólidos.

Problemas a explorar:

O que é que torna possível explicar a realidade?         Tudo é racional?
A Razão e a busca da verdade.                                           Porque existe o ser e não o nada?
A racionalidade tem limites?

Estrutura do teste:

Grupo I – I.1. Questões de escolha múltipla (12); 
Grupo II – Questões de resposta curta (definir; analisar; identificar; distinguir; comparar) – 5.
Grupo III – Uma questão de desenvolvimento – num mínimo de 300 palavras. (compreender; explicar; interpretar; relacionar; problematizar).
Cotações: Grupo I – 30% (6 valores); Grupo II – 40% (8 valores); Grupo III – 30% (6 valores). Pesos (questões dos grupos II e III): Exposição dos conteúdos (65%); Estruturação formal das respostas /Qualidade da argumentação (grupo III)(25%); Correção da Expressão Escrita (10%).

Instruções: Não será necessária folha de teste. 
                         O teste terá a duração de 90 minutos.
                         Nos grupos II e III deve ser original e crítico nas suas respostas.
                         Deve ler todo o enunciado antes de começar a responder.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

O que é a lógica?



Breve história da Lógica

A Lógica pode ser definida como, por um lado, a ciência que estuda as leis que regem a coerência do pensamento e do discurso.
Por outro lado, pode também ser considerada como a arte de pensar e argumentar com coerência e com método.
Enquanto ciência, a Lógica é uma disciplina teórica, verdadeiramente fundamental no que diz respeito a ciências como a Matemática, as Ciências da Computação e a Inteligência Artificial.
Como Arte de pensar com coerência, a Lógica revela a sua utilidade como uma via para disciplinar a mente e exercitar as capacidades racionais que, muitas vezes, descuramos e não utilizamos devidamente, para nosso prejuízo e daqueles que connosco têm que trocar argumentos.
Tendo sido fundada por Aristóteles (que lhe deu a designação de Analítica), a Lógica foi, ao
Aristóteles  384 a.C - 322 a.C.
longo da história do pensamento Ocidental, o palco de uma das maiores aventuras do pensar: a busca de um método comum a todos os saberes racionais, que permitisse estabelecer as bases definitivas da verdade acessível à Razão humana. A própria designação que os bibliotecários de Alexandria deram ao conjunto de tratados lógicos de Aristóteles – Órganon – é reveladora dessa demanda: órganon é uma palavra grega que significa instrumento. A Lógica foi, desde a sua fundação, considerada o instrumento das ciências ( ou melhor: das demonstrações científicas ). Esta ‘instrumentalização’ de uma disciplina filosófica levou a que, até ao Renascimento ( e, em muitos casos, para além dele), a Lógica fosse banalizada, transformada em mera arte mnemónica ( quer dizer: arte de memorizar ), sem qualquer espaço de manifestação da criatividade e da originalidade que caracteriza o exercício verdadeiramente filosófico da racionalidade.
Podemos afirmar, embora simplificando demais as coisas, que a história da Lógica está dividida em dois grandes períodos, que correspondem também a duas formas radicalmente distintas da sua sistematização: a Lógica Clássica e a Lógica Moderna. A assenta nos alicerces da analítica aristotélica – de facto, as inovações que foram sendo acrescentadas ao sistema aristotélico não introduziram mudanças dramáticas na sua estrutura, apenas a tornaram mais operacional e mais coerente. (Por esta razão é comum identificar a lógica clássica com a lógica aristotélica)
A Lógica Moderna, também designada como Lógica Simbólica, Lógica Matemática ou Logística nasceu da necessidade de construção de linguagens simbólicas artificiais, que pudessem expressar, de forma rigorosa, os conceitos e as operações do pensamento matemático. É que a Lógica Clássica estava demasiado dependente da estrutura gramatical da linguagem natural, fundamentalmente do grego clássico, não conseguindo ser, ao contrário da intenção de Aristóteles, verdadeiramente formal: mesmo separando a forma do pensamento do seu conteúdo, a lógica Clássica estando dependente da estrutura gramatical da linguagem natural, ‘contaminava’, por assim dizer, o pensamento com elementos que lhe são estranhos.
Esta necessidade de encontrar linguagens simbólicas completamente desligadas da linguagem natural e da sua vinculação à realidade material, capazes de permitir ao pensamento ultrapassar as barreiras que a linguagem natural lhe impõe, foi sentida principalmente no horizonte das matemáticas. É quase impossível actualmente conceber a possibilidade da não existência de uma linguagem simbólica seguida por todos os matemáticos. Mas era essa a situação que vigorou até ao início do século XX: não existia uma notação matemática uniformizada, o que dificultava, e muitas vezes impedia, o progresso no âmbito desta ciência. É um facto que muitos matemáticos não foram tão longe quanto poderiam ter ido por lhes faltar uma linguagem formalizada que pudesse conduzir o pensamento nos meandros mais intrincados das demonstrações mais complexas. No caso de Descartes, Pascal e Leibniz (grandes filósofos e matemáticos), por exemplo, temos a tentativa de encontrar sistemas simbólicos que pudessem servir às demonstrações matemáticas, mas sem sucesso.
Bertrand Russell 1872-1970
Foi em 1913 que foi publicada, por Bertrand Russell e A. N. Whitehead, a que foi considerada a obra mais revolucionária da história da Lógica: Principia Mathematica (Princípios da Matemática). Aí foi  apresentada à comunidade científica a notação que hoje é usada em Matemática, e foram estabelecidas as bases de uma Lógica verdadeiramente formal, a que se deu a designação de Lógica simbólica.
Hoje, a Lógica é a única disciplina filosófica que pode ser considerada uma ciência: ela é uma ciência cujo território se situa na confluência da Filosofia com a Matemática. É uma ciência transdisciplinar, que nos mostra que no saber racional, por mais rigoroso e formal, não há compartimentos estanques, porque a busca da verdade é o mais difícil dos intentos humanos, mas também o mais frutuoso.
Podemos afirmar que a noção tradicional de verdade inviabilizava o progresso do conhecimento científico e a evolução das sociedades humanas, no sentido de uma racionalidade civicamente radicada na convivialidade, tal como hoje é vivida nas sociedades democráticas. Se admitirmos que a verdade não é histórica e não admite mudanças, estamos a negar, ao mesmo tempo, a diversidade cultural como fenómeno antropologicamente decisivo e a possibilidade das teorias científicas poderem ser postas em causa e serem substituídas por teorias mais consistentes e que expliquem melhor os fenómenos.
A Lógica, ao estabelecer os princípios que fundam o uso correcto da razão, não decide o que se pode pensar, ou seja, o conteúdo do pensamento, mas antes como se deve pensar. Por exemplo: duas teorias científicas contraditórias têm que estar de acordo com esses princípios. A teoria da gravitação universal de Newton obedecia aos princípios lógicos da razão, tal como a teoria da relatividade de Einstein que substitui a primeira. Ambas as teorias são formas de aproximação à verdade, mas a de Einstein é mais consistente, pois
explica melhor o funcionamento da realidade, mas ambas são coerentes, ou seja, têm congruência lógica.
Sendo assim, a Lógica permite que a humanidade não fique entregue ao relativismo, pois garante a possibilidade de uma verdade que admite modificações, sempre com vista à expansão da racionalidade e à compreensão, cada vez mais profunda e abrangente, da realidade que, como é óbvio, envolve um alargamento da consciência que o homem tem do seu lugar no Universo.
Porque a Lógica não nos diz que verdades conhecer, antes procura estudar as bases da validade dos nossos argumentos.    
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O que é a Lógica?
Texto 1
Todos nós raciocinamos. Tentamos descobrir como as coisas são raciocinando com base naquilo que já sabemos. Tentamos persuadir os outros de que algo é de determinada maneira dando-lhes razões. A lógica é o estudo do que conta como uma boa razão para o quê, e porquê. Temos no entanto de compreender esta afirmação de um certo modo. Aqui estão dois trechos de raciocínio — os lógicos chamam-lhes inferências:

1.       Roma é a capital da Itália, e este avião aterra em Roma; logo, o avião aterra na Itália.
2.       Moscovo é a capital dos EUA; logo, não podemos ir a Moscovo sem ir aos EUA.

            Em ambos os casos as afirmações antes do «logo» — os lógicos chamam-lhes premissas — são as razões dadas; as afirmações depois do «logo» — os lógicos chamam-lhes conclusões — são aquilo que as razões devem sustentar. O primeiro trecho de raciocínio está correcto, mas o segundo é completamente descabido, e não iria persuadir ninguém com um conhecimento elementar de geografia: a premissa de que Moscovo é a capital dos EUA é, simplesmente, falsa. Note-se que, contudo, se a premissa fosse verdadeira — por exemplo, se os EUA tivessem comprado a Rússia toda (e não apenas o Alasca) e tivessem mudado a Casa Branca para Moscovo para estarem perto dos centros do poder Europeus — a conclusão seria de facto verdadeira. A conclusão ter-se-ia seguido da premissa; e essa é a preocupação da lógica. A lógica não se preocupa em saber se as premissas de uma inferência são verdadeiras ou falsas. Isso é o trabalho de outras pessoas (neste caso, do geógrafo). A lógica apenas está preocupada em saber se a conclusão se segue das premissas. Os lógicos chamam válidas a todas as inferências em que de facto a conclusão se segue das premissas. Assim, o objectivo principal da lógica é compreender a validade.
Graham Priest, Lógica, Temas e Debates, 2002 (Trad. Célia Teixeira), p.15-16
Texto copiado daqui.

Texto 2
Diz-se, por vezes, que a lógica é o estudo dos argumentos válidos; é uma tentativa sistemática para distinguir os argumentos válidos dos inválidos. Neste estádio, tal caracterização tem o defeito de explicar o obscuro em termos do igualmente obscuro. O que é afinal a validade? Ou, já agora, o que é um argumento? Para começar pela última noção, mais fácil, podemos dizer que um argumento tem uma ou mais premissas e uma conclusão. Ao avançar um argumento, damos a entender que a premissa ou premissas apoiam a conclusão. Esta relação de apoio é habitualmente assinalada pelo uso de expressões como “logo”, “assim”, “consequentemente”, “portanto, como vês”. Considere-se esse velho e aborrecido exemplo de argumento:

Sócrates é um homem.
Todos os homens são mortais.
Logo, Sócrates é mortal.

As premissas são “Sócrates é um homem” e “Todos os homens são mortais”. “Logo” é o sinal de um argumento e a conclusão é “Sócrates é mortal”.
A vida real nunca é tão evidente e inequívoca como seria se todas as pessoas falassem da maneira como falariam se tivessem lido manuais de lógica a mais numa idade facilmente impressionável. Por exemplo, muitas vezes avançamos argumentos sem apresentar todas as nossas premissas.

Icabod teve negativa.
Logo, não pode passar de ano.

Neste argumento está implícita aquilo a que chamamos uma premissa suprimida; nomeadamente, a de que nenhum estudante que tenha negativa passa de ano. Pode ser tão óbvio, pelo contexto, qual a premissa que está a ser pressuposta, que seja pura e simplesmente demasiado aborrecido formulá-la explicitamente. Formular explicitamente premissas que fazem parte do pano de fundo de premissas partilhadas é uma forma de pedantismo. Contudo, temos de ter em mente que qualquer argumento efectivamente usado pode ter uma premissa suprimida que tenha de se explicitar para que possa ser rigorosamente analisado. Em nome do rigor completo, praticaremos neste estudo um certo grau de pedantismo.
Regressaremos a outras questões acerca da natureza dos argumentos depois de uma primeira caracterização da noção de validade. Com este fim em vista, considere- se os seguintes pequenos argumentos simples:

I
O céu é azul e a relva verde.
Logo, o céu é azul.

Todos os estudantes do Balliol College são inteligentes.
Icabod é um estudante do Balliol College.
Logo, Icabod é inteligente.

II
Ou o céu é azul, ou a relva é cor de laranja.
Logo, a relva é cor de laranja.

Icabod é inteligente.
Icabod estuda no Balliol College.
Logo, todos os estudantes do Balliol College são inteligentes.
Há qualquer coisa de infeliz nos argumentos apresentados no grupo II. Podemos imaginar contextos nos quais as premissas seriam verdadeiras e a conclusão falsa. Os argumentos do grupo I têm conclusões verdadeiras sempre que têm premissas verdadeiras. Diremos que são válidos. Isso significa que têm a seguinte propriedade: desde que a(s) premissa(s) seja(m) verdadeira(s), a conclusão será verdadeira. Os argumentos do grupo I têm claramente esta propriedade. Como poderia alguma vez acontecer que o céu fosse azul e a relva verde, sem que o céu fosse azul? Não há maneira nenhuma de Icabod estudar no Balliol College e de todos os estudantes do Balliol College serem inteligentes sem que Icabod seja inteligente. Os argumentos de II carecem da propriedade da validade. As circunstâncias efectivas do mundo fazem com que a premissa do primeiro argumento do grupo II seja verdadeira, mas a conclusão é falsa. E no caso do segundo argumento do grupo II, podemos imaginar circunstâncias nas quais seja verdade que Icabod é inteligente e estuda no Balliol College, mas nas quais (infelizmente) existam outros estudantes não inteligentes cujos espíritos obtusos tornem a conclusão falsa. A lógica é o estudo sistemático dos argumentos válidos. Isto quer dizer que, ao estudar lógica, iremos desenvolver técnicas rigorosas para determinar quais os argumentos que são válidos.
W. H. Newton-Smith
Tradução de Desidério Murcho
Texto retirado de Lógica, de W. H. Newton-Smith (Lisboa: Gradiva, 1998).

Texto copiado daqui.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

A busca da imortalidade

Milionário russo 'descobre' como se tornar imortal


Empresário russo anuncia projeto que vai copiar o seu corpo e o seu cérebro para um holograma e torná-lo imortal a partir de 2045.

Chama-se Projeto Avatar, o seu nome inspirou-se no famoso filme de James Cameron e foi lançado por Dmitry Itskov, um milionário russo de 32 anos, e o seu objetivo é copiar o corpo e o cérebro de uma pessoa para um holograma, de modo a permitir que ela viva eternamente.

Presidente da empresa russa New Media Stars, ligada ao negócio dos media online, Dmitry Itskov, que descreve esta iniciativa como "a próxima etapa da evolução", será a primeira cobaia do Avatar, e afirmou ao jornal britânico "Daily Mail" que "este projeto abre o caminho para a imortalidade".

O Avatar integra-se na "Iniciativa 2045", uma organização sem fins lucrativos fundada pelo empresário russo, que pretende criar uma comunidade em rede com os cientistas que lideram, a nível mundial, a investigação sobre o prolongamento da vida humana através das tecnologias cibernéticas. E que vai financiar projetos muito variados nesta área.

Eliminar o envelhecimento e a morte

A "Iniciativa 2045" salienta no seu manifesto que "é possível e necessário eliminar o envelhecimento e mesmo a morte, e ultrapassar os limites fundamentais das nossas capacidades físicas e mentais, estabelecidos pelas restrições do nosso corpo". 

E destaca que "o maior projeto tecnológico do nosso tempo será a criação de um corpo humano artificial e a subsequente transferência da consciência humana individual para esse corpo".

O milionário russo garante que "um indivíduo com um Avatar perfeito será capaz de se integrar na sociedade porque, na verdade, as pessoas não querem morrer".

Itskov rodeou-se de 30 cientistas russos de grande prestígio, especialistas em interfaces neuronais, robótica, orgãos artificiais e sistemas, e quer criar um centro internacional e uma universidade para investigarem a imortalidade.

A 15 e 16 de junho, a "Iniciativa 2045" organiza em Nova Iorque a segunda edição do Congresso sobre o Futuro Global (a primeira foi em Moscovo), onde o empresário promete apresentar "a cabeça de andróide mais parecida com uma cabeça humana em todo o mundo", revela a publicação americana online "Kurzweil Accelerate Intelligence".

Um andróide é um robô ou um organismo sintético concebido para se parecer e agir como um ser humano. A cabeça terá expressões faciais muito articuladas através de 36 servomotores e será uma réplica robótica da cabeça de Dmitry Itskov, tendo sido construída pelo cientista americano David Hanson, fundador da Hanson Robotics, que se tornou famosa pela criação de 40 andróides de personalidades conhecidas, entre as quais Albert Einstein.

Quatro etapas para a imortalidade cibernética

Há quatro etapas fundamentais neste projeto. A primeira, prevista para 2015-2020, passa por fazer uma cópia robótica do corpo de uma pessoa, com controlo remoto feito através de um sistema de interface cérebro-computador conhecido por BCI (brain-computer interface).

O BCI poderá mesmo permitir a uma pessoa controlar remotamente vários corpos robóticos de diferentes formas e tamanhos.

Segue-se, em 2020-2025, a criação de um sistema de suporte de vida autónomo para o cérebro de uma pessoa em fim de vida, em que o seu corpo esteja danificado de uma forma irreversível mas o cérebro intacto para ser transplantado. Deste modo, a pessoa poderá "regressar" a um corpo robótico totalmente funcional.

Viver num corpo feito de luz

Esse corpo poderá ter capacidades sobre-humanas, como resistência a elevadas temperaturas, a grandes pressões atmosféricas, a radiações, à falta de oxigénio e muitas outras.

Depois, em 2030-2035, será criado um modelo em computador do cérebro e da consciência humana, com o subsequente desenvolvimento de processos que permitam transferir a consciência de uma pessoa para um cérebro artificial.

Na quarta e última etapa, em 2040-2045, os cientistas irão criar um holograma do corpo e do cérebro de uma pessoa, de modo a que esta possa atingir a imortalidade cibernética - num corpo e num cérebro feitos de luz.  

Dmitry Itskov fala na ideia da evolução humana para uma "neo-Humanidade" baseada em cinco princípios: elevada espiritualidade, cultura, ética, conhecimento científico e tecnologia.

"A neo-Humanidade irá mudar a natureza corpórea do ser humano e torná-lo imortal, livre, alegre, independente das limitações do espaço e do tempo", sublinhou o empresário à publicação online americana "iTech Post".

Virgílio Azevedo
29 de maio de 2013

segunda-feira, 27 de maio de 2013

O Falsificacionismo de Karl Popper


1. Indução
Uma linha de resposta bastante diferente para o problema da indução deve-se a Karl Popper. Popper olha para a prática da ciência para nos mostrar como lidar com o problema. Segundo o ponto de vista de Popper, para começar a ciência não se baseia na indução. Popper nega que os cientistas começam com observações e inferem depois uma teoria geral. Em vez disso, primeiro propõem uma teoria, apresentando-a como uma conjectura inicialmente não corroborada, e depois comparam as suas previsões com observações para ver se ela resiste aos testes. Se esses testes se mostrarem negativos, então a teoria será experimentalmente falsificada e os cientistas irão procurar uma nova alternativa. Se, pelo contrário, os testes estiverem de acordo com a teoria, então os cientistas continuarão a mantê-la não como uma verdade provada, é certo, mas ainda assim como uma conjectura não refutada.
Se olharmos para a ciência desta maneira, defende Popper, então veremos que ela não precisa da indução. Segundo Popper, as inferências que interessam para a ciência são refutações, que tomam uma previsão falhada como premissa e concluem que a teoria que está por detrás da previsão é falsa. Estas inferências não são indutivas, mas dedutivas. Vemos que um A é não-B, e concluímos que não é o caso que todos os As são Bs. Aqui não há hipótese de a premissa ser verdadeira e a conclusão falsa. Se descobrirmos que um certo pedaço de sódio não fica laranja quando é aquecido, então sabemos de certeza que não é o caso que todo o sódio aquecido fica laranja. Aqui o facto interessante é que é muito mais fácil refutar teorias do que prová-las. Um único exemplo contrário é suficiente para uma refutação conclusiva, mas nenhum número de exemplos favoráveis constituirá uma prova conclusiva.

2. Falsificabilidade
Assim, segundo Popper, a ciência é uma sequência de conjecturas. As teorias científicas são propostas como hipóteses, e são substituídas por novas hipóteses quando são falsificadas. No entanto, esta maneira de ver a ciência suscita uma questão óbvia: se as teorias científicas são sempre conjecturais, então o que torna a ciência melhor do que a astrologia, a adoração de espíritos ou qualquer outra forma de superstição sem fundamento? Um não-popperiano responderia a esta questão dizendo que a verdadeira ciência prova aquilo que afirma, enquanto que a superstição consiste apenas em palpites. Mas, segundo a concepção de Popper, mesmo as teorias científicas são palpites — pois não podem ser provadas pelas observações: são apenas conjecturas não refutadas.
Popper chama a isto o "problema da demarcação" — qual é a diferença entre a ciência e outras formas de crença? A sua resposta é que a ciência, ao contrário da superstição, pelo menos é falsificável, mesmo que não possa ser provada. As teorias científicas estão formuladas em termos precisos, e por isso conduzem a previsões definidas. As leis de Newton, por exemplo, dizem-nos exactamente onde certos planetas aparecerão em certos momentos. E isto significa que, se tais previsões fracassarem, poderemos ter a certeza de que a teoria que está por detrás delas é falsa. Pelo contrário, os sistemas de crenças como a astrologia são irremediavelmente vagos, de tal maneira que se torna impossível mostrar que estão claramente errados. A astrologia pode prever que os escorpiões irão prosperar nas suas relações pessoais à quinta-feira, mas, quando são confrontados com um escorpião cuja mulher o abandonou numa quinta-feira, é natural que os defensores da astrologia respondam que, considerando todas as coisas, o fim do casamento provavelmente acabou por ser melhor. Por causa disto, nada forçará alguma vez os astrólogos a admitir que a sua teoria está errada. A teoria apresenta-se em termos tão imprecisos que nenhumas observações actuais poderão falsificá-la. 

3. Ciência e pseudociência
O próprio Popper usa este critério de falsificabilidade para distinguir a ciência genuína não só de sistemas de crenças tadicionais, como a astrologia e a adoração de espíritos, mas também do marxismo, da psicanálise de várias outras disciplinas modernas que ele considera negativamente como "pseudo-ciências". Segundo Popper, as teses centrais dessas teorias são tão irrefutáveis como as da astrologia. Os marxistas prevêem que as revoluções proletárias serão bem sucedidas quando os regimes capitalistas estiverem suficientemente enfraquecidos pelas suas contradições internas. Mas, quando são confrontados com revoluções proletárias fracassadas, respondem simplesmente que as contradições desses regimes capitalistas particulares ainda não os enfraqueceram suficientemente. De maneira semelhante, os teóricos psicanalistas defendem que todas as neuroses adultas se devem a traumas de infância, mas quando são confrontados com adultos perturbados que aparentemente tiveram uma infância normal dizem que ainda assim esses adultos tiveram que atravessar traumas psicológicos privados quando eram novos. Para Popper, estes truques são a antítese da seriedade científica. Os cientistas genuínos dirão de antemão que descobertas observacionais os fariam mudar de ideias, e abandonarão as suas teorias se essas descobertas se realizarem. Mas os teóricos marxistas e psicanalistas apresentam as suas ideias de tal maneira, defende Popper, que nenhumas observações possíveis os farão alguma vez modificar o seu pensamento.
|David Papineau, "Methodology" em A. C. Grayling (org.), Philosophy: A Guide Through the Subject, Oxford University Press, 1998. Tradução de Pedro Galvão.

Atividades:
1. Defina o conceito de falsificação.
2. O que é que distingue a ciência da não-ciência? Justifique.
3. A astrologia pode ser considerada uma ciência, de acordo com o falsificacionismo de Popper? Porquê?
4. O falsificacionismo é uma boa solução para o problema da indução? Justifique a sua resposta confrontando o vídeo com o texto de David Papineau.
5. É possível provar cientificamente a existência de Deus? Justifique a sua resposta tendo em conta os fundamentos da perspectiva falsificacionista.


quarta-feira, 1 de maio de 2013

Da dúvida ao Cogito

Estados (des)Unidos






PERSUASÃO

É o bom uso da retórica.

Tenta levar-se um auditório a aderir a uma tese ou a uma acção.

Não se impõe nada, dá-se liberdade aos ouvintes para reflectirem e decidirem individualmente.


1. O orador procura ajudar a ultrapassar as limitações da racionalidade do auditório.
2. Há uma relação de igualdade entre orador e ouvintes, estes são respeitados por aquele.
3. Os objectivos da argumentação estão definidos e são claros, há transparência.
4. Há autores que chamam à persuasão "retórica branca" ou persuasão racional.
5. Fomenta-se o espírito crítico e a autonomia de cada um.
6. O orador vê os ouvintes como seres iguais a si e aceita a decisão deles.
7. A persuasão é moralmente aceitável porque há um uso racional da palavra e "o outro" é visto como um outro "eu".

MANIPULAÇÃO
É o mau uso da retórica.
1. É fazer com que outros aceitem ou realizem algo contra os seus melhores interesses.
2. Há uma imposição, tentando evitar a reflexão e a liberdade de decisão dos ouvintes.
3. O manipulador procura usar a seu favor as limitaçãoes da racionalidade do auditório.
4. Há uma relação vertical, desigual, em que os ouvintes são usados como instrumentos ao serviço do manipulador.
5. Os objectivos são escondidos ou apresentam-se de forma confusa para não suscitar reflexão, não há transparência.
6. Há autores que chamam à manipulação "retórica negra" ou persuasão irracional.
7. O manipulador tenta evitar o espírito crítico e procura desviar as atenções do próprio tema que se devia debater, anulando ao máximo a autonomia dos ouvintes e a sua capacidade de avaliação da situação.
8. Na manipulação há um desprezo claro pela individualidade e liberdade de decisão dos ouvintes.
9. O manipulador vê os ouvintes como seres inferiores, que ele usa em proveito próprio.
10. A manipulação é moralmente inaceitável porque há má fé e desrespeito pelos outros, os quais são considerados como meios ao serviço de alguém com objectivos ocultos.


http://fil11.blogspot.pt/2008/01/persuaso-e-manipulao.html

Podem os computadores pensar? Uma aproximação interessante ao tema...



Os computadores são bons com números e por isso estão a escrever



Há empresas a desenvolver algoritmos para escrever notícias. Mas decidiram expandir o negócio para outra áreas.


Os computadores conseguem processar rapidamente enormes quantidades de dados. Mas têm muito mais dificuldades em perceber e usar linguagem natural, como aquela a que os humanos recorrem diariamente. No entanto, há empresas cujo negócio é desenvolver algoritmos capazes de escrever texto que seja coerente e possa ser compreendido por pessoas.

Esta tipo de tecnologia levou a que, nos anos recentes, a pergunta se tenha repetido numa miríade de artigos de jornais, revistas, sites e blogues: podem os computadores substituír os jornalistas? Afinal, empresas como a Narrative Science e a Automated Insights, ambas dos EUA, estão há anos a desenvolver algoritmos capazes de escrever notícias.
Tanto uma como outra começaram por pôr os computadores a escrever notícias precisamente sobre números. Eram textos curtos sobre resultados desportivos, normalmente de competições (amadoras ou de jovens) a que os jornalistas não dão atenção. Com acesso a elementos como o resultado, o nome e as acções de cada jogador, bem como as faltas e outras ocorrências importantes (que normalmente ficam registadas numa base de dados) o algoritmo é capaz de criar um texto coerente. Não fará comentários sobre o entusiasmo (ou falta dele) nas bancadas, nem sobre um aparte do treinador. Mas as notícias são capazes de oferecer um resumo decente da partida.
O historiador de tecnologia e cultura Edward Tenner, que já escreveu ensaios sobre o assunto, argumenta que os jornalistas não devem estar preocupados com esta tecnologia. “A não ser que haja um salto radical no desenvolvimento de algoritmos para resolver as questões muito difíceis da inteligência artificial, vamos continuar indefinidamente a precisar de humanos competentes para a maior parte do trabalho mental e físico”, explica ao PÚBLICO. “Ainda precisamos de médicos que vejam a pessoa como um todo e de advogados psicologicamente sensíveis aos clientes e juízes, não apenas de máquinas capazes de raciocínio legal”. Da mesma forma, diz, “o Tradutor Google não é receado por tradutores profissionais competentes, ainda que possa ser melhor do que alguns tradutores medíocres”.
A Automated Insights começou por lançar uma rede de sites chamadaStatSheet (literalmente, folha de estatísticas). Hoje, esta rede publica cerca de meio milhão de artigos por ano sobre desporto profissional e ligas estudantis. Também vende serviços de geração de textos a empresas de media como a CBS, o Yahoo, o USA Today e a Bloomberg.  “Mas a tecnologia é flexível para se adaptar a qualquer segmento assente em dados estruturados, o que nos permite trabalhar numa variedade de mercados: análise de negócio, finanças, imobiliário”, explica Adam Smith, um dos vice-presidentes. Isto significa que também têm com clientes empresas que precisam de escrever análises financeiras ou relatórios de vendas apenas para consumo interno.
Dados estruturados é o jargão para o tipo de informação organizada – por exemplo, numa tabela ou base de dados. Pode ser seja uma ficha de jogo ou um folha de Excell com informação sobre venda de casas numa cidade. Mas Smith garante que a tecnologia já consegue trabalhar com dados não estruturados “desde que sejam consistentes” (por exemplo, que estejam em documentos PDF cujo texto obedeça a um padrão pré-definido).
A tecnologia destas empresas não é feita apenas por cientistas e programadores. O fundador e director executivo, Robbie Allen, é engenheiro de formação, mas já escreveu 12 livros. É também ele que co-dirige o departamento de tecnologia e desenvolvimento, a par de Joe Procopio, um híbrido de engenheiro e colunista de tecnologia, cujos artigos são publicados em vários órgãos de comunicação. “É uma mistura de desenvolvimento de software e de experiência de escrita”, not Smith. A equipa que dirigem incluí analistas, especialistas em estatística e escritores.
Numa entrevista à revista Wired, o director executivo da Narrative Science (a empresa não respondeu a um pedido de entrevista do PÚBLICO) disse acreditar que no futuro 90% das notícias serão escritas por programas de computador. Mas não porque os jornalistas serão substiuídos por máquinas. Antes porque a tecnologia de escrita de notícias por algoritmos vai permitir, de forma barata. cobrir eventos e temas de nicho a que nenhum jornalista presta atenção.
Edward Tenner diz haver até vantagens neste tipo de tecnologia e dá o exemplo de como  os xadrezistas usam computadores para treinar e melhorar a respectiva técnica. Estes algoritmos-escritores, defende, podem lembrar os jornalistas de que não há grande valor acrescentado em textos que sigam as fórmulas tradicionais de escrita e levá-los a tentar "atrair a atenção dos leitores com a qualidade e a originalidade da pesquisa e da escrita".