segunda-feira, 24 de março de 2014

O Racionalismo


"A posição epistemológica vê no pensamento, na razão, a fonte principal do conhecimento humano chama-se racionalismo. Segundo ele, o conhecimento só merece na realidade este nome quando é logicamente necessário e universalmente válido. 
Quando a nossa razão julga que uma coisa tem que ser assim e não pode ser de outro modo, que tem de ser assim, portanto, sempre e em todas as partes, então, e só então, nos encontramos ante um verdadeiro conhecimento, na opinião dos racionalistas. 
 Uma forma determinada do conhecimento serviu evidentemente de modelo à interpretação racionalista do conhecimento. Não é difícil dizer qual é: é o conhecimento matemático. Este é, com efeito, um conhecimento predominantemente conceptual e dedutivo. 
O pensamento impera com absoluta independência de toda a experiência, seguindo somente as suas próprias leis. Todos os juízos que formula distinguem-se, além disso, pelas características da necessidade lógica e da validade universal. O racionalismo alcançou maior importância na Idade Moderna em Descartes. Segundo ele são inatos um certo número de conceitos, justamente os mais importantes, os conceitos fundamentais do conhecimento. Estes conceitos não procedem da experiência, mas representam um património originário da razão. (É a teoria das ideias inatas).
O mérito do racionalismo consiste em ter visto e feito sobressair o significado do fator racional no conhecimento humano mas é exclusivista ao fazer do pensamento a fonte única ou própria do conhecimento. Além disso, o racionalismo deriva de princípios formais proposições materiais; deduz de meros conceitos conhecimentos. (Penso na intenção de derivar do conceito de Deus a sua existência). Apresenta assim um espírito dogmático que provocou reações opostas como, por exemplo, o empirismo." 
Pinedo e Pinedo, ttp://www.eumed.net/libros-gratis/2009a/482/O%20racionalismo.htm

Síntese:
1. O racionalismo toma a razão como única fonte de conhecimento.
2. Pressupõe a existência de ideias inatas, descobertas por intuição racional, de conhecimento das quais deduz todos os outros conhecimentos que devem ser logicamente necessários e universalmente válidos.
3. Para conferir ao conhecimento esse caráter de universalidade e necessidade, toma a matemática como modelo a seguir para todos os tipos de conhecimento.
4. Rejeita a experiência como fonte de conhecimento por considerar que ela é enganadora e conduz a conhecimentos particulares e contingentes (por oposição à universalidade e necessidade próprias do conhecimento racional construído a partir do modelo matemático do conhecimento).
5. Apesar de ter sido importante a valorização da razão como fonte de conhecimento, os racionalistas têm tendência para um certo exclusivismo (apenas admitindo uma única fonte de conhecimento) e dogmatismo (ao considerar a possibilidade de construirmos um conhecimento absolutamente verdadeiro e ao derivar as ideias a existência das coisas). 
Hugo Araújo, Apontamentos para o exame nacional de 2007

Ficha Formativa - Descartes (Escolha múltipla)

1. Segundo Descartes, o critério de verdade é:
A. A delicadeza e a exatidão;
B. a clareza e a distinção;
C. a delicadeza  e a distinção;
D. a clareza e a não contradição.

2. De acordo com Descartes os conteúdos da nossa mente podem classificar-se como:
A. Ideias inatas; ideias fictícias; ideias adventícias;
B. ideias factícias; ideias complexas; ideias simples,
C. ideias adventícias; ideias inatas; ideias factícias.
D. ideias simples, ideias inatas, ideias claras e distintas.

3. A dúvida cartesiana é hiperbólica porque:
A. Só se aplica aos objectos da experiência;
B. aplica-se a todas as nossas crenças;
C. aplica-se a todas as ideias factícias:
D. aplica-se só aos objectos da razão.

4. O cogito é:
A. A base da dúvida metódica;
B. alcançado através da experiência;
C. a a prova de que a verdade não existe;
D. a primeira verdade alcançada através da dúvida.

5. Identifique a afirmação verdadeira:
A. Descartes é céptico porque parte da dúvida.
B. Descartes não é céptico porque a dúvida é metódica.
C. Descartes é céptico porque não procura a verdade e a encontra por acaso.
D. Descartes é céptico porque consegue duvidar de tudo.

6. Identifique a afirmação errada:
A. O principal problema de Descartes é o de encontrar a garantia de que o nosso conhecimento é absolutamente seguro.
B. A condição necessária para que algo seja declarado conhecimento absolutamente seguro é resistir completamente à dúvida.
C. Descartes consegue provar que os sentidos não nos enganam.
D. O primeiro conhecimento absolutamente seguro é a existência do sujeito que tem consciência de que os sentidos e o entendimento o podem enganar.

7. Ao recorrer à dúvida metódica, Descartes pretende:
A. Mostrar que os sentidos por vezes nos enganam;
B. rejeitar definitivamente tudo o que não seja indubitável;
C. encontrar um fundamento seguro para o conhecimento.
D. Nenhuma das respostas anteriores é correta.

8. De acordo com a filosofia cartesiana, Deus existe porque:
A. O universo físico tem de ter uma causa;
B. a organização do Universo aponta para um criador inteligente;
C. a própria ideia de ser perfeito implica a sua existência.
D. Nenhuma das respostas anteriores é correta.

9. Segundo Descartes, o cogito é uma verdade indubitável porque:
A. A existência do nosso corpo pode ser uma ilusão;
B. podemos provar que Deus existe;
C. somos um sujeito pensante;
D. compreendemo-lo com toda a clareza e distinção.

10. Segundo Descartes, apenas é verdadeira a seguinte afirmação:
A. Sabemos que o mundo exterior é real porque os sentidos o comprovam;
B. sabemos que o mundo exterior é real porque sabemos que o sujeito existe;
C. sabemos que o mundo exterior é real porque o cogito é um princípio indubitável que
garante a sua existência;
D. sabemos que Deus existe porque o mundo exterior é real.

11. Descartes, no percurso que faz da dúvida até ao primeiro princípio indubitável,
considera que:
A. Não pode atribuir qualquer importância aos dados empíricos na aquisição do
conhecimento verdadeiro;
B. pode atribuir alguma importância aos dados empíricos na aquisição do conhecimento
verdadeiro;
C. tem de atribuir alguma importância aos dados empíricos na aquisição do conhecimento
verdadeiro;
D. tem de atribuir uma importância fundamental aos dados empíricos na aquisição do
conhecimento verdadeiro.

12. Na filosofia cartesiana, a ideia de Deus que o sujeito possui teve origem:
A. Numa ideia, proveniente dos sentidos, que o sujeito descobriu na sua própria razão;
B. na necessidade de encontrar um criador para tudo o que existe;
C. no eu pensante, ao submeter todos os conhecimentos que possui à dúvida radical;
D. em Deus, que a deixou em nós como a sua marca.

>Correção

Introdução ao Racionalismo de Descartes


Como Descartes ultrapassa o cepticismo


Comodescartesultrapassaocepticismo 120217104847-phpapp02 from Helena Serrão

Descartes (...) procurava verdades que nenhum cético pudesse desafiar. Para descobri-las, começou por adotar um método de dúvida cética, rejeitando todas as crenças que poderiam, sob qualquer condição imaginável, ser falsas ou duvidosas. Rejeitou prontamente as crenças baseadas nos sentidos porque estes às vezes nos enganam. Rejeitou as crenças sobre a realidade física porque o que consideramos ser tal realidade pode fazer apenas parte de um sonho. Rejeitou as crenças baseadas no raciocínio porque podemos ser sistematicamente enganados por uma força demoníaca (o 'Génio Maligno').

Neste ponto, Descartes parece ter criado um ceticismo maior que o de Montaigne. Mas Descartes passou a perguntar se podemos duvidar ou rejeitar a crença na nossa própria existência. Aqui descobrimos que toda tentativa de o fazer é imediatamente anulada pela nossa consciência de que, nós mesmos, estamos duvidando. Assim, a primeira verdade que Descartes alegou que não poderia ser colocada em dúvida foi “penso, logo existo” (o cogito). A partir desta verdade alguém poderia extrair o critério de que tudo o que concebemos clara e distintamente é verdadeiro. Usando este critério, estabelecemos que Deus existe, que é todo-poderoso, o criador de tudo o que existe, e que, porque é perfeito, não nos pode enganar. Portanto, tudo o que Deus nos faz acreditar clara e distintamente tem de ser verdadeiro. Assim, a nova filosofia de Descartes visa refutar o novo ceticismo.
Richard Popkin, in  http://criticanarede.com/ceticismo.htm

domingo, 23 de março de 2014

Da dúvida ao Cogito

Imagem de Gilbert Garcin


"Assim, porque os nossos sentidos nos enganam algumas vezes, quis supor que nada há que seja tal como eles o fazem imaginar. E, porque há homens que se enganam ao raciocinar, até nos mais simples temas de geometria, e neles cometem paralogismos, rejeitei como falsas, visto estar sujeito a enganar-me como qualquer outro todas as razoes de que até então me servia nas demonstrações. Finalmente, considerando que os pensamentos que temos quando acordados nos podem ocorrer também quando dormimos, se que neste caso nenhum seja verdadeiro, resolvi supor que tudo o que até então encontrara acolhimento no meu espírito não era mais verdadeiro que as ilusões dos meus sonhos. 
Mas, logo em seguida, notei que, enquanto assim queria pensar que tudo era falso, eu, que assim o pensava, necessariamente era alguma coisa. E notando que esta verdade – eu penso, logo existo, era tão firme e tão certa que todas as extravagantes suposições dos céticos seriam impotentes para a abalar, julguei que podia aceitar, sem escrúpulo, para primeiro princípio da filosofia que procurava. 
Depois, examinando atentamente que coisa eu era, e vendo que podia supor que não tinha corpo e que não havia qualquer mundo ou qualquer lugar onde eu existisse; mas que, apesar disso, não podia admitir que não existia; e que antes, pelo contrario, por isso mesmo que pensava, ao duvidar da verdade das outras coisas, tinha de admitir como muito evidente muito certo que existia; ao passo que bastava que tivesse deixado de pensar para não ter já nenhuma razão para crer que existia, ainda que tudo o que tinha imaginado fosse verdadeiro; por isso, compreendi que era uma substância, cuja essência ou natureza é apenas o pensamento, que para existir não tem necessidade de nenhum lugar nem depende de nenhuma coisa material. De maneira que esse eu, isto é, a alma pela qual sou o que sou, é inteiramente distinta do corpo, mais fácil mesmo de conhecer que este, o qual, embora não existisse, não impediria que ela fosse o que é. 
Depois disso, considerei duma maneira geral o que é indispensável a uma proposição para ser verdadeira e certa; porque, como acabava de encontrar uma com esses requisitos, pensei que devia saber também em que consiste essa certeza. E tendo notado que nada há no que eu penso, logo existo, que me garanta que digo a verdade, a não ser que vejo muito claramente que, para pensar, é preciso existir, julguei que podia admitir como regra geral que é verdadeiro tudo aquilo que concebemos muito claramente e muito distintamente; havendo apenas alguma dificuldade em notar quais são as coisas que concebemos distintamente." 
René Descartes, Discurso do Método

Interpretação do texto:

O texto foi escrito por um filósofo francês do século XVII que se dedicou ao estudo dos problemas do conhecimento e construiu um sistema de índole racionalista. Vivia-se então numa época de crise e de incerteza que se refletia nas posições céticas adotadas pelos contemporâneos de Descartes. Ora Descartes tinha uma formação matemática e desejava garantir a existência de um conhecimento verdadeiro.
No texto, extraído do Discurso do Método, uma das suas obras mais divulgadas:
1. Começa precisamente por levantar o problema da dúvida em três domínios fundamentais:
a) Dúvida acerca do conhecimento sensorial;
b) Dúvida acerca da capacidade da razão humana;
c) Dúvida quanto á possibilidade de distinguir sonho de realidade.

2. Refere a decisão de não aceitar nada como verdadeiro ate encontrar uma verdade que resista a toda e qualquer dúvida (um conhecimento indubitável).
Esta atitude de Descartes é uma forma de garantir a validade absoluta de um conhecimento capaz de resistir à dúvida mais exagerada. Por isso se considera que a dúvida cartesiana é metódica, universal (abrange todos os conhecimentos) e voluntária.

3. Enuncia a primeira verdade a que Descartes chegou: o cogito ou a existência de um ser pensante (penso, logo existo).
Esta primeira verdade vai ser aceite por Descartes que sobre ela assentará o seu sistema filosófico.
Trata-se de uma verdade de natureza puramente racional, ou seja, que depende unicamente do uso da razão humana e na sua descoberta não foi necessária a contribuição dos sentidos. A existência do cogito é a primeira informação segura a que Descartes chegou depois de deliberadamente ter posto tudo em dúvida e encerra o sujeito que conhece em si mesmo, reduzindo-o a ser “uma coisa que pensa” (res cogitans).
Duvida ainda da existência dos outros seres humanos e das coisas materiais, incluindo o seu próprio corpo.
O objetivo cartesiano de alcançar a verdade começa a cumprir-se no momento da dúvida, no momento em que se rompe com o sensível e com o conhecimento até então constituído e se procura a verdade na própria razão.

4. Seguidamente o texto de Descartes define a natureza do cogito afirmando a sua independência em relação ao corpo e a sua natureza de puro pensamento. 
Contrariamente ao nosso conhecimento vulgar que nos leva a acreditar mais facilmente na existência das coisas e do corpo do que na existência da mente, Descartes conclui que o conhecimento desta é mais acessível e é anterior ao conhecimento das coisas corpóreas; o corpo não faz parte da mente e é de outra natureza.

5. Apresenta, finalmente, o critério de verdade válido para Descartes. Serão aceites como verdadeiras unicamente aquelas ideias que se apresentem à razão como sendo claras e distintas, características que Descartes encontra na apreensão intuitiva e racional da ideia do cogito. A apreensão do cogito fornece o critério de verdade das ideias: a clareza e a distinção.

Como verificamos Descartes parte da dúvida e alcança uma primeira verdade por via unicamente racional. Neste momento da construção do sistema cartesiano Descartes só admite a existência de um eu cuja natureza se resume a produzir pensamento. Será que existe alguma coisa fora e para além do seu eu? Como vai conseguir sair para fora do cogito e demonstrar a existência da realidade material?
Descartes não pode basear-se nos sentidos uma vez que os excluíra como fonte fiável de conhecimento.
Só lhe resta refletir sobre si mesmo e procurar na mente, no cogito, a possibilidade de provar a existência de algo para além do seu próprio pensamento. O que é que esta reflexão lhe vai permitir descobrir?
Diferentes tipos de ideias: ideias que “nasceram comigo” (ideias inatas); outras que vieram de fora (ideias adventícias); outras que foram feitas e inventadas por mim (ideias factícias).
Ao examinar a natureza das ideias, Descartes valoriza as que são inatas e entre elas descobre a ideia de Deus como ser perfeito e como o homem é um ser imperfeito, que não pode por  si só criar a ideia de perfeição, esta ideia é inata e só pode ter origem no próprio Deus que a colocou na nossa mente. Esta ideia ao fazer-nos conceber Deus como um ser perfeito, incapaz de nos enganar, passa a ser garantia de que o conhecimento construído pela razão é verdadeiro. Assim, alem da existência do cogito, Descartes passa a admitir a existência de Deus e a existência do mundo.
Hugo Araújo, Apontamentos para o exame nacional de 2007

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Uma síntese mais avançada da perspectiva cartesiana:

O Cogito

Descartes recorreu a argumentos cépticos como um instrumento para chegar ao conhecimento seguro. Apesar de o fazer, Descartes não é um céptico. Vejamos, por exemplo, o argumento do sonho e o argumento do génio maligno. No primeiro, Descartes defende que não é possível fazer a distinção entre estar acordado e estar a sonhar, porque podes sonhar que estás a fazer um teste para te certificares de que estás acordado. No segundo, a suposição de um génio maligno bastante poderoso que se empenha em enganar-te mesmo quando acreditas que 2 + 2 = 4, leva-te a suspender o juízo em relação às verdades lógicas e matemáticas, por mais simples que sejam. Mas por mais que tentes duvidar da tua existência, supondo que estás apenas a sonhar ou a ser enganado por um génio maligno que te leva a pensar que existes, terás nesse momento a certeza de que alguma coisa existe para que ocorra a atividade de duvidar. Terá de haver um sonhador para sonhar a sua própria existência e um enganado para ser enganado. Descartes conclui que, enquanto pensar que está a ser enganado por um génio maligno, terá de existir como ser pensante. Trata-se do famoso cogito ergo sum (penso; logo, existo).
Através de argumentação a priori, Descartes obteve conhecimento acerca de algo que realmente existe: ele próprio como ser pensante. Para compreenderes melhor o que garante este conhecimento teremos de analisar a certeza implicada pelas crenças "Estou a pensar" e "Existo". Em primeiro lugar, ambas são incorrigíveis, o que se define do seguinte modo: se alguém acredita que está a pensar ou que existe, então não pode estar errado. Em segundo lugar, têm a propriedade de ser auto-verificáveis, a qual contribui para a incorrigibilidade e se define do seguinte modo: se alguém afirma estas proposições, então essa afirmação é verdadeira.
Vejamos melhor o que isto quer dizer. Considera a proposição expressa pela frase P: "Estou a pensar". Se pensares que P é falsa, exprimes nesse momento uma contradição. Mas não se trata de uma contradição lógica porque "Eu não estou a pensar" e "Eu não existo" não são falsas em todas as circunstâncias possíveis devido à sua forma lógica, como acontece com a proposição expressa pela frase "O mar tem peixes e o mar não tem peixes"; como é óbvio, em estados do mundo em que eu não existisse, aquelas proposições seriam verdadeiras. As negações de "Estou a pensar" e de "Existo" derrotam-se a si próprias do ponto de vista pragmático, auto-falsificam-se no preciso momento em que são ditas, e não devido à sua forma lógica; podemos compará-las à proposição expressa pela frase "Estou ausente" dita por ti quando o teu professor de filosofia faz a chamada. Assim, sempre que alguém diz ou mentalmente concebe "Estou a pensar" e "Existo", as proposições expressas por estas frases terão de ser verdadeiras. Mas estas não são verdades lógicas como "Chove ou não chove" ou verdades analíticas como "Nenhum solteiro é casado"; são verdades pragmáticas, as quais se definem por se auto-falsificarem quando alguém afirma a sua negação.

Questões de revisão
3. Será que Descartes é realmente um céptico? Porquê?
>Resposta

4. De que modo Descartes obteve conhecimento do Cogito?
Deus

Chegado aqui, Descartes pode dizer que tem certezas na primeira pessoa acerca de si próprio como eu pensante. Mas isto é pouco. Subsiste a questão de saber se o mundo exterior existe. Daí que Descartes precise de uma ligação ou "ponte" que lhe permita vencer a distância entre este eu pensante e o mundo. A premissa "Deus existe e não é enganador" irá desempenhar esse papel. Ora, a existência deste Deus que não é enganador precisa, por sua vez, de ser provada. Sem essa prova não há maneira de refutar o cepticismo. Descartes teria nesse caso apenas umas quantas verdades acerca de si próprio e nada mais seria seguro. Destruindo a hipótese do génio maligno ao estabelecer a existência de um Deus sumamente bom e sábio, Descartes obtém a garantia absoluta de que o mundo é como pensamos que é, na condição de usarmos corretamente as faculdades com que Deus equipou o homem.
Para o fazer, Descartes apresenta argumentos a priori a favor da existência de Deus que supõe conclusivos. Esses argumentos são a priori porque se baseiam na ideia de Deus que Descartes descobre em si apenas com a ajuda da razão. O facto de Descartes não ter optado por argumentos a posteriori a favor da existência de Deus quando os tinha à sua disposição, poderá mais uma vez indicar a importância que depositava no uso da razão. Neste contexto, esses argumentos não serão analisados. O que é importante saberes é que, segundo Descartes, também este conhecimento de Deus resulta do raciocínio, e não da experiência; Deus, tal como o Cogito, não pode ser provado recorrendo à observação. Nenhum indício sensorial ou experimental pode mostrar que as proposições "Existo como ser pensante quando estou a pensar" e "Deus existe" são verdadeiras, ou justificar que acredites nelas.

O mundo exterior

Sustentado o mundo no pilar de Deus, Descartes irá tratar das coisas físicas. A questão que o ocupa é a de saber qual é a natureza das coisas físicas. Para isso, sujeita à nossa consideração o seguinte exemplo. Temos um pedaço de cera com uma certa forma, tamanho, cor, perfume; através dos sentidos, temos experiência destas propriedades; mas se o aproximares do fogo, estas propriedades alteram-se, embora o pedaço de cera seja o mesmo. Logo, estas propriedades não pertencem à natureza ou essência da cera. Isto quer dizer que a experiência não me permite captar a essência da cera e o mesmo sucede com qualquer outra coisa física. Deste modo, só o raciocínio descobre a essência da cera; assim, a cera muda de forma, tamanho, cor, perfume e o mesmo se dirá de qualquer outra propriedade de que temos experiência através dos sentidos; mas se deixar de ser uma coisa extensa no espaço deixará de ser o que é. Logo, a extensão pertence à sua essência e à de qualquer outra coisa física.

Questões de revisão
5. Por que razão Deus é conhecido a priori?
6. As propriedades essenciais dos objectos da experiência podem ser conhecidos por intermédio dos sentidos?

Conclusão
O que somos e o que temos perante nós e como o conhecemos? Temos um eu pensante que funciona sobretudo de maneira dedutiva, um mundo cuja essência é extensão e um Deus que é a garantia do bom uso das nossas capacidades racionais. Nas suas propriedades essenciais, o eu e o mundo são conhecidos a priori. 

Questões de discussão
7. Descartes estabelece a existência de Deus para justificar a confiança nas nossas capacidades racionais; mas, por sua vez, as nossas capacidades racionais justificam a existência de Deus. Este argumento é questionável? Porquê?
8. Discute a seguinte afirmação: "Se Descartes levasse consistentemente a dúvida filosófica até ao fim, a própria noção de dúvida seria suspensa e o seu pensamento ficaria paralisado."


|Faustino Vaz, Crítica na Rede / Arte de Pensar
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Esquemas:



Descartes - O Filme

Descartes: uma introdução

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Teste 3

Grupo I
Para cada um dos itens, Selecione a alternativa correta. (7 pontosx10=70 pontos)

1. Dizer que o conhecimento é factivo:
(A) Significa que o conhecimento pode ser falso.
(B) Significa que o conhecimento não pode ser falso.
(C) Significa que o conhecimento pode ser verdadeiro.
(D) Significa que o conhecimento pode ser falso ou verdadeiro.

2. «Sempre que houve alerta vermelho, o mar galgou o paredão da Costa da Caparica. Logo, da próxima vez que for lançado um alerta vermelho, o mar galgará o paredão da Costa da Caparica».
Trata-se de:
(A) um argumento indutivo, porque a verdade da premissa torna a conclusão apenas provável.
(B) um argumento dedutivo, porque a verdade da premissa implica a verdade da conclusão.
(C) um argumento indutivo, porque a verdade da premissa impossibilita a falsidade da conclusão.
(D) um argumento dedutivo, porque a sua validade depende unicamente da sua forma lógica.

3. De acordo com a definição tradicional de conhecimento,
(A) a crença é condição necessária do conhecimento.
(B) uma crença falsa pode ser conhecimento.
(C) a justificação é condição suficiente do conhecimento.
(D) a opinião é condição necessária e suficiente do conhecimento.

4. Um sujeito sabe que P a priori e sabe que Q a posteriori, se, e só se,...
(A) sabe que P e sabe que Q pelo pensamento apenas.
(B) sabe que P através da experiência e sabe que Q pelo pensamento apenas.
(C) sabe que P e sabe que Q através da experiência.
(D) sabe que P pelo pensamento apenas e sabe que Q através da experiência.

5. Qual das opções se refere ao  conhecimento por contacto?
(A) A linha reta é a distância mais curta entre dois pontos.
(B) O salmão é um peixe de água doce.
(C) Ontem passei o dia a observar os pássaros do parque da cidade.
(D) Aos 6 anos aprendi a andar de bicicleta.

6. Os contra-exemplos de Gettier pretendem mostrar que:
(A) Apenas é possível conhecer verdades.
(B) É impossível que uma crença verdadeira e devidamente justificada não seja conhecimento.
(C) Podemos ter uma crença verdadeira e devidamente justificada sem que esta seja, contudo, conhecimento.
(D) A crença, a verdade e a justificação são condições suficientes para o conhecimento.

7. Dado o seguinte silogismo:

Alguns os seres aquáticos são mamíferos
Todos os seres aquáticos são herbívoros
Logo, todos os herbívoros são mamíferos

7.1. Decida qual das seguintes alternativas apresenta corretamente a figura e o modo do silogismo:
(A) 1ª figura; modo: IAA.
(B) 2ª figura; modo: AOA.
(C) 3ª figura; modo: IAA.
(D) 3ª figura; modo: AII.

7.2. Este silogismo é:
(A) Válido, porque não viola nenhuma regra de validade silogística.
(B) Inválido, porque a conclusão não segue a parte mais fraca e o termo menor está distribuído na conclusão sem o estar na premissa menor.
(C) Inválido, porque a conclusão não segue a parte mais fraca e o termo maior está distribuído na conclusão sem o estar na premissa maior.
(D) Inválido, porque o termo médio não está distribuído pelo menos uma vez.

8. Analise as seguintes proposições:

1. 'Todos os animais são seres vivos'.
2. 'Alguns europeus não são pacifistas'.
3. 'Nenhum homem é imortal'.
- Escolha a alternativa que identifique corretamente os termos que estão distribuídos em cada uma das proposições:
(A) 1. O predicado; 2. nenhum; 3. O sujeito e o predicado.
(B) 1. O sujeito; 2. O predicado; 3. nenhum.
(C) 1. O sujeito e o predicado; 2. O sujeito;  3. ambos.
(D) 1. O sujeito; 2. O predicado; 3. ambos.

9. Considere as seguintes falácias:
1. É impossível falar sem usar palavras, uma vez que as palavras são necessárias para falar.
2. Ninguém conseguiu provar que a reincarnação existe. Portanto, a reincarnação não existe.
3. Quem não aprova todas as nossas decisões é contra nós. Como não aprovas todas as nossas decisões, és contra nós.
4. A filosofia de Sartre é irrelevante porque o autor é ateu.
____________
Deve afirmar-se que:
(A) 1. é petição de princípio; 2. é ad hominem; 3. é falso dilema; 4. é apelo à ignorância.
(B) 1. é petição de princípio; 2. é apelo à ignorância; 3. é falso dilema; 4. é ad hominem.
(C) 1. é falso dilema; 2. é apelo à ignorância; 3. é ad hominem; 4. é petição de princípio.
(D) 1. é petição de princípio; 2. é apelo à ignorância; 3. é ad hominem; 4. é falso dilema.

Correção - Grupo I
Grupo II

1. Quando podemos afirmar que temos conhecimento? Justifique com base nas condições necessárias do conhecimento, de acordo com a teoria tradicional.
(20 pontos) 
Esta questão, com uma formulação ligeiramente diferente, saiu na Ficha formativa: Descrição e interpretação da atividade cognitiva - I

Correção

2. Leia o texto seguinte.
TEXTO A
“O objecto, não sendo a entidade activa na relação de conhecimento, é, no entanto, imprescindível: se não há conhecimento sem o sujeito, também não há sem o objecto. Este é a meta para que tende a intencionalidade da consciência subjectiva”


- A partir de uma análise do texto A, explique o conhecimento de acordo com a perspectiva fenomenológica. (20 pontos)
3. Esclareça a diferença entre os tipos de conhecimento a seguir exemplificados: 
a) O João sabe pilotar aviões.

b) O João sabe que vai sobrevoar a Amazónia no seu próximo voo.

c) O João acha muito agradável o perfume da Joana.
(15 pontos)
GRUPO III
Leia atentamente o texto que se segue.
TEXTO B
“Como se justifica uma crença? Com outra crença!
Ora, esta crença, por sua vez só se pode justificar com base noutra crença que, por sua vez, vai assentar noutra crença. Então, como é que se pode sustentar que podemos ter conhecimento se não podemos ter nada de sólido na base das nossas crenças?”

1. Nomeie o argumento cético que, implicitamente, está presente no TEXTO B. Discuta-o.     
(20 pontos).
2. Justifique a afirmação: O ceticismo contradiz-se. (20 pontos)


GRUPO IV
1. Leia o texto seguinte.
TEXTO D
“O paraíso pós-moderno, a Bélgica, legalizou a eutanásia para crianças, ou seja, uma criança belga com uma doença debilitante pode pedir a morte medicamente assistida. Vamos lá ver se nos entendemos. Nós achamos que uma criança não tem discernimento político, é por isso que a idade política começa aos 18 anos. Nós achamos que uma criança não tem discernimento moral, é por isso que a idade criminal começa aos 16 anos. Nós achamos que ter sexo com uma criança é crime, porque consideramos que esse acto é um abuso da sua falta de discernimento. Mas, na Bélgica, esta criança já pode pedir a sua própria morte através da decisão mais absoluta e irrevogável. O absurdo lógico e moral salta à vista.
Como é óbvio, os pediatras belgas estão contra a nova lei, porque consideram que uma criança não tem o discernimento moral para compreender os conceitos de eutanásia, morte, para sempre. (...) Além disso, os médicos dizem que o pedido de eutanásia pode surgir num momento particularmente difícil, num momento de dor excruciante que pode obstruir de forma momentânea o juízo da criança e dos pais. E depois? Depois não há volta a dar, depois já não há arrependimento porque tudo acabou.” http://expresso.sapo.pt/eutanasia-para-criancas-e-uma-barbarie=f856684#ixzz2uNigb300

- Concorda com a tese defendida no texto D? Justifique a sua posição fazendo uso de pelo menos dois argumentos não dedutivos de tipos diferentes.(20 pontos)
1.1. Identifique o tipo de argumento sublinhado no texto e justifique a sua resposta decidindo se se trata, ou não, de uma falácia. (15 pontos)

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Ficha Formativa: Argumentos não dedutivos

8. Identificar, analisar e construir argumentos não dedutivos: indução; de autoridade; por analogia.


Grupo I
1. «Sempre que vi a Mariana, ela usava brincos. Logo, da próxima vez que vir a Mariana, ela usará brincos».
Trata-se de
(A) um argumento indutivo, porque a verdade da premissa torna a conclusão apenas provável.
(B) um argumento dedutivo, porque a verdade da premissa implica a verdade da conclusão.
(C) um argumento indutivo, porque a verdade da premissa impossibilita a falsidade da conclusão.
(D) um argumento dedutivo, porque a sua validade depende unicamente da sua forma lógica.

2. Para obter um argumento indutivo forte, por generalização,
 (A) é necessário partir de uma amostra representativa.
 (B) é suficiente inferir a partir de premissas gerais.
 (C) é necessário demonstrar a verdade da conclusão.
 (D) é suficiente respeitar as regras da lógica formal.

3. Um argumento por analogia é um argumento
 (A) dedutivo que parte de uma boa comparação entre realidades diferentes.
 (B) não dedutivo que parte de semelhanças entre realidades diferentes.
 (C) dedutivo que parte de certo número de semelhanças entre realidades diferentes.
 (D) não dedutivo que parte de diferenças relevantes entre realidades semelhantes.

4. Num raciocínio indutivo forte, a verdade
 (A) da conclusão é garantida pela verdade das premissas.
 (B) das premissas torna provável a validade da conclusão.
 (C) da conclusão é garantida pela validade das premissas.
 (D) das premissas torna provável a verdade da conclusão.



Grupo II
1. Considere o argumento seguinte.
Quando observamos um relógio, apercebemo-nos de que as suas várias partes estão desenhadas 
e articuladas para produzirem um certo fim. Quando temos em conta o seu mecanismo, é inevitável 
a inferência de que ele foi construído por um artífice. Ora, o universo tem grande complexidade e 
organização. Assim, supõe-se que também teve um criador inteligente.

1.1. Classifique o tipo de argumento apresentado.
Justifique a sua resposta.

1.2. Apresente a conclusão do argumento.

Resposta



1. Leia o texto seguinte.
Texto A
"Do mesmo modo que os olhos dos morcegos ficam ofuscados pela luz do dia, também a 
inteligência da nossa alma fica ofuscada pelas coisas mais naturalmente evidentes."
Aristóteles, Metafísica, Livro α, 993b

Identifique um tipo de argumento informal que pode construir, a partir do texto.

Justifique a resposta.

A resposta integra os seguintes conteúdos, ou outros considerados relevantes e adequados.
Exemplo:
– identificação do tipo de argumento que se pode construir a partir do texto como sendo um argumento 
por analogia;
– justificação: a analogia estabelece-se a partir da comparação entre «os olhos dos morcegos» e a 
«inteligência da nossa alma» e entre a «luz do dia» e as «coisas mais naturalmente evidentes», de 
modo que a luz do dia está para os olhos dos morcegos como as coisas mais evidentes estão para a inteligência da nossa alma.

Resposta

Ficha formativa: Descrição e interpretação da atividade cognitiva - I

Capítulo 5 - Estrutura do ato de conhecer.
12.Interpretar o conhecimento como relação entre um sujeito e um objeto, da qual resulta uma representação mental do objecto pelo sujeito (descrição fenomenológica);
13. Identificar diversos tipos de conhecimento: Conhecimento proposicional; saber-fazer e conhecimento por contacto;
14. Problematizar a relação entre os diversos tipos de conhecimento;
15. Definir o conceito de crença;
16. Identificar as condições necessárias do conhecimento (crença; verdade e justificação);
17. Relacionar conhecimento e verdade: o conhecimento é factivo;
18. Analisar e discutir a definição tradicional do conhecimento como crença verdadeira justificada.
19. Distinguir conhecimento a priori e conhecimento a posteriori;
20.Compreender as noções de conhecimento primitivo e derivado (ou inferencial).
_______________
Grupo I
1. De acordo com a definição tradicional de conhecimento,

(A) a crença é condição suficiente do conhecimento.
(B) uma crença falsa pode ser conhecimento.
(C) a justificação é condição necessária do conhecimento.
(D) a opinião é condição necessária e suficiente do conhecimento.

2. Considere os seguintes enunciados relativos à definição tradicional de conhecimento:

1. Uma crença verdadeira pode, sob certas condições, constituir conhecimento.
2. O conhecimento é sempre uma crença partilhada, considerando que implica um sujeito e um objeto.
3. Uma crença falsa pode, sob certas condições, justificar um conhecimento.
4. Apenas crenças verdadeiras podem ser justificadas.
______
Deve afirmar-se que:

(A) 1 e 4 são corretos; 2 e 3 são incorretos.
(B) 4 é correto; 1, 2 e 3 são incorretos.
(C) 1 é correto; 2, 3 e 4 são incorretos.
(D) 3 e 4 são corretos; 1 e 2 são incorretos.

3. Segundo a teoria tradicional, o conhecimento obedece às seguintes condições necessárias:
(A) Todo o conhecimento é uma crença verdadeira justificada.
(B) Todo o conhecimento é uma justificação.
(C) Todo o conhecimento se justifica a si mesmo.
(D) Todo o conhecimento é uma crença verdadeira.

4. O João leu um livro sobre o Xadrez escrito por um dos maiores campeões de todos os tempos.
Agora o João considera-se capaz de iniciar-se na prática do Xadrez.
O João adquiriu:

(A) Conhecimento por contacto.
(B) Um saber-fazer.
(C) Conhecimento proposicional.
(D) Conhecimento proposicional e um saber-fazer.

5. Das seguintes alternativas escolha a que melhor se adequa à ideia de que o conhecimento é factivo:

(A) O conhecimento é um facto.
(B) Não há conhecimentos falsos.
(C) Todos os conhecimentos podem ser falsos.
(D) Alguns conhecimentos podem ser falsos.

6. Analise os seguintes enunciados:
1. Sei que está um gato em casa (vi-o passar).
2. Nenhum objecto físico pode ser ao mesmo tempo verde e vermelho em toda a superfície.
3. Todos os almadenses são portugueses. O João é almadense. Logo, o João é português.
4. Todos os números ou são pares ou são ímpares. O número 3 não é par. Logo, é impar.
_________
Tendo em conta a distinção conhecimento a priori/a posteriori conhecimento primitivo/derivado, decida qual das alternativas está correta:

1. primitivo a posteriori; 2. primitivo a priori; 3. derivado a posteriori; 4. derivado a prior
(A) 1. primitivo a priori; 2. primitivo a posteriori; 3. derivado a posteriori; 4. derivado a priori.
(B) 1. primitivo a posteriori; 2. primitivo a priori; 3. derivado a priori; 4. derivado a posteriori.
(C) 1. primitivo a priori; 2. primitivo a posteriori; 3. derivado a priori; 4. derivado a posteriori.
(D) 1. primitivo a posteriori; 2. primitivo a priori; 3. derivado a posteriori; 4. derivado a priori.

7. Uma crença é:

(A) Uma ideia que surge na nossa mente e que não tem uma justificação.
(B) Uma ideia que surge na nossa mente, motivada por uma experiência religiosa.
(C) Uma ideia que surge na nossa mente, por vezes sem motivo.
(D) Uma ideia que se considera verdadeira e à qual se dá todo o crédito.

8. No conhecimento, o objecto:


(A) É a entidade que é conhecida.
(B) É a entidade que conhece.
(C) É a representação mental do que é conhecido.
(D) É uma consciência.

9. Podemos afirmar que todo o saber-fazer pressupõe um conhecimento por contacto?


(A) Não, porque são tipos de conhecimento diferentes.
(B) Sim, porque se trata do mesmo tipo de conhecimento.
(C) Não, porque o saber-fazer nasce de um conhecimento proposicional (tem que se adquirir conhecimentos teóricos para se poder praticar alguma atividade).
(D) Sim, porque o saber-fazer nasce de um conhecimento por contacto (só se pode praticar alguma atividade se se tiver contacto direto com o/s objecto/s com ela relacionado/s).
Correção - Grupo I
Grupo II
1.
TEXTO A
Ser objeto do conhecimento não significa que algo pertence ao mundo exterior, como erroneamente 
se supõe na linguagem vulgar, quando se opõe «mundo objetivo» a «mundo subjetivo». Uma ideia 
pode ser objeto de conhecimento, como esta mesa; uma dor e um sonho podem ser, por exemplo, 
objetos de conhecimento, sem, com isso, necessitarem de pertencer ao mundo exterior. «Objetivo» 
diz respeito ao objeto e não implica existência no mundo exterior.
Delfim Santos, «Da Filosofia», in Obras Completas I, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 1982

- Esclareça o sentido da frase «Ser objeto do conhecimento não significa que algo pertence ao mundo exterior».

2. Quando é que podemos dizer que conhecemos algo?

3. Se a humanidade estiver impedida de ter um conhecimento por contacto de um certo objecto (por exemplo, um planeta distante), podemos concluir que também estar impedida de ter conhecimentos proposicionais acerca desse objecto?

4. Podemos afirmar que todos os conhecimentos proposicionais têm origem (ainda que muito remota) em conhecimentos por contacto?

5. Pode concluir-se que o conhecimento por contacto é a origem de todo o conhecimento?

6. Será que todo o conhecimento proposicional é indireto? Porquê? (Manual, p. 115).

7. Será que só podemos ter conhecimento por contacto das nossas próprias sensações , mas não do mundo exterior que causa essas sensações? Justifique.(Manual, p. 115).