terça-feira, 10 de março de 2015

Teste 3 10E (2014/2015) - Correção

Grupo I (10 x 5 pontos)
Versão 1
Versão 2
1.D
2.D
3.D
4.A
5.D
6.B
7.C
8.A
9.B
10.B
11.C
12.C
13.D


1.A
2.B
3:C
4.C
5.C
6.C
7.B
8.C
9.D
10.C
11.B
12.A
13.A

Grupo II
1.     Se o polícia João fosse um seguidor do objetivismo axiológico, ele sentir-se-ia obrigado a denunciar o Henrique? Responda a esta questão caracterizando o objetivismo axiológico.                                                                                           (30 pontos)

Objetivos (matriz):
18. Problematizar a natureza dos valores: os valores são subjetivos ou objetivos?
19. 
Explicar a teoria objetivista tendo em conta as suas teses e argumentos;
____________
Se o polícia João fosse um seguidor do objetivismo axiológico, o mais provável seria que se sentisse obrigado a denunciar o Henrique.
Esta hipótese seria a mais forte, pois o objetivismo defende que os valores existem em si e por si, ou seja, não dependem do sujeito, seja no que se refere à sua criação (para o objetivismo, o sujeito não cria os valores, limita-se a descobri-los), seja no que se refere ao seu significado (à sua matéria). Por isso, os valores são, para o objetivismo, absolutos, ou seja, não são relativos aos sujeitos, às sociedades e às épocas históricas – os valores não variam consoante as circunstâncias, sendo universais, válidos para todos os sujeitos.
Embora o objetivismo não negue que os indivíduos podem formular juízos de valor, a valoração está condicionada pela objetividade dos valores. Assim, uma pessoa só vai considerar que um quadro é belo se este, de alguma forma, incorporar a beleza.
No caso do polícia João, o Henrique, mesmo tendo agido com vista a salvar a vida da sua mulher, ao roubar o quadro estaria a cometer um ato ilícito e essa ilicitude não pode passar ao lado de um agente de autoridade que jurou agir sempre em conformidade com certos valores, entre os quais se conta a igualdade de todos os cidadãos perante a lei.
Neste caso, o polícia João sentir-se-ia obrigado a defender os direitos do farmacêutico que teria sido vítima do roubo.
                                                                                                                                      
2.     Tendo em conta os valores que estão presentes na decisão do Henrique em assaltar a farmácia, qual deve ser a decisão do juiz se usar a Razão como critério valorativo? Justifique a sua resposta tendo em conta as principais características dos valores (pode referir-se à bússola dos valores).                     (30 pontos)

Objetivos (matriz):

13. Caracterizar os valores tendo em conta as suas principais características: matéria, polaridade e hierarquia;
14. Explicar a valoração e os critérios valorativos, tendo em conta a bússola dos valores;
15. Identificar diversos campos axiológicos (diversos tipos de valor, por exemplo: valores religiosos, valores éticos, valores estéticos, valores políticos, etc.);
24. Reconhecer a importância da Razão como critério valorativo;
___________
Em primeiro lugar, o que é a Razão? A Razão é a nossa capacidade de pensar (e de argumentar).
A valoração é sempre subjetiva, resulta sempre da nossa apreciação individual da realidade, para além de elementos racionais tem, também elementos emocionais (será difícil atribuirmos valores positivos ao que não gostamos e que nos causa repulsa).
No entanto a Razão humana é uma capacidade (há filósofos que lhe chamam uma 'faculdade' do espírito ou da mente) que está presente em todos os seres humanos - daí Aristóteles ter dado a seguinte definição de ser humano - "O Homem é um animal racional". Isto significa que todos os seres humanos raciocinam de acordo com as mesmas regras e princípios lógicos - isso faz com que os saberes racionais possam ser universais, como é o caso da ciência e, também, da filosofia.
Por isso a Razão pode ser usada como uma 'bússola', porque os princípios lógicos da Razão nos permitem pensar de forma coerente, sem contradição.
No caso dos conflitos de valores, como o que é apresentando no manual relacionado com a construção de uma barragem, se a Razão for usada como critério valorativo, a decisão será tomada com base numa troca, livre e profunda, de argumentos. Quem é a favor duma solução não vai tentar impor essa solução pela força, antes irá tentar convencer os seus adversários da razão da sua posição. Isto leva  a que o debate substitua os conflitos que terminam em violência.
E foi o uso da Razão que levou à descoberta dos valores que hoje são considerados fundamentais (os direitos humanos). Usar a Razão como critério valorativo implica colocar estes valores acima de todos os outros. Como está explícito no artigo referido acima:
"o apelo à Razão enquanto critério último de valoração é ainda hoje válido e trata-se do paradigma civilizacional que tem mais hipóteses de instauração de uma ordem mundial pacífica.
É de notar que os totalitarismos se afirmam como uma recusa dos valores da modernidade (a universalidade dos Direitos do Homem e o primado da argumentação racional como forma de resolução de conflitos).
Considerar que a bússola dos valores se deve orientar pela Razão, é temos que aceitar como válidos os seguintes princípios éticos:
 - A liberdade, a igualdade e a fraternidade são valores universais e invioláveis.
"Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade." (Declaração Universal dos Direitos Humanos, artigo 1º).
Sendo assim, a Razão indica-nos que os valores humanos (os direitos humanos) são superiores aos valores económicos. De facto, tendo em conta a hierarquia dos valores, podemos ver que o valor da vida é superior ao lucro, mesmo que legítimo, do farmacêutico.
O juiz, ao analisar o roubo do Henrique, deverá ter em conta que essa ação é negativa (roubar é uma ação negativa em si mesma, atendendo à polaridade dos valores), mas deverá avaliá-la tendo em conta a intenção do Henrique que, neste caso era salvar a vida da sua mulher.
Isto poderá servir de atenuante: o Henrique praticou um crime, mas o juiz poderá condená-lo à pena mínima prevista para esse tipo de crime que poderá até ser suspensa.

3.     Se não existissem valores, o Henrique podia ter decidido roubar o medicamento? Justifique a sua resposta.  (30 pontos)

Objetivos (matriz):
12. Compreender a relação entre a ação humana e os valores;
_____________
A resposta é não! Porque:
“Sem os valores não saberíamos como agir, eles são-nos necessários porque somos livres. Se o nosso comportamento fosse completamente instintivo não teríamos liberdade e, então, não teríamos que fazer escolhas.
Isso significa que não teríamos preferências, pois estaríamos totalmente dependentes do nosso determinismo biológico, seríamos pouco diferentes das formigas, embora pudéssemos lidar com uma quantidade de informação astronomicamente maior, estaríamos, como elas, totalmente dependentes da causalidade natural, o nosso comportamento seria sempre uma reação cega aos estímulos do meio.
Por sermos livres somos agentes e como agentes podemos determinar o curso da nossa vida fazendo escolhas, tomando decisões, e instando os outros a fazerem o mesmo. Muitas vezes as nossas ações inserem-se num esforço coletivo, agimos de forma coordenada com outros agentes. Isso pressupões que possamos entender-nos e aí a linguagem simbólica, própria do ser humano, é uma preciosa ferramenta.
A linguagem permite-nos estruturar um pensamento racional que também segue princípios de organização formal - e é aí que entra a Lógica. Tal como a linguagem com as suas regras gramaticais e as suas referências semânticas ao mundo das coisas, a Razão também segue regras formais na estruturação do pensamento (nós já estudámos os Princípios Lógicos da Razão e não foi por acaso).
A Razão, porque assenta em princípios lógicos comuns a todos os sujeitos (daí dizermos que o conhecimento racional é universal) permite-nos chegar a conclusões objetivas e sistemáticas sobre o mundo em que vivemos (nós e os outros seres humanos, sempre em interação).
Assim, para podermos agir precisamos de conhecer a realidade que, constantemente, nos desafia a agir (estão sempre a acontecer situações que exigem tomadas de decisão da nossa parte) e na qual se vão refletir os efeitos das nossas ações - todo o que fazemos tem um impacto na realidade. A nossa ação reflete-se sobre as coisas e as pessoas, com consequências que à partida podem ser imprevisíveis.
Por isso conhecer é importante para podermos agir.
É a partir do conhecimento que adquirimos sobre cada situação que se exerce a valoração. Só podemos atribuir valor de forma adequada, quando conhecemos o objeto sobre o qual vai recair a nossa valoração. Muitas vezes enganamo-nos sobre a natureza do objeto e a nossa apreciação do mesmo pode revelar-se desadequada. Isto mostra a importância do conhecimento para a valoração e a ação: conhecendo bem as situações podemos fazer deliberações com um grau elevado de possibilidade de nos conduzirem a uma ação eficaz ou, também ela adequada à situação que a motivou.
A necessidade da valoração existe porque o conhecimento não nos dá toda a informação sobre o que está em causa quando temos que agir. Se fôssemos como as formigas o conhecimento seria um mero input que desencadearia em nós uma reação, de forma direta, imediata, sem a intervenção da reflexão racional. Se assim fosse, a Razão seria de todo supérflua, pois não serviria para nada. As formigas não são racionais e no entanto a razão não lhes faz falta para nada porque a sua programação biológica lhes permite 'resolver' todas as situações.
A valoração é necessária à ação porque o conhecimento, por mais objetivo e verdadeiro que seja, não nos consegue dar toda a informação: para além dos estados do mundo exterior, como a temperatura ambiente, a distância dos objetos, ou qualquer outro dado conhecível de forma objetiva, nós somos mais complexos do que os animais ou as máquinas: nós temos emoções e sentimentos, temos a necessidade de muitas 'coisas' que não são materiais que, em muitos casos, dependem do comportamento dos outros e não podem ser adquiridas através da resolução racional e impessoal dos problemas.
O conhecimento pode mostrar-nos que temos, numa dada situação, várias opções de escolha, várias alternativas aparentemente equivalentes e/ou adequadas a cada situação. É atribuindo valores a essas alternativas/ opções que conseguimos escolher a que nos parece preferível. Só depois é que agimos.”   ´
http://filosofarliberta.blogspot.pt/2015/02/de-que-modo-podem-os-valores-orientar-e.html                                                           

Grupo III
Este grupo é composto por uma questão de desenvolvimento.

1. Comente o texto 3, tendo em conta os seguintes parâmetros:
       a) A importância dos valores na vida humana;
       b) a sua interpretação do filme;
       c) os valores partilhados por Jó e Rosa.                                                             (45 pontos)

Objetivos (matriz):                                                                                                                                                   
12. Compreender a relação entre a ação humana e os valores;
15. Identificar diversos campos axiológicos (diversos tipos de valor, por exemplo: valores religiosos, valores éticos, valores estéticos, valores políticos, etc.);
36. Construir argumentações sólidas.
____________
Os valores permitem-nos dar sentido à nossa vida, já que é através da atribuição de valores que nós determinamos a nossa liberdade. As nossas decisões dependem dos valores que orientam as nossas escolhas.
Isso está bem presente no filme, uma vez que a vida de cada uma das personagens é um reflexo dos valores que elas seguem. A vida mais longa é a de Rosa e trata-se de uma vida profundamente vivida, uma vida com sentido, que continua cheia de sentido mesmo quando se aproxima do seu ocaso. Ela vive, e sempre viveu, na fidelidade aos seus valores.
E que valores são esses? Em primeiro lugar, um forte sentido de liberdade – o seu passado antifascista tem a ver com isso mesmo. Rosa quer ser livre, por isso não quer ir viver para um lar e recusa deixar de fumar perante as imposições moralistas da sociedade.
Outro valor muito presente na vida de Rosa é a solidariedade – daí que tenha procurado ajudar o Jó, mesmo sabendo que se tratava de um jovem que vivia na marginalidade.
E a solidariedade está aliada a uma crença na bondade da pessoa humana, o que leva Rosa a acreditar que Jó poderia ter uma vida boa se lhe dessem uma oportunidade.
Estes valores contrastam com os das outras personagens (não vamos refereir-nos à namorada e ao compincha que Jó agride para recuperar a aliança, pois têm um perfil parecido com o do pai de Jó) – o genro só pensa no dinheiro, é uma pessoa mesquinha e materialista, dominada pelos valores económicos (ou de utilidade), não se importando com a dignidade das pessoas.
O pai de Jó segue valores negativos, tem uma vida completamente vã, não se valoriza a si próprio e aos outros, tendo uma visão extremamente negativa da natureza humana, sendo incapaz de qualquer tipo de generosidade. Representa, por isso, a mais completa ausência de valores humanos (ou espirituais) – e isso é o que Jó pretende mostrar quando vai ter com o pai depois deste ter assaltado a casa de Rosa – ao sentar-se com ele a beber na tasca torna bem patente o vazio axiológico da vida do pai, é como se colocasse a bússola dos valores bem em frente ao nariz do seu pai para ele ver como os valores de um e de outro são completamente opostos, pois o pai, em vez de procurar fazer o que é melhor, faz sempre o que é pior.
O padrasto do Jó, mostra que não acredita no ser humano e ao rejeitar o filho da sua mulher, mostra uma desumanidade atroz que o torna semelhante aos que ele julga como maus e não merecedores de consideração.
A mãe de Jó é uma vítima de violência doméstica (o 2º marido, julgando-se melhor que o 1º, não deixa de ser um tirano) que vive no medo, deixando que o medo e a sua condição de vítima se sobrepusessem ao amor de mãe. Aqui há um forte contraste com Rosa: mesmo depois de ser assaltada nunca assumiu o papel de vítima o que mostra a sua força de carácter.
Mas nem tudo é negativo, porque há personagens que, apesar de tudo, têm uma orientação positiva na vida: o amigo de Jó e a sua mãe prostituta, são solidários e bons, mesmo que possam ser vistos de forma negativa pelo moralismo de muitas pessoas.
A filha de Rosa, apesar de viver dominada pela sua vida familiar e profissional, acaba por se manter fiel valores que lhe foram transmitidos  pela mãe e pelo pai (apesar de ter morrido, trata-se de uma personagem importantíssima porque partilhou com Rosa os mesmos valores) ao rejeitar o marido egoísta e insensível (para não dizer mais).
Jó, sem o saber, partilha com Rosa os valores fundamentais: a solidariedade (ajuda o pai mesmo depois deste o ter expulsado de casa; ajuda Rosa), a liberdade (daí deixar-se comparar a um gato) e, acima de tudo, a crença no amor, eloquentemente presente na canção que encerra o filme, interpretada por Ana Moura, “Clandestinos do Amor”.



sexta-feira, 6 de março de 2015

O que é a Moral?



A Moral é o conjunto de regras adquiridas através da cultura, da educação, da tradição e do quotidiano, e que orientam o comportamento humano dentro de uma sociedade. 
O termo tem origem no Latim “morales” cujo significado é “relativo aos costumes”. 
As regras definidas pela moral regulam o modo de agir das pessoas. 
A moral está relacionada com a moralidade (entendida como a boa conduta) e com os bons costumes, está associada aos valores e convenções estabelecidos coletivamente por cada cultura ou por cada sociedade e serve de base aos juízos da consciência individual, que distingue o bem do mal, ou a violência dos atos de paz e harmonia. Os princípios morais como a honestidade, a bondade, o respeito, a virtude, etc., determinam o sentido moral de cada indivíduo. 
A moral orienta o comportamento do homem diante das normas instituídas pela sociedade ou por determinado grupo social. 
http://www.significados.com.br/moral/(nem toda a informação constante neste link é relevante, podendo suscitar dúvidas e/ou confusão).



quarta-feira, 4 de março de 2015

Tema 4 - O Holocausto




300 sobreviventes nas comemorações dos 70 anos da libertação de Auschwitz

Viktor Frankl, Em Busca de Sentido. Um Psicólogo no Campo de Concentração


Desafio:

O grupo irá explorar o ebook de Viktor Frankl em busca de um problema que possa ser explorado racionalmente (usando a Razão como bússola ética) e cuja exploração permita responder à seguinte questão:

Qual é a nossa principal responsabilidade (o nosso principal dever) em relação às vítimas do Holocausto nazi?

O grupo deve fundamentar argumentativamente a sua resposta.

Tema 3 - Os direitos dos animais






Documentos para análise:

Doc. 01 - Declaração Universal dos Direitos dos Animais

Doc. 02 - Será Que um Animal não Humano Pode ser Uma Pessoa?

Doc. 03 - Breve história do fim das touradas

Casos para análise:

Caso A. Os golfinhos são pessoas não humanas
Caso B. Câmara de Viana do Castelo proíbe as touradas no concelho
Caso C. Lei sobre animais no circo, para alguns 5 anos de “uma palhaçada”


Objetivos:
- Conhecer a Declaração Universal dos Direitos dos Animais;
Compreender que os seres humanos têm deveres éticos em relação aos animais;
- Reconhecer situações de desrespeito pelos direitos dos animais: o exemplo das touradas e dos circos com animais;
- Sensibilizar para a necessidade de resposta individual e colectiva na implementação de medidas que visem a promoção do respeito pelos direitos dos animais;
- Problematizar o conceito de pessoa, tendo em conta a possibilidade de existirem pessoas não humanas.

Desafios:

1.
Após leitura dos “Casos para análise” (B e C) e a “Declaração Universal dos Direitos dos Animais”, o grupo deve realize as seguintes tarefas:
a) Identificar o problema apontado pelo artigo de jornal de jornal escolhido;
b) Considerando a Declaração Universal dos Direitos dos Animais, identificar os artigos violados na situação contemplada na notícia;
c) Elaborar uma reflexão crítica sobre o problema em questão e o modo como individual e colectivamente se poderão desenvolver respostas ao problema analisado.

2. 
Após leitura dos “Documentos para análise” o grupo deve realize as seguintes tarefas:
a) Analisar o problema abordado pelo Doc.02 (Podem existir pessoas não humanas ?);
b) Argumentar a favor da tese de que existem pessoas não humanas;
c) Derivar as consequências éticas da tese;
d) Refletir sobre as mudanças que devem ser implementadas na nossa sociedade, tendo em conta as consequências éticas expostas.

terça-feira, 3 de março de 2015

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Tema 2: A Servidão Moderna







Documentário: "A Servidão Moderna"


Texto: "A servidão moderna" (link para download em formato PDF)
            Ver como página web - para leitura no browser       

Textos de apoio:

Livro:
Ranciére, O mestre ignorante (Ler o capítulo 1,  "Uma aventura intelectual").

Artigo:
KOHAN, Walter Pessoa, sociedade e desenvolvimento: Educação e Emancipação. Paradoxos da Emancipação".



Objetivos:
1. Refletir sobre a sociedade contemporânea a partir do tema do consumismo;
2. Compreender a importância da emancipação intelectual (mental/ espiritual);
3. Analisar a questão: o mundo precisa de filosofia (da atitude filosófica);


Desafio:

O grupo deve analisar o documentário e interpretá-lo em relação com os textos de apoio.
Depois de uma primeira leitura deve ser formulado um problema que servirá de base ao trabalho.
Depois de formulado o problema, deve ser sistematizada uma tese (resposta) e os respetivos argumentos.
A tese e os argumentos devem ter em, conta a(s) tese(s) e argumento(s) apresentados no documentário.

A Moral e a Ética - Síntese

Clique na imagem para aumentar


A vida em sociedade seria impossível sem a moral. Sem normas morais impostas pela sociedade, a ação dos indivíduos seria caótica e permanentemente conflitual. Os valores morais são importantes porque balizam a ação dos indivíduos e permitem que a ação individual possa estar integrada numa rede de obrigações e proibições que garante a convivência. 
As normas morais podem estar codificadas sob a forma de leis e estas constituem obrigações apoiadas por um corpo de instituições que sancionam a sua desobediência (quem desobedece às leis pode ser punido e para isso existem as polícias e os tribunais).Também há normas morais específicas de certos grupos sociais e instituições que vinculam só os seus membros, não sendo, por isso, comuns a toda a sociedade: cada religião tem os seus valores morais (os 10 mandamentos, no caso do judaísmo e do cristianismo), o mesmo se passa com as comunidades locais, porque cada uma tem os seus costumes, etc..
A Moral é imposta de fora aos indivíduos, em certa medida faz parte do senso comum partilhado pelos membros de uma mesma sociedade (ou comunidade, dentro da sociedade mais alargada). Isto leva a que as pessoas possam encarar as normas morais de forma acrítica, limitando-se a segui-las por hábito, por medo das punições, para serem aceites pela sociedade, etc..
Quem se limita a seguir normas exteriores, vive na heteronomia, ou seja, na dependência dos outros. Esta atitude passiva perante a vida é fortemente contrariada pela atitude filosófica. E é aqui que entra a ética:
A ética é a filosofia (a atitude filosófica) aplicada ao campo da moral: é uma disciplina filosófica que problematiza o sentido da ação moral - o que é o mal? O que é o bem? O que é o dever? As regras morais em vigor são justas? - de forma a permitir que possamos viver de forma autónoma. A autonomia é a efetivação da capacidade de sermos independentes do controlo social e da influência que os outros podem ter sobre a nossa vontade sem que procuremos indagar porque agimos e para que agimos. 
Quando temos a necessidade de agir é porque há um motivo (o porquê da ação) que nos leva a ter que fazer uma escolha (a tomar uma decisão). Mesmo quando o motivo é exterior, a decisão depende de uma deliberação da nossa Razão. E é desta deliberação que nasce a intenção (o para que, a meta da ação). Quando nos limitamos a seguir os costumes, ou as normas morais da sociedade, sem nos preocuparmos com o sentido das nossas decisões, estamos a viver aquém das nossas possibilidades enquanto seres humanos, estamos a desprezar a Razão que, se bem usada, pode ser um guia precioso sempre que temos que tomar decisões de peso.

Em suma, temos o dever ético de sermos autónomos.

Por isso a filosofia, no campo da ética, procura fazer uma análise crítica das normas morais para ver se elas têm fundamento, ao mesmo tempo que procura saber se existem princípios universais (racionais) que nos permitam tomar decisões que nasçam da nossa reflexão sobre os problemas que temos que enfrentar na nossa vida, sem nos limitarmos a sermos escravos das circunstâncias ou do medo de sermos excluídos por não seguirmos os padrões aceites pela maioria dos membros da nossa sociedade.
Essa universalidade nasce da natureza da própria Razão: esta é uma faculdade comum a todos os seres humanos, independentemente da sua origem cultural, os Princípios Lógicos da Razão (que são como que a gramática do pensamento humano) estão presentes em todos os discursos humanos, em todas as línguas e culturas. Eles são o garante da universalidade do pensamento humano, porque nos permitem pensar coisas muito diferentes mas com regras comuns. Haverá, também uma 'gramática' da ação moral? Podemos pensar na possibilidade de existirem deveres humanos? O facto de sermos humanos implica o dever de nos comportarmos de forma humanitária? 
Estas são algumas questões éticas que podem alargar a nossa maneira de nos encararmos a nós próprios e aos outros - incluíndo aqui os outros humanos, mas também os não humanos que coabitam connosco neste planeta em relação ao qual também poderemos ter deveres éticos e quando falamos nestes 'outros' não nos referimos apenas aos que presentes neste mundo agora. Há, também, os que já passaram por cá e em relação aos quais poderemos ter o dever ético da memória: não podemos esquecer as atrocidades cometidas ao longo da história, nem os atos de heroísmo, a todos os níveis. Por isso também temos o dever de nos cultivarmos, de robustecermos da nossa Razão: só aumentando o nosso saber podemos tornar-nos mais racionais, mais capazes de racionalidade. E isso faz-se acolhendo o património que os outros que vieram antes de nós nos legaram.
Mas há também os outros que ainda não nasceram. Em relação a esses talvez tenhamos o dever do exemplo e da preservação: temos que procurar melhorar-nos e ao mundo para que as gerações futuras possam viver num mundo melhor ou que, pelo menos, possam usufruir dos mesmos recursos de que nós hoje usufruímos. Se destruirmos o planeta estamos a cometer uma atrocidade em relação aos que estão vivos e aos que ainda não nasceram.
É por isso que, em certo sentido, a ética é mais importante do que a moral. Se os seres humanos conseguissem entender-se para estabelecerem a Razão como o farol da humanidade (como os filósofos iluministas do século XVIII pretendiam) talvez não fossem necessárias leis escritas para regerem a vida das sociedades, ou estas seriam o resultado duma clarificação racional da vida humana. Talvez assim se realizasse aquilo a que Kant chamou o Reino dos Fins.




___________

Conteúdos relacionados:



terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Éticas deontológicas e éticas teleológicas



ÉTICA DEONTOLÓGICA (KANT) E
ÉTICA TELEOLÓGICA (ARISTÓTELES / STUART MILL)

São duas perspectivas ou teorias sobre a acção ética.

A ÉTICA DEONTOLÓGICA, defendida por Kant, valoriza a intenção da acção, de acordo com o dever, independentemente das consequências.
Deontologia significa “teoria do dever” ou “estudo do que convém”, em termos de acção. Agir por dever e em função de uma boa intenção são os princípios que determinam a boa acção. Agir bem implica uma boa intenção e uma boa vontade. O que é que isto quer dizer? A acção é boa se a intenção (razão ou motivo) for boa e se ela for pensada como boa vontade, ou seja, se for universal. Será universal se o que decidirmos for bom para nós próprios e para os outros (todos). Se não for uma acção egoísta ou só pensada em função de mim próprio terá uma dimensão ética, de maneira que, como diz KANT: “age de tal maneira que uses a humanidade tanto na tua pessoa como na pessoa de qualquer outro sempre como um fim e nunca simplesmente como um meio”. Por outras palavras, devemos tratar os outros como nos tratamos a nós próprios; assim se compreende a dimensão universal dos nossos actos, defendida por KANT. Por isso se diz que a ética de KANT é uma Ética Formal: não indica normas concretas de conduta, mas dá indicações gerais de como devemos agir com os outros. Não diz como em concreto devemos fazer para tratar os outros como “fins em si”, do tipo, como fazer para a velhinha passar a estrada, mas, em geral, sugere posturas universais aplicáveis a todas as situações (devemos tratar os outros como pessoas que têm valor por si próprias e que nunca devemos usar para nosso benefício).

A ÉTICA TELEOLÓGICA, defendida por autores como ARISTÓTELES e STUART MILL é uma Ética consequencialista. Isto significa que a boa acção se deve medir pelas consequências. Ou seja, o fim da acção é o que determina todo o agir. E o fim último e mais importante é a felicidade. Todos os homens se devem reger por esta finalidade.
Teleologia significa o “estudo do fim”; aliás, “teleos” significa fim, o fim da acção. Em concreto, numa acção concreta, o mais importante não é saber se a intenção é boa, mas sim se teve boas consequências. Por isso se diz que é uma Ética do Concreto, que diria como se deve atingir a felicidade, o fim  último de toda a ação moral.
Para ARISTÓTELES, o ser humano deve procurar o fim adequado à sua natureza (Humana) e esse fim é a virtude e a felicidade. Nos actos humanos devemos procurar agir em equilíbrio de maneira a não prejudicar os outros. Um acto virtuoso é um acto equilibrado que não peca por defeito nem por excesso. Assim, a coragem excessiva pode levar à morte e a cobardia pode resultar da mesma forma; neste caso a ponderação da acção com vista ao fim que se deseja é a melhor das acções, sendo o meio-termo a melhor solução. Em Ética e segundo este autor, no meio é que está a virtude.
Luís Mourinha, Filosoficamente falando