quarta-feira, 11 de março de 2015

O que é um dilema moral?




Dilema moral:

1) Qualquer problema em que a moralidade seja relevante.

Este uso lato inclui não apenas conflitos entre razões morais, mas também conflitos entre razões morais e razões legais, religiosas ou relacionadas com o interesse próprio. Neste sentido, Abraão encontra-se num dilema moral quando Deus lhe ordena que sacrifique o seu filho, ainda que ele não tenha qualquer razão moral para obedecer. Analogamente, encontro-me num dilema moral se não puder ajudar um amigo que esteja com problemas sem renunciar a uma lucrativa mas moralmente neutra oportunidade de negócio.

“Dilema moral” refere-se também muitas vezes ao seguinte:

2) Qualquer área temática em que não se sabe o que é moralmente bom ou certo, se é que algo o é.

Por exemplo, quando se pergunta se o aborto é de algum modo imoral, podemos chamar ao tópico “o dilema moral do aborto”. Este uso epistémico não implica que algo seja realmente de todo em todo imoral.

Recentemente, os filósofos morais têm vindo a discutir como “dilemas morais” um conjunto muito mais limitado de situações, definindo habitualmente “dilema moral” como se segue:

3) Uma situação em que um agente tem o dever moral de fazer duas acções, mas não pode fazer as duas.

O exemplo mais conhecido é o estudante de Sartre que tinha o dever moral de cuidar da sua mãe em Paris, mas que ao mesmo tempo tinha o dever moral de ir para Inglaterra para entrar para a França Livre e lutar contra os nazis.
(...)

Walter Sinnott-Armstrong

Tradução de Desidério Murcho
Extraído de Dicionário de Filosofia de Cambridge, org. por Robert Audi (Paulus, 2006)
Texto copiado daqui: http://criticanarede.com

A natureza das normas morais


O que é uma norma moral? 

É uma regra de comportamento que determina o que devemos fazer (ou não fazer) para que a nossa ação seja moralmente boa ou moralmente valiosa. 
Não matar, não roubar e não mentir são exemplos conhecidos. Cumprir estas regras é geralmente considerado valioso. 
Todas as sociedades possuem um código moral, isto é, um conjunto organizado de normas que prescrevem o que é moralmente valioso. 

Assim, as normas morais  são regras de comportamento adotadas em sociedade que viram perseguir valores como os de bem, justiça, dignidade, liberdade e que permitem aos indivíduos distinguir uma boa ação e uma má ação. As normas morais não se impõem absoluta e incondicionalmente; não retiram a liberdade nem a responsabilidade ao agente. Constituem guias orientadores da ação.

As normas morais são valores que servem de critério de valoração 

Para agir bem basta cumprir o que uma norma moral prescreve?

Violar uma norma moral significa sempre que estamos a agir mal? 

Parece simples. Existem normas morais estabelecidas que nos dizem o que é correto e o que é errado fazer. Não devemos matar inocentes, devemos respeitar a propriedade dos outros (não devemos roubar), não devemos mentir (devemos dizer a verdade) são alguns exemplos. Aparentemente, a sociedade com o seu código moral (o conjunto das normas morais) dá-nos uma «receita» para aplicarmos a diversas situações e resolver os problemas que elas nos colocam. 
Contudo, as coisas não são assim tão lineares porque, se o fossem, a nossa vida moral seria tranquila e fácil. Muitas situações constituem para nós casos bastante problemáticos. Sabemos que há pessoas que se arrependem do que fizeram, que sentem remorsos e culpa, que muitas vezes vivem experiências em que o recurso às normas morais comuns consagradas pelo uso não lhes dá uma solução para o problema. Terão de ser elas a ponderar e a deliberar para tentarem encontrar a melhor resposta ao problema

A seguir apresentamos várias situações morais problemáticas: trata-se de dilemas ou conflitos morais (situação em que uma pessoa é colocada perante duas exigências morais, não pode cumprir as duas e para respeitar uma tem de infringir ou desrespeitar a outra) que, apesar de artificiais na maioria dos casos, são um bom pretexto para testar as suas convicções morais ou para as aprofundar. 

Na análise desses casos, ao orientar a sua eventual resposta, tenha em mente as seguintes perguntas: 

1. Cumprir a norma moral estabelecida torna a minha ação correta? 

2. Violar essa norma torna a minha ação moralmente errada? 

Coloque-se na posição das personagens e justifique as suas respostas. 

Problema 1: Alberto sabe que Vicente é infiel à mulher. Mulherengo aparentemente incorrigível, Vicente gaba-se junto dos amigos das suas várias incursões extramatrimoniais. Esta ausência de escrúpulos morais é para Alberto extremamente indecente. A mulher de Vicente é uma amiga de longa data que Alberto julga estar a ser humilhada sem disso se aperceber. 
Debate-se então com um problema: se conta a verdade à amiga, poderá causar-lhe um enorme desgosto; se decide não intervir, torna-se conivente com as mentiras de Vicente

Problema 2: Um amigo quer contar-lhe um segredo, mas antes de o fazer pede que lhe prometa não contar a ninguém. Dá sua palavra. O seu amigo confessa-lhe que atropelou uma pessoa e, que por isso, se vai refugiar na casa de um familiar. Sabe quem é o familiar e onde mora. A polícia após algumas investigações suspeita que o seu amigo é o causador dos graves ferimentos da pessoa atropelada. Acaba por ser convocado para depor. 
Que normas morais estão em conflito? O que deve fazer? 

Problema 3: No seu país, a tortura de prisioneiros de guerra é proibida. É tenente do Exército e recebe um prisioneiro recém-capturado que grita: «Alguns de vocês morrerão às 21h e 35». Suspeita-se que ele sabe de um ataque terrorista a uma discoteca muito frequentada por militares. Decide que deve fazer-se tudo, inclusive torturá-lo, para que confesse a verdade. 

Problema 4 - António é encarregue pelo diretor do museu em que trabalha de transportar um precioso quadro para o museu da cidade mais próxima. Ao passar por um rio, repara que uma jovem se está a afogar. Imediatamente salta para a água sem tirar o fato que um amigo lhe emprestou. Como nada mal, usa o quadro para flutuar e tentar chegar à jovem que está em situação aflitiva. Apesar de todos os seus esforços, não consegue salvar a rapariga. O quadro fica irremediavelmente danificado, e o mesmo acontece com o fato do amigo. Agiu bem? 

Problema 5 - João considera intolerável que tantas crianças morram de fome no mundo e decide dar 1000 euros a uma instituição que se dedica a combater esse flagelo. 
Inspirados pelo seu extraordinário exemplo, muitos estudantes da faculdade que frequenta dão também uma quantidade significativa de dinheiro à instituição de caridade. O que não sabem é que João roubou os 1000 euros a um tio muito rico que eventualmente nem dará pela sua falta. Como resultado direto e indireto da generosidade de João, muitas crianças são alimentadas. A sua ação é boa? 

Iremos estudar duas teorias significativamente distintas quanto ao critério que escolhem para determinar o que é correto e o que é incorreto em termos morais. 
Trata-se de saber através dos exemplos dados qual a importância que atribui na avaliação moral dos casos descritos às consequências e aos motivos e intenções. 

A questão orientadora – formulada de duas maneiras − é esta: O que torna uma ação moralmente corretaAs boas intenções que a determinam ou as boas consequências que dela resultamSão as intenções mais importantes do que as consequências na avaliação moral das ações? 

In Luís Rodrigues, Filosofia, 11º Ano, Plátano Editora.
http://pt.slideshare.net/isabelamd/o-que-uma-norma-moral-dilemas-morais

A dignidade da pessoa segundo Kant



Deve-se explicar o significado dos elementos principais da segunda fórmula do imperativo categórico – "Age de tal maneira que uses a humanidade, tanto na tua, como na pessoa de qualquer outro, sempre e simultaneamente como fim e nunca simplesmente como meio". Qual a diferença entre fim e meio e entre pessoa e coisa? A partir dessa questão, outras tantas irão surgir; e o esclarecimento de todas elas possibilitará a visualização do conteúdo, segundo Kant, do princípio da dignidade da pessoa humana.

Para Kant,

"[...] aquilo que serve à vontade de princípio objetivo da sua autodeterminação é o fim, e este, se é dado pela só razão, tem de ser válido igualmente para todos os seres racionais. O que pelo contrário contém apenas o princípio da possibilidade da ação, cujo efeito é um fim, chama-se meio".

Kant também distingue claramente pessoa e coisa:

"Os seres cuja existência depende não em verdade da nossa vontade, mas da natureza, têm, contudo, se são seres irracionais, apenas um valor relativo como meios, e por isso se chamam coisas, ao passo que os seres racionais se chamam pessoas, porque a sua natureza os distingue já como fins em si mesmos, quer dizer, como algo que não pode ser empregado como simples meio e que, por conseguinte, limita nessa medida todo o arbítrio (e é um objeto do respeito)."

Nessa última distinção, reaparece um dos conceitos morais kantianos mais importantes à apreensão do conteúdo do princípio da dignidade da pessoa humana: o respeito. O respeito, segundo Kant,  não é um sentimento recebido por influência sensível, mas um sentimento que se produz por si mesmo através de um conceito da razão, e assim especificamente se distingue de todos os sentimentos que se podem reportar à inclinação ou ao medo. Em suma, para Kant, "aquilo que eu reconheço imediatamente como lei para mim, reconheço-o com um sentimento de respeito que não significa senão a consciência de subordinação da minha vontade a uma lei, sem intervenção de outras influências sobre a minha sensibilidade".

A incidência desse sentimento moral na dignidade da pessoa humana apresenta-se com mais fulgor ainda na sua obra Crítica da Razão Prática (1788), na qual Kant diz o seguinte: "o respeito dirige-se sempre e unicamente a pessoas, jamais a coisas. As últimas podem suscitar em nós a inclinação e, se forem animais (por exemplo, cavalos, cães, etc), até mesmo o amor, ou também o temor, como o mar, um vulcão, uma fera, mas nunca o respeito". Kant ressalta que "se se examina atentamente o conceito do respeito pelas pessoas, perceber-se-á que ele se baseia sempre na consciência de um dever que um exemplo nos apresenta, e que, portanto, o respeito nunca pode ter nenhum outro fundamento senão um fundamento moral". Ele elucida isso quando referindo-se implicitamente a uma frase de Fontenelle – "na presença de um grande, inclino-me, mas o meu espírito não se inclina" –, afirma que

"[...] diante de um homem de classe inferior, um simples trabalhador, no qual percepciono uma retidão de caráter de um grau tal que eu, no que me toca, não tenho consciência de possuir, o meu espírito inclina-se, quer eu queira quer não e por muito que eu levante a cabeça para que não lhe passe despercebida a superioridade da minha condição."

Kant continua a explicação da seguinte forma:

"[...]  O respeito é um tributo que não podemos recusar ao mérito que queiramos ou não; podemos, quando muito, não o manifestar exteriormente, no entanto, não conseguimos impedir de internamente o sentirmos."

Para o exame da fórmula do imperativo categórico relativa à dignidade da pessoa humana, outra questão ainda necessita ser explicitada: a distinção entre dignidade e preço. De acordo com Kant, "quando uma coisa tem um preço, pode pôr-se em vez dela qualquer outra equivalente; mas quando uma coisa está acima de todo o preço e, portanto, não permite equivalente, então tem ela dignidade". Apenas a pessoa está acima de todo o preço, e somente ela, enquanto capaz de moralidade, possui dignidade, e, por isso, não pode ser substituível ou considerada como coisa em momento algum. Nesse horizonte, enquanto o ser pessoal deve ser estimado exclusivamente em razão de si mesmo, as coisas podem ser usadas como meios. É perfeitamente lícito utilizar as coisas em função das pessoas. Todavia, o ser humano, é um fim em si mesmo, porque é racional e, sendo racional, pode ser autónomo, pode determinar os seus próprios fins não podendo ser reduzido à condição de simples meio (para alcançar fins determinados por uma qualquer vontade exterior).  

Bruno Cunha Weyne
http://jus.com.br/artigos/11254/dignidade-da-pessoa-humana-na-filosofia-moral-de-kant
(Texto adaptado)


terça-feira, 10 de março de 2015

Teste 4 - Matriz


Nota: neste teste é obrigatório o uso de folha de teste.
Seja original e crítico nas suas respostas.
Deve desenvolver as suas respostas!

NOVO: 
TESTE MODELO SOBRE OS VALORES ÉTICOS

Esclarecimento de dúvidas por email
(até 24 horas antes do teste - deve indicar o nome, nº. e turma)

Objectivos / Conteúdos:

1. Caracterizar a filosofia a partir das suas principais características: radicalidade; autonomia; historicidade e universalidade;
2. Identificar os diversos elementos constitutivos da ação (os conceitos da ‘rede conceptual da ação’);
3. Definir e relacionar os conceitos de agente, motivo, intenção e consequências (da ação);
4. Distinguir atos voluntários e involuntáriosApresentação
6. Definir o conceito de valor.
7. Compreender a relação entre a ação humana e os valores;
8. Caracterizar os valores tendo em conta as suas principais características: matéria, polaridade e hierarquia;
9. Explicar a valoração e os critérios valorativos, tendo em conta a bússola dos valores;
10. Caracterizar e distinguir juízos de facto e juízos de valor;
18. Problematizar a natureza dos valores: os valores são subjetivos ou objetivos?
19. Explicar a teoria objetivista tendo em conta as suas teses e argumentos;
20. Explicar a teoria subjetivista tendo em conta as suas teses e argumentos;
21. Explicar a teoria estruturalista tendo em conta as suas teses e argumentos;
22. Analisar conflitos de valores/ Definir o conceito de conflito de valores;
24. Reconhecer a importância da Razão como critério valorativo;
25. Definir o conceito de  cultura;
26. Explicar porque é que o homem é produto e produtor da cultura;
28. Analisar o conceito de identidade cultural;
29. Reconhecer a importância da diversidade cultural;
31. Definir e interpretar o etnocentrismo;
32. Definir e interpretar o relativismo cultural;
33. Definir e interpretar o interculturalismo;
34. Definir o conceito de moral;
35. Definir o conceito de ética;                
36. Distinguir a ética da moral;
37. Compreender a natureza das normas morais;
38. Usar a Razão como critério de deliberação moral na análise ética de situações;
39. Definir o relativismo moral;
40. Compreender que o relativismo moral é eticamente insustentável;
41. Compreender a ética como uma fundamentação racional da ação moral;
42. Definir e distinguir a ética deontológica e a ética teleológica;
43. Compreender a ética deontológica de Kant;
44. Compreender o imperativo categórico como critério moral racional;
45. Compreender a universalização (universalizibilidade) como a base de aplicação do imperativo categórico;
46. Reconhecer e aplicar as duas versões do imperativo categórico;
47. Distinguir entre autonomia e heteronomia;
48. Compreender a pessoa como fim em si mesmo;
49. Distinguir entre preço e dignidade (entre coisa e pessoa);
50. Distinguir agir por dever e agir conforme ao (ou em conformidade com) o dever;
51. Analisar criticamente a ética deontológica de Kant, atendendo às suas possíveis limitações;
52. Colocar problemas de forma pertinente;
53. Identificar problemas, teses e argumentos;
54. Construir argumentações sólidas.
____________

Questões de verificação da aprendizagem

1. Qual é a relação entre os valores e a acção humana?

2. O que são os valores?

3. O que significa dizer que os valores são construções humanas?

4. De que modo podem os valores orientar e guiar o agir?

5. Que tipos de valor estão presentes na nossa vida?

6. Que características podemos atribuir aos valores? Como explicar cada uma dessas características?

7. O que distingue juízo de facto de juízo de valor?

8. O que defende o objetivismo axiológico? E a teoria subjetivista?

9. O que são conflitos de valores? E critérios valorativos?

10. Sou capaz de dar exemplos de situações de conflito de valores?

11. A superação de conflitos de valores depende de que fatores?

12. O que é a moral?

13. O que é a ética?

14. Por que razão a vida em sociedade exige regras morais?

15. O relativismo moral é eticamente sustentável?

16. O que é um dilema moral?

17. Temos o dever ético de sermos autónomos?

18. Quais são os fundamentos das éticas deontológicas?

19. Qual é o critério moral da ética deontológica de Kant?

20. Quais são os fundamentos das éticas teleológicas (consequencialistas)?

21. Qual é o critério moral da ética teleológica (consequencialista) de Stuart Mill?

22. Segundo Kant, por que razão a moralidade é imposta a cada ser humano de forma categórica?

23. Quais são as formulações do imperativo categórico? Qual a relação entre as duas fórmulas do Imperativo Categórico?

24. Que objeções se podem colocar à teoria ética de Kant?



____________
Recursos:
A ética deontológica de Kant - síntese

Ficha formativa sobre a ética de Kant (trata-se de uma versão mais pequena da ficha trabalhada em grupo).
Ficha formativa sobre a ética de Kant - correção


TESTE MODELO SOBRE OS VALORES ÉTICOS

Para preparar o teste 4 convém analisar em profundidade o teste 3:

Testes sobre os valores (com as respetivas correções):

Teste 3 10D
Teste 3 10E 


Vídeos:

A Moral e a Ética


A ética deontológica de Kant





Mapas conceptuais:
(Clicar nas imagens para aumentar)


A Moral e a Ética
A Moral

A Ética

A Ética Deontológica e a Ética Teleológica



A Pessoa de acordo com Kant


Teste 3 10D (2014/15)

Grupo I
Escolha apenas uma alternativa em cada questão.
(10 x 5 pontos)


1. "Os valores são hierarquizáveis, isto é, num dado contexto social e cultural, todos os indivíduos estabelecem as mesmas prioridades, seguindo a mesma escala de valores." Este enunciado é:

(A) verdadeiro, porque há valores superiores e inferiores;
(B) falso, porque todos os valores têm a mesma importância;
(C) verdadeiro, porque embora existam valores superiores e inferiores, as pessoas podem ter prioridades diferentes e seguir diferentes escalas de valores;
(D) falso, porque embora existam valores superiores e inferiores, as pessoas podem ter prioridades diferentes e seguir diferentes escalas de valores.

2. A afirmação "Não há códigos morais únicos nem valores absolutos" identifica-se com a perspectiva filosófica que habitualmente designamos por:

(A) etnocentrismo;
(B) dogmatismo;
(C) absolutismo;
(D) relativismo.


3. A perspectiva axiológica que afirma os valores como propriedades reais existentes nos objetos designa-se por:

(A) subjetivismo;
(B) objetivismo;
(C) ontologismo;
(D) naturalismo.

4. Os juízos de facto são enunciados subjetivos. Esta afirmação é:

(A) verdadeira, porque os juízos de facto são afirmações sobre diferentes sujeitos;
(B) verdadeira, porque os juízos de facto são enunciados que derivam da valoração que o sujeito faz da realidade;
(C) falsa, porque os juízos de facto são derivados da imaginação coletiva;
(D) falsa, porque os juízos de facto são enunciados objectivos.

5. O facto de eu afirmar que a justiça está acima da utilidade, confirma que:

(A) os valores são hierarquizáveis;
(B) os valores são bipolares;
(C) os valores são universais;
(D) os valores são objectivos;

6. O que distingue os atos voluntários dos atos involuntários:

(A) é que os primeiros são conscientes e os segundos, inconscientes;
(B) é que os primeiros são inconscientes e os segundos são conscientes;
(C) é que os primeiros são causados pela vontade do agente;
(D) é que os segundos são causados pela vontade do agente.

7. 'O João sentiu fome. Como estava em casa foi ao frigorífico e reparou que tinha todos os ingredientes para fazer uma sandes de fiambre. Decidiu, então comer uma sandes e beber um copo de leite. Depois deste lanche sentiu-se saciado.'
Das seguintes opções, escolha a que melhor identifica os elementos constitutivos desta ação:

(A) Agente: o João; Motivo: a fome; Intenção: a decisão de comer uma sandes e beber um copo de leite; Consequência(s) da ação: a saciedade;
(B) Agente: o João; Motivo: a decisão de comer uma sandes e beber um copo de leite; Intenção: a fome ; Consequência(s) da ação: a saciedade;
(C) Agente: o João; Motivo: o sentir-se saciado; Intenção: a fome ; Consequência(s) da ação: a decisão de comer uma sandes e beber um copo de leite;
(D) Agente: o João; Motivo: a decisão de comer uma sandes e beber um copo de leite; Intenção: a saciedade; Consequência(s) da ação:  a fome.

8. "Ousa saber! Tem a coragem de usares o teu próprio entendimento!". Esta afirmação de Kant refere-se a uma característica da Filosofia. A qual?

(A) à historicidade;
(B) à radicalidade;
(C) à universalidade;
(D) à autonomia.

9. A axiologia é a disciplina filosófica que estuda:

(A) a totalidade do real;
(B) os valores;
(C) o pensamento;
(D) o homem e as suas experiências de vida.

10. Analise as seguintes afirmações:

1. 'Portugal é o melhor país da Europa para se viver';
2. 'Hoje em Faro registou-se uma temperatura de zero graus à meia-noite';
3. 'A Torre de Belém é um edifício manuelino';
4. 'Camões é o melhor escritor português de todos os tempos';
5. 'Cristiano Ronaldo é o futebolista português com mais títulos'.

 Das seguintes alternativas, escolha a que identifica corretamente quais das afirmações são juízos de facto:

(A) 1; 4; 5;
(B) 1; 3; 5;
(C) 2; 3; 5;
(D) 1; 2; 4.


Grupo II

Texto 1
“Como todas as questões  em filosofia, esta é só mais uma entre várias perguntas que nos fazem pensar intensamente no significado de cada palavra e como é que as palavras influenciam a nossa vida.
Todos nós crescemos a ver e ouvir histórias sobre os super-heróis mais famosos de sempre, desde o super-homem à mulher-maravilha, mas neste caso a palavra “herói” não se aplica à simples ideia de um indivíduo de capa vermelha e que estranhamente possui um poder extraordinário.
O que levanta a questão: “O que será verdadeiramente um herói?” ou “O que é ser um herói na realidade?”.
Será que podemos considerar um bombeiro ou um médico um herói por salvar vidas? Talvez, porque um herói é alguém que se dedica com tamanha convicção e vontade para alcançar os seus objectivos, pondo de lado as suas dificuldades. É também verdade, que para ser herói não é preciso acertar e ter sucesso constantemente, mas sim tentar sempre, pois um herói é aquele que nunca desiste. Ser herói não é só salvar vidas, ir para a guerra e arriscar a vida, mas é sim, todas as pequenas coisas, tal como a simples ideia de sairmos da nossa zona de conforto e fazermos algo a que não estamos habituados ou pensávamos que não conseguíamos fazer, realizar algo de uma maneira diferente – Ser diferente!
O que é muito raro fazer hoje em dia, porque fomos criados a não fazer aquilo que não estamos acostumados, ensinaram-nos a seguir sempre o mesmo caminho – o caminho certo ou muitas vezes, o mais fácil. E quando optamos por escolher o outro caminho, não somos elogiados, porque é simplesmente a natureza do ser humano (na maioria das vezes) – optando sempre pela maneira mais segura.
Mas na minha opinião, o facto de não o fazermos é o que nos faz heróis, o facto de sermos e agirmos de forma diferente do que os outros, arriscarmo-nos a escolher o “outro caminho”, inovarmos na nossa maneira de pensar e ao esquecermos o que é “certo” e o que é “errado”. Isto é o que todos os super-heróis que tanto admirávamos tinham e talvez seja o que deveríamos optar por fazer.
Mas será que eu vou ser isso na minha vida? Ou outra pessoa é que vai fazer isso por mim? Será que eu tenho a capacidade de me destacar dos outros ao fugir dos modelos de sucesso já programados e escolher o outro caminho?
Quando somos confrontados com esta questão, o nosso primeiro instinto é sempre dizer que sim, pois acreditamos em nós próprios e nas nossas capacidades, mas ao pensarmos cada vez mais começamos a duvidar da nossa pessoa e do nosso futuro.
Na minha opinião, eu, e provavelmente todos os outros, queríamos ser capazes de ser os heróis das suas vidas, mas a outra opção é também bastante real ou talvez o lugar de herói pode nem chegar a ser preenchido. Como é que sabemos então? Não sabemos. Eu acredito que todas as coisas têm a sua razão de acontecer, pois conseguimos tomar as nossas próprias decisões, mudando assim o decurso do nosso destino, por isso apenas podemos esperar e acreditar nas nossas próprias decisões e, com sorte, um dia percebemos que sim, fomos os heróis da nossa vida.”
Bruna Alexandra Alves Ferreira  Nº6 10ºE (2014/15)

1.     Os valores são importantes na existência humana. Explique esta afirmação respondendo à seguinte questão: o que são e para que servem os valores?
                                                                                                                                       (25 pontos)

2.     Há uma teoria axiológica que defende que podemos criar os nossos próprios valores. Identifique essa teoria e explique-a atendendo às suas teses e argumentos.                                                                                                                                                                             (30 pontos)


3.     Poderíamos ser os heróis da nossa vida se não existissem os valores? Responda a esta questão tendo em conta a passagem sublinhada no texto 1.
                                                                                                                                                     (30 pontos)



Texto 2

“É uma visão do mundo onde o nosso próprio grupo é tomado como centro de tudo e todos os outros são pensados e sentidos através dos nossos valores, dos nossos modelos, das nossas definições do que é a existência. No plano intelectual, pode ser visto como a dificuldade de pensarmos a diferença; no plano afetivo, como sentimentos de estranheza, medo, hostilidade, etc. .“
Everardo P. Guimarães Rocha


4. Identifique e avalie criticamente a atitude face à diversidade cultural a que o texto 2 se refere.                                                                                                                            (25 pontos)



Grupo III
Este grupo é composto por uma questão de desenvolvimento.

Texto 3
O dilema da última cama
“Suponhamos que só há uma cama disponível nos cuidados intensivos de um hospital e chegam dois pacientes: um com 67 anos e um de 18 anos.
Quem tem direito a essa cama?
Qual deles devem os médicos salvar?
Que critério valorativo devem utilizar?
A resposta não é evidente, o critério valorativo utilizável também não.”
    
 1. Responda às questões do texto 3, procurando utilizar a Razão como critério valorativo. Deve fundamentar a sua resposta com argumentos da sua autoria.

                                                                                                                                                   (40 pontos)