quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

O que é o relativismo moral?

Pintura de Vytautas Laisonas

O relativismo moral é uma teoria ética,  derivada do subjetivismo axiológico, que defende que as posições morais ou éticas, variam de pessoa para pessoa e que são todas igualmente válidas e que nenhuma opinião sobre o que é "certo e errado" é melhor do que qualquer outra. O relativismo moral também pode ser chamado 'subjetivismo moral'.

O relativismo moral é uma forma mais ampla e mais pessoalmente aplicada de outros tipos de pensamento relativista, tal como o relativismo cultural. Estes são todos baseados na ideia de que não existe um padrão definitivo do bem ou do mal, por isso cada decisão sobre o que é certo e errado acaba por ser um puro produto das preferências e do ambiente de cada pessoa. Não existe um padrão definitivo de moralidade, de acordo com o relativismo moral, e nenhuma declaração ou posição pode ser considerada absolutamente "certa ou errada", "melhor ou pior".

O relativismo moral é uma posição muito difundida no mundo moderno, embora seja aplicada de uma forma muito seletiva. Tal como acontece com outras formas de relativismo, é apenas mencionada de forma puramente defensiva. Os princípios do relativismo moral só podem ser usados para justificar ou permitir certas ações, nunca para condená-las.

Relativismo moral - Existe um padrão fixo?

É fácil ver que os fundamentos da civilização ocidental, que é a base das modernas sociedades democráticas,  não foram construídos sobre a filosofia do relativismo moral. O próprio ato da aprovação de uma lei e a sua a aplicação sugere um padrão fixo ao qual todos devem aderir. As razões para isso são óbvias: se todos numa sociedade realmente agissem como se o certo e o errado fossem puramente uma questão de opinião, então a sociedade iria implodir, pois ganharia sempre quem fosse mais forte e não quem tiver razão.

Todas as leis humanas envolvem algum princípio moral que está a ser aplicado pela ameaça de consequências negativas para os infratores. Os limites de velocidade são aplicados na maioria das estradas por causa de uma convicção moral de que arriscar a vida de outras pessoas é errado. O mesmo vale para o assassinato, roubo, falso testemunho, fraude e assim por diante. Quando o relativismo moral se torna dominante, no entanto, os legítimos princípios morais não são mais a base dessas leis. Como tudo é relativo, então essas leis são apenas uma questão de opinião e a única razão universal para segui-las é evitar consequências negativas. Isso encoraja vivamente as pessoas a procurarem formas de "se safar", afinal, é apenas a opinião de uma pessoa contra a opinião de outra.

Na melhor das hipóteses, o relativismo moral torna a sociedade instável, uma vez que os conceitos de certo e errado se tornam numa questão de uma opinião popular que está sempre a mudar. O pior resultado possível de tal condição é o ditador: um governante que se serve de uma mudança temporária na opinião popular para tomar o poder, mas não vê nenhuma autoridade como superior à sua, e não há leis mais restritivas do que as suas próprias leis. Durante os julgamentos de Nuremberga, após a Segunda Guerra Mundial, o problema lógico do relativismo tornou-se evidente. Os réus nazis continuamente reclamaram a  sua absolvição, dizendo que eles estavam apenas a seguir as leis do seu país. Farto dessa argumentação, finalmente, um juiz perguntou: "mas não existe lei maior que a nossa lei?" Um relativista moral seria forçado a responder "não".

O relativismo em si é auto-destrutivo. Logicamente, deve haver algum padrão pelo qual possamos comparar dois tipos de afirmações morais para determinar qual é a "mais correta". Obviamente, os relativistas morais negam que essa norma exista e assim dizem que tais comparações são impossíveis. Isso resulta no maior problema prático para o relativismo, como mencionado acima: é difícil, se não impossível, condenar quaisquer ações de um ponto de vista baseado no relativismo moral.

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